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segunda-feira, 3 de março de 2014

Prolegômenos, Alguns Comentários

Sérgio Biagi Gregório


INTRODUÇÃO

Allan Kardec, no início de seu prolegômenos, em O Livro dos Espíritos, diz que cabe à ciência espírita estudar os fenômenos que a ciência natural não consegue explicar. Para demonstrar que há Espíritos, e que eles podem se comunicar com os seres humanos, reporta-se ao princípio de que "todo o efeito inteligente tem que uma força inteligente". Afirma também que os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os seres humanos. Ainda mais: quando interrogada, essa força diz pertencer ao mundo espiritual dos desencarnados. Daí, a inexistência do sobrenatural, pois todas as comunicações mediúnicas são perfeitamente naturais. A tese da "invasão organizada", defendida por Arthur Conan Doyle, explicita bem esse raciocínio. Por fim, diz que O Livro dos Espíritos é um compêndio, ditado pelos Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, LIVRE DO ESPÍRITO DE SISTEMA.

Prolegômenos – Estudo preliminar, introdutivo e simplificado. Segundo a etimologia grega, é o que é dito anteriormente: introdução ou exposição preliminar antes do desenvolvimento de uma teoria.

Comentamos, a seguir, em vermelho, a mensagem dada pelos Espíritos a Allan Kardec.

Eis os termos em que nos deram por escrito e por meio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro.

"Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias.

Comentário: se Allan Kardec não fosse perseverante, se não aplicasse todos os seus recursos pessoais, toda a sua potencialidade nesta obra, com certeza ela não estaria concluída.


"Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.


Comentário: Allan Kardec recebeu apoio do plano espiritual, que lhe criou condições que pudesse se concentrar na realização desta obra, ou seja, na publicação dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita.



"Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos.

Comentário: tudo deve chegar a seu tempo. Os Espíritos superiores sabem encaminhar os acontecimentos para que o fim (Doutrina dos Espíritos) seja alcançado. Antes da publicação, incentivam o codificador a se fortalecer para suportar as dificuldades que hão de vir, pois toda a ideia nova traz como conseqüência contrariedades, confusões e lutas.


"Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.

Comentário: o ramo da videira é a imagem perfeita da relação Espírito-Matéria. Neste ramo estão os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, ou seja, a união do Espírito ao corpo físico, através do perispírito. Se todos nós tivéssemos consciência dessa relação trinária, com certeza atuaríamos com mais responsabilidade em todas as nossas tarefas.


"Não te deixes desanimar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse nos abusos. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, por isso que os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram freqüentemente semear a dúvida por malícia ou ignorância. Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que aVerdade brilhará de todos os lados.

Comentário: os Espíritos superiores, prevendo as críticas e, com elas, o desencorajamento, municiaram-no de palavras de reconforto. Repitamos: "Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a Verdade brilhará de todos os lados".

"A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno, que prenderá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial. E a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores.


Comentário: diz-se que "a verdade não é monopólio de ninguém, mas patrimônio comum das inteligências". Todos os que forem sinceros e honestos para consigo mesmos, render-se-ão aos fatos. Há, na história do Espiritismo, inúmeros casos que comprovam esta tese. Muitos cientistas foram para desmascarar o fenômeno. Como não encontraram as provas necessárias, acabaram se tornando espíritas. Somente os vaidosos acabam se apegando ao seu próprio parecer; não cedem de maneira nenhuma. Os seres humanos, de mente aberta, estão sempre prontos para a mudança.



"Com perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado.


Comentário: os Espíritos superiores advertem-no acerca da perseverança. Eles dizem: "É possível que não perceba, de pronto, o alcance desta obra, mas o futuro lhe dará a resposta".



"Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz."


Comentário: os Espíritos de luz invocam a humildade e o desinteresse, repudiando o orgulho e a ambição, pois quando o ser humano vale-se da religião para atingir os seus interesses materiais e pessoais, põe por terra a sua ética. É por isso que a humildade é o fundamento de todas as virtudes. Somente ela pode nos fornecer condições de conhecer a nossa própria potencialidade.



São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg etc.


Comentário: os Espíritos, após o desencarne, não pertencem necessariamente a uma religião dogmática. Por isso, vendo as coisas com mais clareza, percebem a verdade com mais acuidade.


CONCLUSÃO


Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, fugiu do ESPÍRITO DE SISTEMA. O espírito de sistema é obedecer à ideia de um filósofo, de um religioso, de um determinado pensador. Sabemos que todos eles, por mais apoio que tenham recebido dos Espíritos de luz, são limitados. Quanto à Doutrina Espírita, que é obra de diversos Espíritos e diversos médiuns espalhados por todo o mundo, podemos ter certeza da impessoalidade das ideias veiculadas.

Estas foram as orientações dadas a Allan Kardec para que o edifício doutrinário fosse construído sobre um arcabouço firme, tanto teórico quanto prático. Deduz-se que, se a base é sólida, todo o conhecimento posterior pode lhe ser acrescentado, sem ruí-la, mas fortificando-a.

São Paulo, 24 de abril de 2009

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