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segunda-feira, 3 de março de 2014

Peixotinho

Dentre os grandes vultos da doutrina espírita de nosso país, temos que inscrever o nome de Francisco Peixoto Lins, o “Peixotinho”, notável médium de efeitos físicos, considerado o maior médium de materializações do Brasil. 

Nasceu em Pacatuba, no Ceará, em 01 de fevereiro de 1905, e desencarnou em Campos, no Rio de Janeiro, em 16 de junho de 1966.

Teve uma infância cheia de dificuldades pois, tendo perdido os pais muito novo, foi criado por seus tios.

O desejo de seus tios era vê-lo seguir a carreira eclesiástica. Matricularam-no no seminário onde Peixotinho teve várias punições disciplinares por “ousar” contestar os dogmas da Igreja, uma vez que ele não entendia a razão de tantas diversidades. Se somos todos filhos de Deus, quais as razões de uns nascerem sadios perfeitos e outros doentes e deformados?.

Na primeira fase de sua vida teve que conviver com os primeiros indícios de uma mediunidade extraordinária que muito o debilitou por desconhecer tais fenômenos, e no seu convívio ninguém estava preparado para ajudá-lo. 

Foi acometido de catalepsia e dado como morto pelos próprios familiares que quase o sepultaram vivo. Nesta ocasião um vizinho bondoso o levou até um Centro Espírita e, em menos de um mês, apresentou melhoras sensíveis. Neste Centro trabalhava o grande tribuno espírita Viana de Carvalho, que lhe falou da reencarnação e das leis imutáveis de nosso Pai Maior.

No livro “Personagens do Espiritismo”, seus autores Antonio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy apontam  a fase obsessiva porque passou Peixotinho como sua “Estrada de Damasco”, onde descobriu a incomensurável bondade de Deus e  a oportunidade dada a todos na caminhada  rumo à redenção espiritual.

Pobre na verdadeira acepção do termo, Peixotinho jamais admitiu tirar o mais insignificante proveito pessoal em decorrência de suas faculdades, impondo-se a esse respeito rigorosa conduta, modelo a ser seguido dentro da Doutrina, dando de graça o que de graça se recebe. As faculdades mediúnicas não são bens disponíveis e negociáveis.

A gama de faculdades mediúnicas de Peixotinho era das mais variadas, mas, a que despertava maior atenção, eram os fenômenos de materializações, dos quais apontaremos apenas alguns.

Os transportes de pedras e de cristais eram comuns. Incomum era a origem das pedras. Umas eram de algum lugar do Oceano Pacífico; outras do Paraguai, Inglaterra  e outras do Mar Morto. Algumas destas pedras estavam impregnadas de perfumes e de odores totalmente desconhecidos, porém, agradáveis ao olfato. O fenômeno do transporte de pedras tem o nome técnico de aporte, e é muito raro.

Muitos dos objetos materializados nas sessões em que Peixotinho participava estão no Museu Allan Kardec, no município de Campos. Alem dos objetos já citados, no museu também podem ser vistos fotos e cartas que Chico Xavier enviava ao médium.
Nas sessões aconteciam assistências espirituais e, por vezes, até cirurgias, além de muito estudo da codificação e das obras espíritas.

Além das materializações de pedras e cristais, havia a moldagem de mãos, pés e rostos em parafina, dos espíritos que ali se materializavam. Em algumas sessões aconteceram fenômenos de escrita direta de espírito no papel, não havendo nem caneta e nem lápis junto ao mesmo.

A irmã Scheila materializou-se em uma das reuniões e deixou escrito determinado Hino, de trás para frente e, que só pode ser lido do lado inverso ou ante um espelho. 

Recebeu mensagens em Japonês sendo umas escritas no idioma clássico ou hiraganá e outra no dialeto popular chamado tacaná. Estas explicações foram dadas pelo Espírito Tongo, que se materializou em uma sessão e deu as explicações, em vista da dificuldade que teve uma professora de Japonês, para fazer a tradução.

Com Peixotinho aconteciam coisas realmente extraordinárias. Uma das mais interessantes aconteceu em uma reunião onde, ao psicografar com uma mão, dava mensagem de caráter científico, e com a outra de teor filosófico, enquanto transmitia uma mensagem psicofônica ou seja, três espíritos se comunicando ao mesmo tempo, pelo mesmo médium.

Pesquisando a vida e a obra de Peixotinho, podemos constatar que ele contribuiu sobremaneira para a difusão e comprovação da parte fenomênica do espiritismo. A comprovação daquela vida dinâmica do espírito que era revelada nos livros, sobretudo de André Luiz, tinha tantas semelhanças com os fenômenos produzidos por Peixotinho, que nos deixa a impressão que as revelações feitas através de Chico Xavier; a referência feita aos fenômenos de efeitos físicos, sobretudo das materializações, tem como exemplo algumas das reuniões de Peixotinho, tal a similaridade dos fatos, como se pode ver no livro “Missionários da Luz”.

Uma das maiores contribuições de Peixotinho para com o movimento espírita foi o papel que ele desempenhou na consolidação da utilização da Homeopatia. Hoje a Homeopatia já foi admitida nos meios acadêmicos e no tratamento da moderna medicina, liberando os espíritos das prescrições posto que os médicos homeopatas estão para atender e receitar os remédios homeopáticos.

A vida mediúnica deste valoroso médium é a constatação definitiva que as verdades e os fenômenos espíritas podem ser comprovados cientificamente. Já passamos da fase das comprovações, cabendo-nos, agora, o estudo, o aprendizado e a efetiva aplicação dos princípios da doutrina Espírita e, em especial, a caridade que ele tão bem soube praticar.
Jose Carlos Branco
 

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