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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Estudo sobre a Natureza do Cristo

Autor: Allan Kardec

I - Fonte das provas da natureza do Cristo

A questão da natureza do Cristo foi debatida 
desde os primeiros séculos do Cristianismo, e 
pode-se dizer que não está ainda resolvida, uma 
vez que ainda é discutida em nossos dias. Foi a 
diferença de opinião sobre este ponto, que deu 
nascimento à maioria das seitas que dividiram a 
Igreja há dezoito séculos, e é notável que todos 
os chefes dessas seitas foram bispos ou 
membros do clero com diversos títulos. Por 
consegüinte, eram homens esclarecidos, a 
maioria escritores de talento, nutridos na ciência 
teosófica, que não achavam concludentes as 
razões evocadas em favor do dogma da 
divindade do Cristo; não obstante, então como 
hoje, as opiniões se formaram sobre abstrações, 
mais do que sobre fatos, procurou-se, 
sobretudo, o que o dogma poderia ter de 
plausível ou de irracional, e, geralmente, se 
negligenciou, de parte a parte, em fazer ressaltar 
os fatos que poderiam lançar, sobre a questão, 
uma luz decisiva.

Mas onde encontrar esses fatos se isso não for 
nos atos e nas palavras de Jesus?

Jesus, nada tendo escrito, seus únicos 
historiadores foram os apóstolos que, eles não 
mais, nada escreveram quando vivos; não tendo 
nenhuma história profana contemporânea falado 
dele, não existe sobre a sua vida e a sua 
doutrina, nenhum outro documento senão os 
Evangelhos; portanto, é ali somente que é 
necessário procurar a chave do problema. Todos 
os escritos posteriores, sem disso excetuar os de 
São Paulo, não são, e não podem ser, senão 
comentários ou apreciações, reflexo de opiniões 
pessoais, freqüentemente contraditórias, que não 
poderiam, em nenhum caso, ter a autoridade do 
relato daqueles que receberam as instruções 
diretamente do Mestre.

Sobre essa questão, como sobre as de todos os 
dogmas em geral, o acordo dos Pais da Igreja, e 
outros escritores sacros, não poderia ser evocado 
como argumento preponderante, nem como uma 
prova irrecusável em favor de sua opinião, tendo 
em vista que nenhum deles pôde citar um único 
fato, fora do Evangelho, concernente a Jesus, 
nenhum deles descobriu documentos novos 
desconhecidos de seus predecessores.

Os autores sacros não puderam senão voltar 
sobre o mesmo círculo, dar a sua apreciação 
pessoal, tirar conseqüências de seu ponto de 
vista, comentar sob novas formas, e com mais ou 
menos desenvolvimento, as opiniões 
contraditórias. Todos os do mesmo partido 
deveram escrever no mesmo sentido, se não nos 
mesmos termos, sob pena de serem declarados 
heréticos, como o foram Orígenes e tantos 
outros. Naturalmente, a Igreja não colocou, entre 
seus Pais, senão os escritores ortodoxos do seu 
ponto de vista; ela não exaltou, santificou e 
colecionou senão aqueles que tomaram a sua 
defesa, ao passo que rejeitou os outros e 
destruiu os seus escritos tanto quanto possível. 
O acordo entre os Pais da Igreja, portanto, nada 
tem de concludente, uma vez que é uma 
unanimidade de escolha formada pela eliminação 
dos elementos contrários. Se se leva em 
consideração tudo o que foi escrito pró e contra, 
não se sabe muito de que lado penderia a 
balança.

Isso nada tira ao mérito pessoal dos 
sustentadores da ortodoxia, nem ao seu valor 
como escritores e homens conscienciosos; foram 
os advogados de uma mesma causa, que 
defenderam com incontestável talento, e 
deveriam, forçosamente, chegar às mesmas 
conclusões. Longe de querer denegri-los, em 
que quer que seja, quisemos simplesmente 
refutar o valor das conseqüências que se 
pretende tirar de seu acordo.

No exame que vamos fazer, da questão da 
divindade do Cristo, pondo de lado as sutilezas 
da escolástica que não serviram senão para 
embrulhar em lugar de elucidar, nos apoiaremos 
exclusivamente sobre os fatos que ressaltam do 
texto do Evangelho, e que, examinados 
friamente, conscienciosamente, sem idéia 
preconcebida, fornecem superabundantemente 
todos os meios de convicção que se possam 
desejar. Ora, entre esses fatos, não há de mais 
preponderante, nem de mais concludentes, 
senão as palavras mesmas do Cristo, palavras 
que não se saberia recusar sem infirmar a 
veracidade dos apóstolos. Pode-se interpretar de 
diferentes maneiras uma palavra, uma alegoria; 
mas afirmações precisas, sem ambigüidade, cem 
vezes repetidas, não poderiam ter um duplo 
sentido. Nenhum outro, senão Jesus, pode 
pretender saber melhor do que ele o que quis 
dizer, como ninguém pode pretender estar 
melhor informado do que ele sobre a sua própria 
natureza: quando ele comenta as suas palavras, e 
as explica, para evitar todo equívoco, deve-se 
confiar nele, a menos lhe neguemos a 
superioridade que se lhe atribui, e substituamos 
a sua própria inteligência. Se foi obscuro em 
certos pontos, quando se serviu de linguagem 
figurada, sobre o que toca à sua pessoa não há 
equívoco possível. Antes do exame das palavras, 
vejamos os atos.

II. - A divindade do Cristo está provada pelos 
milagres?

Segundo a Igreja, a divindade do Cristo está 
estabelecida, principalmente pelos milagres, 
como testemunho de um poder sobrenatural. 
Esta consideração pôde ter um certo peso numa 
época em que o maravilhoso era aceito sem 
exame; mas hoje, que a ciência levou as suas 
investigações até as leis da Natureza, os milagres 
encontram mais incrédulos do que crentes; e o 
que não contribuiu pouco para o seu descrédito, 
foi o abuso das imitações fraudulentas e a 
exploração que deles se fez. A fé nos milagres 
foi destruída pelo próprio uso que dela se fez; 
disso resultou que os do Evangelho são agora 
considerados, por muitas pessoas, como 
puramente legendários.

A Igreja, aliás, ela mesma, retira aos milagres 
toda a sua importância, como prova da divindade 
do Cristo, declarando que o demônio também 
pode fazê-los tão prodigiosos quanto ele: 
porque se o demônio tem um tal poder, fica 
evidente que os fatos desse gênero não têm, de 
nenhum modo, um caráter exclusivamente 
divino; se ele pode fazer coisas admiráveis para 
seduzir mesmo os eleitos, como simples mortais 
poderiam distinguir os bons milagres dos maus, 
e não há a temer que, vendo fatos similares, não 
confundam Deus e Satanás?

Dar a Jesus um tal rival em habilidade era uma 
grande falta de jeito; mas, pelo que respeita a 
contradições e inconseqüências, não eram 
olhadas de tão perto em uma época em que os 
fiéis ter-se-iam feito um caso de consciência em 
pensar por eles mesmos, e de discutir o menor 
artigo imposto à sua crença; então, não se 
contava com o progresso e não se pensava que o 
reino da fé cega e ingênua, reino cômodo como o 
do bel prazer, pudesse ter um termo. O papel, 
tão preponderante que a Igreja se obstinou em 
dar ao demônio, teve conseqüências desastrosas 
para a fé, à medida que os homens se sentiram 
capazes de ver pelos próprios olhos. O demônio, 
que se explorou com sucesso durante um tempo, 
tornou-se o machado posto ao velho edifício das 
crenças, e uma das principais causas da 
incredulidade; pode-se dizer que a Igreja, se 
fazendo dele um auxiliar indispensável, 
alimentou em seu seio aquele que deveria virar-
se contra ela e miná-la em seus fundamentos.

Uma outra consideração não menos grave, é que 
os fatos miraculosos não são o privilégio 
exclusivo da religião cristã: não há, com efeito, 
uma religião idólatra ou pagã, que não teve os 
seus milagres, tão maravilhosos e tão autênticos, 
para os adeptos, quanto os do cristianismo. A 
Igreja se tirou o direito de constatá-los, 
atribuindo às potências infernais o poder de 
produzi-los.

O caráter essencial do milagre, no sentido 
teológico, é ser uma exceção nas leis da 
Natureza, e, por consegüinte, inexplicável por 
essas mesmas leis. Desde o instante que um fato 
pode se explicar, e que se ligue a uma causa 
conhecida, cessa de ser milagre. Assim é que as 
descobertas da ciência fizeram entrar no domínio 
do natural, certos efeitos qualificados de 
prodígios enquanto a causa ficou ignorada. Mais 
tarde, o conhecimento do princípio espiritual, da 
ação dos fluidos sobre a economia, do mundo 
invisível no meio do qual vivemos, das 
faculdades da alma, da existência e das 
propriedades do perispírito, deu a chave dos 
fenômenos de ordem psíquica, e provou que não 
são, não mais do que os outros, derrogações às 
leis da Natureza, mas que, ao contrário, delas 
são aplicações freqüentes. Todos os efeitos de 
magnetismo, de sonambulismo, de êxtase, de 
dupla vista, de hipnotismo, de catalepsia, de 
anestesia, de transmissão do pensamento, de 
presciência, de curas instantâneas, de 
possessões, de obsessões, de aparições e de 
transfigurações, etc., que constituem a quase 
totalidade dos milagres do Evangelho, pertencem 
a essa categoria de fenômenos.

Sabe-se agora que esses efeitos são o resultado 
de aptidões e de disposições fisiológicas 
especiais; que se produziram em todos os 
tempos, entre todos os povos, e puderam ser 
considerados como sobrenaturais sob o mesmo 
título de todos aqueles cuja causa era 
incompreendida. Isso explica por que todas as 
religiões tiveram os seus milagres, que não são 
outros senão os fatos naturais, mas quase 
sempre amplificados ao absurdo pela 
credulidade, a ignorância e a superstição, e que 
os conhecimentos atuais reduziram ao seu justo 
valor, permitindo levá-los em conta de lenda.

A possibilidade da maioria dos fatos que o 
Evangelho cita como tendo sido realizados por 
Jesus, está hoje completamente demonstrada 
pelo Magnetismo e pelo Espiritismo, enquanto 
fenômenos naturais. Uma vez que se produzem 
sob os nossos olhos, seja espontaneamente, seja 
por provocação, não há nada de anormal em que 
Jesus possuísse faculdades idênticas às de 
nossos magnetizadores, curadores, sonâmbulos, 
videntes, médiuns, etc. Desde o instante que 
essas mesmas faculdades se encontram, em 
diferentes graus, numa multidão de indivíduos 
que nada têm de divino, que são encontradas 
mesmo entre os heréticos e os idólatras, elas não 
implicam, em nada, uma natureza sobre-
humana.

Se Jesus qualificava, ele mesmo, os seus atos de 
milagres, é que nisso, como em muitas outras 
coisas, devia apropriar a sua linguagem aos 
conhecimentos de seus contemporâneos; como 
estes poderiam aprender uma nuança de palavra 
que não é ainda compreendida por todo o 
mundo? Para o vulgo, as coisas extraordinárias 
que ele fazia, e que pareciam sobrenaturais, 
naquele tempo e mesmo muito mais tarde, eram 
milagres; não podia dar-lhe um outro nome. Um 
fato digno de nota é que deles se serviu para 
afirmar a missão que tinha de Deus, segundo as 
suas próprias expressões, mas disso jamais se 
prevaleceu para se atribuir o poder divino (1).

(1) Para o desenvolvimento completo da questão 
dos milagres, ver A Gênese segundo o 
Espiritismo, capítulos XIII e seguintes, onde são 
explicados, pelas leis naturais, todos os milagres 
do Evangelho.

É necessário, pois, riscar os milagres das provas 
sobre as quais se pretende fundar a divindade da 
pessoa do Cristo; vejamos agora se as 
encontramos em suas palavras.

III. - Divindade de Jesus está provada pelas suas 
palavras?

Dirigindo-se aos discípulos, que entraram em 
disputa, para saber qual dentre eles era o maior; 
e lhes disse pegando uma criança e colocando-a 
junto a si:

"Quem me recebe, recebe aquele que me enviou; 
porque aquele que é o menor entre vós, é o 
maior." (São Lucas, cap. IX, v. 48.)

"Quem recebe em meu nome uma criancinha 
como esta, me recebe, e quem me recebe, não 
recebe só a mim, mas recebe aquele que me 
enviou." (São Marcos, cap. IX, v. 36.)

"Jesus lhes disse, pois: "Se Deus fosse o vosso 
Pai, me amaríeis, porque foi de Deus que eu saí, 
e que é de sua parte que vim; porque não vim 
por mim mesmo, mas foi ele quem me enviou." 
(São João, cap. VIII, v. 42.)

"Jesus lhes disse, pois: "Estou ainda convosco por 
um pouco de tempo, e em seguida vou para 
aquele que me enviou." (São João, cap. VII, v. 33.)

"Aquele que vos escuta me escuta; aquele que 
vos despreza me despreza, e quem me despreza, 
despreza aquele que me enviou." (São João, cap. 
X, v. 16.)

O dogma da divindade de Jesus está fundado 
sobre a igualdade absoluta entre a sua pessoa e 
Deus, uma vez que é o próprio Deus: é um artigo 
de fé; ora, estas palavras, tão freqüentemente 
repetidas por Jesus: Aquele que me enviou, 
testemunham não somente quanto a dualidade 
das pessoas, mas, ainda, como dissemos, 
excluem a igualdade absoluta entre elas; porque 
aquele que é enviado, necessariamente, está 
subordinado àquele que envia; obedecendo, faz 
ato de submissão. Um embaixador, falando de 
seu soberano, dirá: Meu senhor, aquele que me 
enviou; mas se é o soberano em pessoa que vem, 
ele falará em seu próprio nome e não dirá: 
Aquele que me enviou, porque não se pode 
enviar a si mesmo. Jesus o disse, em termos 
categóricos por estas palavras: eu não vim por 
mim mesmo, mas foi ele quem me enviou.

Estas palavras: Aquele que me despreza, 
despreza aquele que me enviou, não implicam, 
de nenhum modo, a igualdade e ainda menos a 
identidade; em todos os tempos, o insulto feito a 
um embaixador era considerado como feito ao 
próprio soberano. Os apóstolos tinham a palavra 
de Jesus, como Jesus tinha a de Deus; quando 
lhes disse: Aquele que vos escuta me escuta, não 
entendia dizer que seus apóstolos e ele não 
faziam senão uma única e mesma pessoa, igual 
em todas as coisas.

A dualidade de pessoas, assim como o estado 
secundário e subordinado de Jesus, com relação 
a Deus, ressaltam, além disso, sem equívoco, das 
passagens seguintes:

"Fostes vós que permanecestes sempre firmes 
comigo nas minhas tentações. – Por isso eu vos 
preparo o Reino, como meu pai mo preparou, – a 
fim de que comais e bebais à minha mesa no 
meu reino, e que vos senteis sobre os tronos 
para julgar as doze tribos de Israel." (São Lucas, 
cap. XXII, v. 28, 29 e 30.)

"Por mim eu digo o que vi na casa de meu Pai, 
fazeis vós o que vistes na casa de vosso pai." 
(São João, cap. VIII, v. 38.)

"Ao mesmo tempo apareceu uma nuvem que os 
cobriu, e saiu dessa nuvem uma voz que fez 
ouvir estas palavras: Este é meu filho bem-
amado; escutai-o." (Transfigur. São Marcos, cap. 
IX, v. 6.)

"Ora, quando o filho do homem vier em sua 
majestade, acompanhado de todos os anjos, 
sentar-se-á sobre o trono de sua glória; – e 
todas as nações estando reunidas, separará umas 
das outras, como o pastor separa as ovelhas dos 
bodes, – e colocará as ovelhas à sua direita e os 
bodes à sua esquerda. – Então, o Rei dirá àqueles 
que estarão à sua direita: Vinde, vós que fostes 
abençoados por meu Pai, possuir o reino que vos 
foi preparado desde o começo do mundo." (São 
Mateus, cap. XXV, v. 31 a 34.)

"Quem me confessar e me reconhecer diante dos 
homens, eu o reconhecerei e o confessarei 
também diante de meu pai que está nos céus; – e 
quem me renunciar diante dos homens, eu o 
renunciarei também, eu mesmo, diante de meu 
pai que está nos céus." (São Mateus, cap. X, v. 
32, 33.)

"Ora, eu vos declaro que quem me confessar e 
me reconhecer diante dos homens, o filho do 
homem o reconhecerá também diante dos anjos 
de Deus; mas se alguém me renunciar diante dos 
homens, eu o renunciarei também diante dos 
anjos de Deus." (São Lucas, cap. XII, v. 8, 9.)

"Mas se alguém se envergonhar de mim e de 
minhas palavras, o filho do homem se 
envergonhará também dele, quando vier em sua 
glória e na de seu pai e dos santos anjos." (São 
Lucas, cap. IX, v. 26.)

Nestas duas últimas passagens, Jesus parecia 
mesmo colocar acima dele os santos anjos, 
compondo o tribunal celeste, diante do qual seria 
o defensor dos bons e o acusador dos maus.

"Mas por aquilo que é de estar sentado à minha 
direita ou à minha esquerda, não é a mim, de 
nenhum modo, que cabe vo-lo dar, mas será por 
aquele a quem meu Pai preparou." (São Mateus, 
cap. XX, v. 23.)

"Ora, os Fariseus estando reunidos, Jesus lhes fez 
esta pergunta – e lhes disse: "Que vos parece do 
Cristo? De quem é filho? Eles lhe responderam: 
De David. – E como, pois, lhes disse, David 
chama-o em espírito o seu Senhor com estas 
palavras: O Senhor disse ao meu Senhor: Sentai-
vos à minha direita até que reduza os vossos 
inimigos a vos servir de escabelo? Se, pois, David 
chama-o seu Senhor, como é seu filho? "(São 
Mateus, cap. XXII, v. 41 a 45.)

"Mas Jesus, ensinando no templo, lhes disse: 
Como os escribas dizem que o Cristo é o filho de 
David, – uma vez que David, ele mesmo, disse ao 
meu Senhor: Sentai-vos à minha direita até que 
haja reduzido vossos inimigos a vos servir de 
escabelo? – Depois, portanto, que David o chama, 
ele mesmo, seu senhor, como é seu filho? "(São 
Marcos, cap. XII, v. 35, 36, 37. – São Lucas, cap. 
XX, v. 41 a 44.)

Jesus consagra, com estas palavras, o princípio 
da diferença hierárquica que existe entre o Pai e 
o Filho. Jesus podia ser o filho de David por 
filiação corpórea, e como descendente de sua 
raça, foi porque teve o cuidado de ajuntar: 
"Como o chama em espírito, seu senhor? " Se há 
uma diferença hierárquica entre o pai e o filho; 
Jesus, como filho de Deus, não pode ser o igual 
de Deus.

Jesus confirma essa interpretação e reconhece 
sua inferioridade em relação a Deus, em termos 
que não deixam equívoco possível:

"Ouvistes o que vos disse:" Eu me vou, e volto a 
vós. Se me amais, vos alegrareis de que vou para 
meu Pai, porque meu Pai É MAIOR DO QUE EU." 
(São João, cap. XIV, v. 28).

"Então um jovem se aproxima e lhe diz: Bom 
mestre, que bem é necessário que eu faça para 
adquirir a vida eterna? – Jesus lhe respondeu: 
"Por que me chamais bom? Não há senão Deus 
que seja bom. Se quereis entrar na vida, guardai 
os mandamentos." (São Mateus, cap. XIX, v. 16, 
17. – São Marcos, cap. X, v. 17, 18, – São Lucas, 
cap. XVIII, v. 18, 19.)

Não somente Jesus não se deu, em nenhuma 
circunstância, por ser o igual de Deus, mas aqui 
ele afirma positivamente o contrário, considera-
se como inferior em bondade; ora, declarar que 
Deus está acima dele pelo poder e suas 
qualidades morais, é dizer que ele mesmo não é 
Deus. As passagens seguintes vêm em apoio 
destas, e são também explícitas.

"Não falei, de nenhum modo, de mim mesmo; 
mas meu Pai, que me enviou, foi quem me 
prescreveu, por seu poder, o que devo dizer, e 
como devo falar; – e eu sei que o seu poder é a 
vida eterna; o que eu digo, pois, o digo segundo 
o que meu Pai mo ordenou." (São João, cap. XII, 
v. 49, 50.)

"Jesus lhes respondeu: "Minha doutrina não é 
minha doutrina, mas a doutrina daquele que me 
enviou. – Se alguém quer fazer a vontade de 
Deus, reconhecerá se a minha doutrina é dele, ou 
se falo de mim mesmo. – Aquele que fala de seu 
próprio movimento procura sua própria glória, 
mas aquele que procura a glória de quem o 
enviou é verídico, e nele, de nenhum modo, há 
injustiça." (São João, cap. VII, v. 16, 17, 18.)

"Aquele que não me ama nada, não guarda, 
minha palavra; e a palavra que ouvistes não foi a 
minha palavra em nada, mas a de meu Pai que 
me enviou.’ (São João, cap. XIV, v. 24.)

"Não credes que estou em meu Pai e que meu Pai 
está em mim? O que vos digo, não vo-lo digo por 
mim mesmo; mas meu Pai, que mora em mim 
faz, ele mesmo, as obras que eu faço." (São João, 
cap. XIV, v. 10.)

"O céu e a Terra passarão, mas as minhas 
palavras não passarão. – Pelo que é do dia e da 
hora, o homem não o saiba, não, nem mesmo os 
anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas 
somente o Pai. "(São Marcos, cap. XIII. v. 32. – 
São Mateus, cap. XXIV v. 35, 36.) .

"Jesus lhes disse, pois: "Quando houverdes 
levantado ao alto o filho do homem, então 
conhecereis o que sou, porque eu não faço nada 
de mim mesmo, não digo senão o que meu Pai 
me ensinou; e aquele que me enviou está 
comigo, e de modo nenhum me deixou só, 
porque faço sempre o que lhe é agradável." (São 
João, cap. VIII, v. 28, 29.)

"Desci do céu não para fazer a minha vontade, 
mas para fazer a vontade daquele que me 
enviou." (São João, cap. VI, v. 38.)

Não posso nada fazer de mim mesmo. Julgo 
segundo o que entendo, e meu julgamento é 
justo porque não procuro minha vontade, mas a 
vontade daquele que me enviou." (São João, cap. 
V, v. 30.)

"Mas, por mim, tenho um testemunho maior do 
que o de João, porque as obras que meu Pai me 
deu o poder de fazer, as obras, digo eu, que 
faço, dão testemunho de mim, que foi meu Pai 
que me enviou." (São João, cap. V, v. 36.)

"Mas agora procurais me fazer morrer, eu que 
vos disse a verdade que aprendi de Deus, foi o 
que Abraão nunca fez." (São João, cap. VIII, v. 
40.)

Desde então, que ele não disse nada de si 
mesmo; que a doutrina que ensinou não é a sua, 
mas que a tem de Deus, que lhe ordenou vir 
fazê-la conhecer; que não faz senão o que Deus 
lhe deu o poder de fazer; que a verdade que 
ensina, ele aprendeu de Deus, à vontade de 
quem está submetido; é que não é o próprio 
Deus, mas seu enviado, seu messias e seu 
subordinado.

É impossível recusar, de maneira mais positiva, 
toda assimilação à pessoa de Deus, e de 
determinar seu principal papel em termos mais 
precisos. Não estão aí pensamentos ocultos sob 
o véu da alegoria, e que não se descobrem senão 
à força de interpretação: é o sentido próprio, 
expresso sem ambigüidade.

Se se objetasse que Deus, não querendo se fazer 
conhecer na pessoa de Jesus, enganasse sobre a 
sua individualidade, poder-se-ia perguntar sobre 
o quê está fundada essa opinião, e quem tem 
autoridade para sondar o fundo de seu 
pensamento, e dar, às suas palavras, um sentido 
contrário àquele que elas exprimem? Uma vez 
que, quando vivo, ninguém o considerava como 
Deus, mas era olhado, ao contrário, como um 
messias, se não quisesse ser conhecido pelo que 
era, bastar-lhe-ia nada dizer; de sua afirmação 
espontânea é preciso concluir que ele não era 
Deus, ou que, se o era, voluntariamente e sem 
utilidade, disse uma coisa falsa.

É de notar-se que São João, aquele dos 
Evangelistas sobre a autoridade de quem mais se 
apoiou para estabelecer o dogma da divindade 
do Cristo, seja precisamente o que encerra os 
argumentos contrários mais numerosos e os 
mais positivos; pode-se disso convencer pela 
leitura das passagens seguintes, que não 
acrescentam nada, é verdade, às provas já 
citadas, mas vêm em seu apoio, porque delas 
ressaltam evidentemente a dualidade e a 
desigualdade das pessoas.

"Por causa disso, os Judeus perseguiam Jesus e 
procuravam fazê-lo morrer, porque fizera essas 
coisas no Sábado. – Mas Jesus lhes disse: Meu pai 
age até o presente, e eu ajo também. (São João, 
cap. V, v. 16, 17.)

"Porque o Pai não julga ninguém; mas dá todo 
poder de julgar ao Filho, – a fim de que todos 
honrem o Filho, como honram o Pai. Aquele que 
não honra em nada o Filho, não honra em nada o 
Pai que o enviou.

Em verdade, em verdade vos digo, aquele que 
ouve a minha palavra, e que crê naquele que me 
enviou, tem a vida eterna, e não cai, na 
condenação; mas já passou da morte à vida."

"Em verdade, em verdade vos digo, a hora vem, e 
ela já veio, em que os mortos ouvirão a voz do 
Filho de Deus, e aqueles que ouvirão, viverão; 
porque como o Pai tem a vida em si mesmo, 
também deu ao Filho ter a vida nele mesmo, – e 
lhe deu o poder de julgar, porque é o Filho do 
homem. "(São João, cap. V, v. 22 a 27.)

"E o Pai que me enviou, ele mesmo, tem dado 
testemunho de mim. Jamais ouvistes a sua voz, 
nem vistes a sua face. E sua palavra não 
permanecerá em vós, porque não credes naquele 
que ele enviou." (São João, cap. V, v. 37,38.)

"E quando eu julgar, o meu julgamento será 
digno de fé, porque não estou só; mas meu Pai, 
que me enviou, está comigo." (São João, cap. VIII, 
v. 16.)

Jesus, tendo dito essas coisas, levou os olhos ao 
céu e disse: "Meu Pai, a hora é chegada; glorificai 
vosso Filho, a fim de que vosso Filho vos 
glorifique. – Como lhe deste poder sobre todos 
os homens, a fim de que dê a vida eterna a todos 
aqueles que lhe destes. – Ora, a vida eterna 
consiste em vos conhecer, a vós que sois O 
ÚNICO DEUS verdadeiro, e a Jesus Cristo que 
enviastes.

"Eu vos glorifiquei sobre a Terra; acabei a obra 
da qual me encarregastes. – E vós, meu Pai, 
glorificai-me, pois, agora em vós mesmos, dessa 
glória que tive em vós antes que o mundo fosse.

"Logo eu não estarei mais no mundo; mas, por 
eles, estão ainda no mundo, e eu dele retorno a 
vós. Pai santo, conservai em vosso nome aqueles 
que me destes, a fim de que sejam um como 
nós."

"Eu lhes dei vossa palavra, e o mundo os odiou, 
porque não são em nada do mundo, como eu, 
não sou, eu mesmo, do mundo."

"Santificai-os na verdade. A vossa palavra é a 
própria verdade. – Assim como vós me enviastes 
ao mundo, eu também os enviei ao mundo, – e 
eu me santifico, a mim mesmo, por eles, a fim de 
que sejam também santificados na verdade. "

"Eu não peço por eles somente, mas ainda por 
aqueles que devem crer em mim pela sua 
palavra; – a fim de que estejam todos juntos, 
como vós, meu Pai, estais em mim e eu em vós; 
que eles, sejam do mesmo modo, um em nós, a 
fim de que o mundo creia que me enviastes."

"Meu Pai, desejo que lá onde estou, aqueles que 
me destes ali estejam também comigo; a fim de 
que contemplem minha glória, que me destes, 
porque me amastes antes da criação do mundo."

"Pai justo, o mundo em nada vos conheceu; mas 
eu, eu vos conheci: e estes conheceram que me 
enviastes. – Eu lhes fiz conhecer vosso nome e o 
farei conhecer ainda, a fim de que o amor, com o 
qual me amastes, esteja neles, e que eu próprio 
o esteja neles." (São João, cap. XVII, v. 1 a 5, 11 a 
14, de 17 a 26, Prece de Jesus.)

"É por isso que meu Pai me ama, porque deixo a 
minha vida para retomá-la. – Ninguém ma 
arrebata, mas sou eu que a deixo por mim 
mesmo; tenho o poder de deixá-la e tenho o 
poder de retomá-la. É o poder que recebi de meu 
Pai." (São João, cap. X, v. 17, 18.)

"Eles tiraram a pedra, e Jesus, levantando os 
olhos para o alto, disse estas palavras: Meu Pai, 
eu vos dou graça pelo que me atendestes. – Por 
mim, sabia que me atenderíeis sempre; mas digo 
isso para esse povo que me cerca, a fim de que 
creia que foi vós que me enviastes." (Morte de 
Lázaro, São João, cap. XI, v. 41, 42.)

"Eu não vos falarei muito mais, porque o príncipe 
deste mundo vai chegar, embora não tenha nada 
em mim que lhe pertença: mas a fim de que o 
mundo conheça que amo meu Pai, e que faço o 
que meu Pai me ordenou." (São João, cap. XIV, v. 
30 e 31.)

"Se guardardes meus mandamentos, 
permanecereis no meu amor, como eu mesmo 
guardei os mandamentos de meu Pai, e 
permaneço em seu amor." (São João, cap. XV, v. 
10.)

"Então Jesus, lançando uma grande exclamação, 
disse: Meu Pai, reponho minha alma em vossas 
mãos. E, pronunciando estas palavras, expirou." 
(São Lucas, cap. XXIII, v. 46.)

Uma vez que Jesus, ao morrer, repunha a sua 
alma entre as mãos de Deus, tinha, portanto, 
uma alma distinta de Deus, submissa a Deus, 
portanto, não era o próprio Deus.

As palavras seguintes dão testemunho de uma 
certa fraqueza humana, de uma aprensão da 
morte e dos sofrimentos que Jesus vai suportar, 
e que contrasta com a natureza, essencialmente 
divina, que se lhe atribui; mas elas testemunham, 
ao mesmo tempo, uma submissão que é a do 
inferior ao superior.

"Então, Jesus chegou num lugar chamado 
Getsêmani; e disse aos seus discípulos: Sentai-
vos aqui enquanto vou ali para orar. – E tendo 
tomado consigo Pedro e os dois filhos de 
Zebedeu, começou a se entristecer e a estar 
numa grande aflição. Então, lhes disse: Minha 
alma está triste até à morte; permanecei aqui e 
velai comigo. – e indo um pouco mais longe, se 
prosternou o rosto contra a terra, pedindo e 
dizendo: Meu Pai, se for possível, faça com que 
este cálice se afaste de mim; não obstante, que 
isso seja não como eu o quero, mas como o 
quereis. – Veio em seguida para os seus 
discípulos, e tendo-os encontrado dormindo, 
disse a Pedro: O quê! Não pudestes velar uma 
meia hora comigo? – Velai e orai, a fim de que 
não cairdes, na tentação. O Espírito está pronto, 
mas a carne é fraca. – Foi-se ainda orar uma 
segunda vez, dizendo: "Meu Pai, se este cálice 
não pode passar sem que eu o beba, que a vossa 
vontade seja feita." (Jesus no Jardim das 
Oliveiras. (São Mateus, cap. XXVI, v. de 36 a 42.)

"Então, lhes disse: Minha alma está triste até à 
morte; permanecei aqui e velai. – E, tendo ido um 
pouco mais longe, se prosternou contra a terra, 
pedindo que, se fosse possível, essa hora se 
afastasse dele. – E dizia: Abba, meu Pai, tudo vos 
é possível, transportai este cálice para longe de 
mim; contudo, que a vossa vontade seja feita e 
não a minha." (São Marcos, cap. XIV, v. 34, 35, 
36.)

"Quando chegou naquele lugar, lhes disse: Orai a 
fim de que não sucumbais em nada à tentação. – 
E estando longe deles em torno de um lanço de 
pedra, pôs-se de joelhos, dizendo: Meu Pai, se 
quereis, afastai este cálice de mim; contudo, que 
isso não seja minha vontade que se faça, mas a 
vossa. – Então apareceu-lhe um anjo do céu que 
veio fortificá-lo. – E, tendo caído em agonia, 
redobrou as suas preces. – E lhe veio um suor de 
gotas de sangue que corria até a terra." (São 
Lucas, cap. XXII, v. de 40 a 44.)

E na nona hora, Jesus lançou um grande grito, 
dizendo: Eli! Eli! Lamma Sabachthani? quer dizer: 
meu Deus! meu Deus! por que me abandonastes? 
(São Mateus, cap. XXVII, v. 46.)

"E na nona hora, Jesus lançou um grande grito, 
dizendo: Meu Deus! Meu Deus! Por que me 
abandonastes?" (São Marcos, cap. XX, v. 34.)

As palavras seguintes poderiam deixar alguma 
incerteza e dar lugar a crer numa identificação de 
Deus com a pessoa de Jesus; mas, além de que 
não poderia prevalecer sobre os termos precisos 
daquelas que precedem, levam ainda, nelas 
mesmas, a sua própria retificação.

"Eles lhe disseram: Que sois vós, pois? Jesus lhes 
respondeu: eu sou o princípio de todas as coisas, 
eu mesmo que vos falo. – Tenho muitas coisas a 
dizer de vós; mas aquele que me enviou é 
verdadeiro, e não digo senão o que aprendi com 
ele." (São João, cap. VII, v. 25, 26.)

"O que meu Pai me deu é maior do que todas as 
coisas; e ninguém pode arrebatá-lo da mão de 
meu Pai. Meu Pai e eu somos uma mesma coisa. "

Quer dizer, que seu pai e ele não são senão um 
pelo pensamento, uma vez que exprime o 
pensamento de Deus; que ele tem a palavra de 
Deus.

"Então, os judeus pegaram pedras para lapidá-lo. 
– e Jesus lhes disse: Fiz, diante de vós, várias 
boas obras pelo poder de meu Pai: por qual delas 
é que me lapidais? – Os judeus lhe responderam: 
Não é por nenhuma boa obra que vos lapidamos, 
mas por causa de vossa blasfêmia e porque, 
sendo homem, vos fazeis Deus. – Jesus lhes 
replicou: Não está escrito na vossa lei: Eu disse 
que sois deuses? – Se, pois, ela chama deuses 
àqueles a quem a palavra de Deus está dirigida, e 
que as Escrituras não possam ser destruidas, – 
por que dizeis que blasfemo, eu que meu Pai 
santificou e enviou no mundo, porque eu disse 
que sou filho de Deus? – Se não faço as obras de 
meu Pai, não me creiais; mas se as faço, quando 
não queirais crer em mim, crede nas minhas 
obras, a fim de que conheçais e creiais que meu 
Pai está em mim, e eu em meu Pai." (São João, 
cap. X, v. 29 a 38.)

Num outro capítulo, dirigindo-se aos seus 
discípulos, lhes disse:

"Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai 
e vós em mim, e eu em vós." (São João, cap. XIV, 
v. 20.)

Dessas palavras, não é preciso concluir que Deus 
e Jesus não fazem senão um, de outro modo 
seria preciso concluir também, das mesmas 
palavras, que os apóstolos não fazem, 
igualmente, senão um com Deus.

IV. Palavras de Jesus depois de sua morte

"Jesus lhes respondeu: Não me toqueis, porque 
ainda não subi para o meu Pai; mas ide procurar 
os meus irmãos e lhes dizei, de minha parte: Eu 
subi para o meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e 
vosso Deus." (Aparição a Maria Madalena. São 
João, cap. XX, v. 17.)

"Mas Jesus, aproximando-se, assim lhes falou: 
Todo poder me foi dado no céu e sobre a Terra." 
(Aparição aos Apóstolos. São Mateus, cap. XXVIII, 
v. 18.)

"Ora, sois testemunhas destas coisas; – E eu vou 
enviar-vos o dom de meu Pai que vos foi 
prometido." (Aparição aos Apóstolos. São Lucas, 
cap. XXIV, v. 48, 49.)

Tudo acusa, pois, nas palavras de Jesus, seja 
quando vivo, seja depois de sua morte, uma 
dualidade de pessoas perfeitamente distintas, 
assim como o profundo sentimento de sua 
inferioridade e de sua subordinação com relação 
ao Ser supremo. Por sua insistência ao afirmar 
espontaneamente, sem ser a isso constrangido, 
nem provocado, por quem quer que seja, parece 
querer protestar de antemão contra o papel que 
ele previa que se lhe seria atribuído um dia. Se 
tivesse guardado silêncio sobre o caráter de sua 
personalidade, o campo estaria aberto para todas 
as superstições como a todos os sistemas; mas a 
precisão de sua linguagem afasta toda incerteza.

Que autoridade maior se pode encontrar do que 
as próprias palavras de Jesus? Quando diz, 
categoricamente: sou ou não sou tal coisa, quem 
ousaria se arrogar o direito de dar-lhe um 
desmentido, fosse isso para colocá-lo mais alto 
do que ele mesmo não se coloca? Quem é que, 
razoavelmente, pode pretender estar mais 
esclarecido do que ele sobre a sua própria 
natureza? Que interpretações podem prevalecer 
contra afirmações tão formais e tão multiplicadas 
como estas:

"Não vim por mim mesmo, mas aquele que me 
enviou é o único Deus verdadeiro. – É de sua 
parte que venho. – Eu digo o que vi na casa de 
meu Pai. – Não cabe a mim vo-lo dar, mas isso 
será para aqueles a quem meu Pai o preparou. – 
Eu me vou para meu Pai, porque meu Pai é maior 
do que eu. – Por que me chamais bom? Não há 
senão Deus que seja bom. – Não falo por mim 
mesmo, mas meu Pai, que me enviou, foi quem 
me prescreveu pelo seu mandamento, o que 
devo dizer. – A minha doutrina não é minha 
doutrina, mas a doutrina daquele que me enviou. 
– A palavra que ouvistes, não é a minha palavra, 
mas a do meu Pai que ma enviou. – Não faço 
nada por mim mesmo, mas não digo senão 
aquilo que meu Pai me ensinou. – Nada pude 
fazer por mim mesmo. – Eu não procuro a minha 
vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 
– Eu vos disse a verdade que aprendi de Deus. – 
Meu alimento é fazer a vontade daquele que me 
enviou. – Vós sois o único Deus verdadeiro, e 
Jesus Cristo que enviastes. – Meu Pai, reponho a 
minha alma em vossas mãos. – Meu Pai, se for 
possível, fazei com que este cálice se afaste de 
mim. – Meu Deus, meu Deus, por que me 
abandonastes? – Eu subo para o meu Pai e vosso 
Pai, para o meu Deus e vosso Deus."

Quando se lê tais palavras, pergunta-se somente 
como pôde vir ao pensamento dar-lhes um 
sentido diametralmente oposto àquele que elas 
exprimem tão claramente, conceber uma 
identificação completa de natureza e de poder 
entre o senhor e aquele que se diz seu servidor. 
Nesse grande processo, que dura há quinze 
séculos, quais são as peças de convicção? Os 
Evangelhos, – não há outras, – que, sobre o 
ponto em litígio, não dão lugar a nenhum 
equívoco. A esses documentos autênticos, que 
não se pode contestar sem se inscrever em falso 
contra a veracidade dos evangelistas e do próprio 
Jesus, documentos estabelecidos por 
testemunhos oculares, que se lhes opõem? Uma 
doutrina teórica puramente especulativa, nascida 
três séculos mais tarde de uma polêmica 
estabelecida sobre a natureza abstrata do Verbo, 
vigorosamente combatida durante vários séculos, 
e que não prevaleceu senão pela pressão de um 
poder civil absoluto.

V. Dupla natureza de Jesus

Poder-se-ia objetar que, em razão da dupla 
natureza de Jesus, suas palavras eram a 
expressão de seu sentimento como homem, e 
não como Deus. Sem examinar, neste momento, 
por qual encadeamento de circunstâncias se 
conduziu, bem mais tarde, à hipótese dessa 
dupla natureza, admitamo-la, por um instante, e 
vejamos se, em lugar de elucidar a questão, ela 
não a complica mais, ao ponto de torná-la 
insolúvel.

O que devia ser humano em Jesus era o corpo, a 
parte material; deste ponto de vista 
compreende-se que ele haja mesmo podido 
sofrer como homem. O que devia ser divino nele 
era a alma, o Espírito, o pensamento, em uma 
palavra, a parte espiritual do Ser. Se sentia e 
sofria como homem, deveria pensar e falar como 
Deus. Ele falou como homem ou como Deus? 
Está aí uma questão importante pela autoridade 
excepcional de seus ensinamentos. Se falou 
como homem, suas palavras são discutíveis; se 
falou como Deus elas são indiscutíveis; é preciso 
aceitá-las e a elas se conformar sob pena de 
deserção e de heresia; o mais ortodoxo seria 
aquele que delas se aproximasse mais.

Dir-se-á que, sob o envoltório corpóreo, Jesus 
não tinha consciência de sua natureza divina? 
Mas, se fora assim, não teria mesmo pensado 
como Deus, sua natureza divina teria ficado no 
estado latente; só a natureza humana teria 
presidido à sua missão, aos seus atos morais 
como aos seus atos materiais. É, pois, impossível 
fazer abstração de sua natureza divina durante a 
sua vida, sem enfraquecer a sua autoridade.

Mas se falou como Deus, por que esse incessante 
protesto contra a sua natureza divina que, nesse 
caso, não podia ignorar? Estaria, pois, enganado, 
o que seria pouco divino, ou teria 
conscientemente enganado o mundo, o que o 
seria ainda menos. Parece-nos difícil sair desse 
dilema.

Admitindo-se que falou ora como homem, ora 
como Deus, a questão se complica, pela 
impossibilidade de distinguir o que vinha do 
homem e o que vinha de Deus.

No caso, onde haveria tido motivos para 
dissimular a sua verdadeira natureza durante a 
sua missão, o meio mais simples era dela não 
falar, ou se exprimir como o fez em outras 
circunstâncias, de maneira vaga e parabólica, 
sobre os pontos cujo conhecimento estava 
reservado para o futuro; ora, tal não é aqui o 
caso, uma vez que as suas palavras não têm 
nenhuma ambigüidade.

Enfim, se, apesar de todas essas considerações, 
se pudesse ainda supor que, quando vivo, 
ignorou a sua verdadeira natureza, essa opinião 
não é mais admissivel depois da sua 
ressurreição; porque, quando aparece aos seus 
discípulos, não é mais o homem que fala, é o 
Espírito desligado da matéria, que deve ter 
recobrado a plenitude de suas faculdades 
espirituais e a consciência de seu estado normal, 
de sua identificação com a divindade; e, 
entretanto, é então que diz: Eu subo para o meu 
Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus!

A subordinação de Jesus é ainda indicada pela 
sua própria qualidade de mediador, que implica a 
existência de uma pessoa distinta; é ele que 
intercede junto de seu Pai; que se oferece em 
sacrifício para resgatar os pecadores; ora, se é 
Deus, ele mesmo, ou lhe era igual em todas as 
coisas, não tinha necessidade de interceder, 
porque não se intercede junto de si mesmo.

VI. Opinião dos Apóstolos

Até o presente, apoiamos-nos exclusivamente 
nas próprias palavras do Cristo, como o único 
elemento peremptório de convicção, porque fora 
disso não pode haver senão opiniões pessoais.

De todas essas opiniões, as que têm mais valor, 
incontestavelmente, são as dos apóstolos, tendo 
em vista que eles o assistiram em sua missão, e 
que, se lhes deu instruções secretas quanto à sua 
natureza, delas se encontrará traços em seus 
escritos. Tendo vivido em sua intimidade, melhor 
do que quem quer que seja, deveriam conhecê-
lo. Vejamos, pois, de que maneira o 
consideraram.

"Ó Israelitas, escutai as palavras que vou vos 
dizer: Sabeis que Jesus de Nazaré foi um homem 
que Deus tornou célebre entre vós pelas 
maravilhas, pelos prodígios e pelos milagres que 
fez por ele no vosso meio. – Entretanto, o 
crucificastes, e o fizestes morrer pelas mãos dos 
maus, tendo-o entregue por uma ordem 
expressa da vontade de Deus e por um decreto 
de sua presciência. – Mas Deus o ressuscitou, 
parando as dores do inferno, sendo impossível 
que ali fosse retido. – Porque Davi disse em seu 
nome: Tenho sempre o Senhor presente diante 
de mim, porque ele está à minha direita, a fim de 
que eu não seja abalado. – É por isso que o meu 
coração está alegre, que a minha língua cantou 
cânticos de alegria, e que mesmo a minha carne 
repousará em esperança; – porque não deixareis, 
minha alma no inferno, e que não permitis nunca 
que vosso Santo sofra a corrupção. – Vós me 
fizestes conhecer o caminho da vida, e me 
enchereis com a alegria que dá a visão do vosso 
rosto." (Atos dos Apóstolos, cap. II, v. 22 a 28. 
Pregação de São Pedro.)

"Depois, portanto, que foi elevado pelo poder de 
Deus, e que recebeu o cumprimento da promessa 
de que o Pai lhe enviara o Santo Espírito, ele 
difundiu esse Espírito Santo que vedes e 
entendeis agora; – porque Davi nunca subiu ao 
céu; – ora, ele mesmo disse: O Senhor disse ao 
meu Senhor: Sentai-vos à minha direita, até que 
eu haja reduzido os vossos inimigos a vos servir 
de escabelo. – Que toda a casa de Israel saiba, 
pois, muito certamente que Deus fez Senhor e 
Cristo esse Jesus que crucificastes." (Atos dos 
Apóstolos, capítulo II, v. de 33 a 36, Pregações 
de São Pedro.)

"Moisés disse aos nossos pais: O Senhor vosso 
Deus vos suscitará, dentre os vossos irmãos, um 
profeta como eu; escutai-o em tudo o que vos 
dirá. – Quem não escutar esse profeta será 
exterminado do meio do povo.

"Foi por vós primeiramente que Deus suscitou 
seu filho, e vo-lo enviou para vos bendizer, a fim 
de que cada um se convertesse de sua má vida." 
(Atos dos Ap., cap. III, v. 22, 23, 26. Pregação de 
São Pedro.)

"Nós vos declaramos, a todos vós e a todo povo 
de Israel, que é pelo nome de Nosso Senhor Jesus 
Cristo de Nazaré, o qual haveis crucificado, e que 
Deus ressuscitou dentre os mortos; foi por ele 
que este homem está agora curado como o vedes 
diante de vós." (Atos dos Ap., cap. IV, v. 10. 
Pregação de São Pedro.)

"Os reis da Terra foram levantados, os príncipes 
se uniram juntos contra o Senhor e contra seu 
Cristo. – Porque Herodes e Pôncio Pilatos, com os 
Gentios e o povo de Israel, verdadeiramente se 
puseram de acordo, nesta cidade, contra vosso 
santo Filho Jesus, que consagrastes pela vossa 
unção, para fazer tudo o que o vosso poder e o 
vosso conselho ordenaram dever ser feito." (Atos 
dos Ap. cap. IV, v. 26, 27, 28. Prece dos 
Apóstolos.)

"Pedro e os outros apóstolos responderam: é 
necessário antes obedecer a Deus do que aos 
homens. – O Deus de nossos Pais ressuscitou 
Jesus que fizestes morrer dependurando-o no 
madeiro. – Foi ele que Deus elevou para a sua 
direita como sendo o príncipe e o salvador, para 
dar a Israel a graça da penitência e a remissão 
dos pecados." (V. Atos dos Ap., cap. V, v. 29, 30, 
31. Respostas dos Apóstolos ao grande 
sacerdote.)

"Foi esse Moisés que disse aos filhos de Israel: 
Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um 
profeta como eu, escutai-o.

Mas o Mais Alto não habita, nos templos feitos 
pela mão dos homens, segundo esta palavra do 
profeta: – O céu é o meu trono, e a terra é o meu 
escabelo. Que casa me edificareis, disse o 
Senhor? E qual poderia ser o lugar de meu 
repouso? "(Atos dos Apóstolos, cap. VII, v. 37, 
48, 49. Discurso de Estêvão.)

"Mas Estêvão, estando cheio do Santo Espírito, e 
levantando os olhos aos céus, viu a glória de 
Deus, e Jesus que estava de pé à direita de Deus, 
e ele disse: Vejo abertos os céus, e o Filho do 
homem que está de pé à direita de Deus.

"Então, lançando grandes gritos, e tapando os 
ouvidos, lançaram-se juntos sobre ele; – e 
tendo-o arrastado fora dos muros da cidade, 
lapidaram-no; e as testemunhas depuseram as 
sua vestes aos pés de um jovem chamado Saulo 
(mais tarde São Paulo). – Assim lapidaram 
Estêvão, e invocava Jesus, e dizia: Senhor Jesus, 
recebei o meu Espírito." (Atos dos Apóstolos, 
cap. VII, v. de 55 a 58. Martírio de Estêvão)

Estas citações testemunham claramente o caráter 
que os apóstolos atribuíam a Jesus . A idéia 
exclusiva que delas ressalta é a de sua 
subordinação a Deus, da constante supremacia 
de Deus, sem que nada ali revele um pensamento 
de assimilação qualquer de natureza e de poder. 
Para eles, Jesus era um homem profeta, 
escolhido e bendito por Deus. Não foi, pois, 
entre os apóstolos que a crença na divindade de 
Jesus nasceu. São Paulo, que não conhecera 
Jesus, mas que, de ardente perseguidor se 
tornou o mais zeloso e o mais eloqüente 
discípulo da fé nova, e cujos escritos prepararam 
os primeiros formulários da religião cristã, não é 
menos explícito a esse respeito. É o mesmo 
sentimento de dois seres distintos, e da 
supremacia do Pai sobre o filho.

"Paulo, servidor de Jesus Cristo, apóstolo da 
vocação divina, escolhido e destinado para 
anunciar o evangelho de Deus, – que ele 
prometera antes, pelos seus profetas, nas 
escrituras santas, – com respeito a seu filho, que 
lhe nasceu, segundo a carne, do sangue e da 
raça de Davi; – que foi predestinado para ser 
filho de Deus, num soberano poder, segundo o 
Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os 
mortos; com respeito, disse eu, a Jesus Cristo, 
nosso Senhor; – por quem recebemos a graça do 
apostolado, para fazer obedecer, ao mesmo 
tempo, todas as nações pela virtude de seu 
nome; – na fileira das quais estais também, como 
sendo chamadas por Jesus Cristo; – a vós que 
estais em Roma, que sois queridos de Deus, e 
chamados para serem santos; que Deus, nosso 
Pai, e Jesus Cristo, nosso Senhor, vos dêem a 
graça e a paz." (Romanos, cap. I, v. 1 a 7.)

"Assim, estando justificados pela fé, tenhamos a 
paz com Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.

Pois por que, quando estávamos na languidez do 
pecado, Jesus Cristo morreu por ímpios como 
nós, no tempo destinado por Deus?

Jesus Cristo não deixou de morrer por nós no 
tempo destinado por Deus. Assim, estando agora 
justificados pelo seu sangue, seremos com mais 
forte razão livrados por ele da cólera de Deus.

E não somente fomos reconciliados, a nós, nos 
glorificamos mesmo em Deus por Jesus Cristo, 
nosso Senhor, por quem obtivemos essa 
reconciliação.

Se pelo pecado de um só vários morreram, a 
misericórdia e o dom de Deus se derramaram, 
com mais forte razão, abundantemente, sobre 
vários pela graça de um só homem, que é Jesus 
Cristo." (Romanos, cap. V, v. 1, 6, 9, 11, 15, 17.)

"Se somos filhos, somos também herdeiros; 
HERDEIROS de Deus e CO-HERDEIROS de Jesus 
Cristo, desde que, todavia, soframos com ele." 
(Romanos, cap. VIII, v. 17.)

"Se vos confessais de boca que Jesus Cristo é o 
Senhor e se credes de coração que Deus o 
ressuscitou dentre os mortos, sereis salvos." 
(Romanos, cap. X, v. 9.)

"Em seguida virá a consumação de todas as 
coisas, quando terá entregue o seu reino a Deus, 
seu Pai, e tiver destruido todo império, toda 
dominação, todo poder, – porque Jesus Cristo 
deve reinar até que seu Pai tenha posto todos os 
seus inimigos sob os pés. – Ora, a morte será o 
último inimigo que será destruído; porque as 
Escrituras disseram que Deus os pôs todos sob 
os pés e a todos sujeitou-lhe; é indubitável que 
nisso é preciso excetuar aquele que sujeitou 
todas as coisas. – Quando, pois, todas as coisas 
estiverem submetidas ao Filho, quando o Filho 
estiver, ele mesmo, submetido a aquele que lhe 
terá submetido todas as coisas, a fim de que 
Deus seja tudo em todos." (1a. aos Coríntios, 
cap. XV, v. de 24 a 28.)

"Mas veremos que Jesus, que se tornara, por um 
pouco de tempo, inferior aos anjos, foi coroado 
de glória e de honra por causa da morte que 
sofreu; Deus, em sua bondade, tendo querido 
que ele morresse por todos, – porque era bem 
digno de Deus, por quem e para quem são todas 
as coisas, que, querendo conduzir à glória vários 
filhos, consumou e aperfeiçoou pelo sofrimento, 
aquele que deveria ser o chefe e o autor de sua 
salvação.

"Assim, aquele que santifica e aqueles que são 
santificados, vêm todos de um mesmo princípio; 
é por isso que não ruboriza ao chamá-los seus 
irmãos, – dizendo: Eu anunciarei o vosso nome 
aos meus irmãos; eu cantarei os vossos louvores 
no meio da assembléia de vosso povo. – E, 
alhures, porei a minha confiança em Deus. E em 
um outro lugar: eis-me com os filhos que Deus 
me deu.

"Eis porque foi necessário que fosse em tudo 
semelhante aos seus irmãos, para ser para com 
Deus um pontífice compassivo e fiel em seu 
ministro, a fim de expiar os pecados do povo. – 
porque foi das penas e dos próprios sofrimentos, 
pelos quais foi tentado e provado, que tirou a 
virtude e a força de socorrer aqueles que, são 
também tentados." (Hebreus, cap. II, v. de 9 a 13, 
17, 18.)

"Portanto, vós meus santos irmãos, que tendes 
parte na vocação celeste, considerai Jesus, que é 
o apóstolo e o pontífice da religião que 
professamos; – que é fiel àquele que o 
estabeleceu nesse cargo, como Moisés lhe foi fiel 
em toda sua casa; – porque ele foi julgado digno 
de uma glória tanto maior do que a de Moisés, 
do que aquele que edificou a casa, e mais 
estimável do que a própria casa; porque não há 
casa que não haja sido construída por alguém. 
Ora, aquele que é o arquiteto e o criador de 
todas as coisas é Deus." (Hebreus, cap. III, v. de 1 
a 4.)

VII. Predições dos profetas concernentes a Jesus

Além das afirmações de Jesus e da opinião dos 
apóstolos, há um testemunho do qual os mais 
ortodoxos dos crentes não saberiam contestar o 
valor, uma vez que o apontam constantemente 
como artigo de fé; é o do próprio Deus; quer 
dizer, o dos profetas, falando sob a inspiração e 
anunciando a vinda do Messias. Ora, eis as 
passagens da Bíblia consideradas como a 
predição desse grande acontecimento.

"Eu o vejo, mas não agora; eu o vejo mas não de 
perto; uma estrela procede de Jacó, e um cetro se 
levanta de Israel e trespassa os chefes de Moab, 
e destruirá todos os filhos de Seth." (Números, 
XXIV, v. 17.)

"Eu lhes suscitarei um profeta, como tu, de entre 
seus irmãos, e colocarei as minhas palavras em 
sua boca, e lhes dirá ele o que eu lhe tiver 
ordenado. E ocorrerá que, quem não escutar as 
palavras que dirá em meu nome, disso lhe 
pedirei conta." (Deuteronômio. XVIII, v. 18, 19.)

"Ocorrerá, pois, quando os dias tiverem se 
cumprido para lá levar-te com teus pais que farei 
levantar a tua posteridade depois de ti, um dos 
teus filhos, e estabelecerei o seu reino, e ele me 
construirá uma casa, e afirmarei seu trono para 
sempre. Eu lhe serei pai e ele me será filho; e não 
retirarei a minha misericórdia dele, como a retirei 
daquele que foi antes de ti, e o estabelecerei em 
minha casa e em meu reino para sempre, e seu 
trono será afirmado para sempre." (I, 
Paralipômenos, XVII, v. de 11 a 14.)

"É porque o próprio Senhor vos dará um sinal. 
Eis: uma virgem ficará grávida, e ela parirá um 
filho, e será chamado seu nome Emmanuel." 
(Isaías, VII, v. 14.)

"Porque a criança nos nasceu, o Filho nos foi 
dado, e o poder foi posto sobre o seu ombro, e 
se chamará seu nome o Admirável, o 
Conselheiro, o Deus forte, o Poderoso, o Pai da 
eternidade, o Príncipe da paz." (Isaías, IX, v. 5)

"Eis meu servidor, eu o sustentarei; é o meu 
eleito, minha alma nele colocou sua afeição; 
coloquei o meu Espírito sobre ele; ele exercerá a 
justiça entre as nações.

"Não se retirará nunca, nem se precipitará nunca, 
até que haja estabelecido a justiça sobre a Terra, 
e os seres se detiverem à sua lei." (Isaias, XLII, v. 
1 e 4.)

"Ele gozará do trabalho de sua alma, e nisso será 
saciado; e meu servidor justo nisso justificará 
vários, pelo conhecimento que terão dele e ele 
mesmo levará suas iniqüidades." (Isaías, LIII, v. 
11.)

"Rejubila-te extremamente, filha de Sião; lance 
gritos de alegria, filha de Jerusalém! Eis: teu rei 
virá a ti, justo e salvador humilde, e montará 
sobre um asno, e sobre o potro de uma jumenta. 
E proibirei os carros de guerra de Efraim, e os 
cavalos de Jerusalém, e o arco do combate será 
também proibido e teu rei falará de paz às 
nações; e seu domínio se estenderá desde um 
mar ao outro mar, e desde o rio até os confins da 
Terra." (Zacarias, IX, v. 9, 10.)

"E ele (o Cristo) se manterá, e governará pela 
força do Eterno, e com a magnificência do nome 
do Eterno, seu Deus. E eles farão as pazes, e 
agora será glorificado até os confins da Terra, e 
será ele que fará a paz. (Miquéias, V, v. 4.)

A distinção entre Deus e seu enviado futuro está 
caracterizada da maneira mais formal; Deus o 
designa seu servidor, por conseqüência seu 
subordinado; em suas palavras, nada há que 
implique a idéia de igualdade de poder, nem de 
consubstancialidade entre as duas pessoas. Deus 
ter-se-ia enganado, e os homens vindos três 
séculos após Jesus Cristo teriam visto mais justo 
do que ele? Tal parece ser a sua pretensão.

VIII. O Verbo se fez carne

"No começo era o Verbo, e o Verbo estava com 
Deus, e o Verbo era Deus. – Ele estava no começo 
com Deus. – Todas as coisas foram feitas por ele; 
e nada do que fez não fez sem ele. – Nele estava 
a vida e a vida era a luz dos homens; – E a luz 
brilhou nas trevas, e as trevas não a 
compreenderam.

"Houve um homem enviado de Deus que se 
chamava João. – Ele veio para servir de 
testemunha, para dar testemunho à luz, a fim de 
que todos cressem por ele. – Ele não era a luz, 
mas veio para dar testemunho daquele que era a 
luz.

"Aquela era a verdadeira luz que clareia todo 
homem vindo neste mundo. – Ele estava no 
mundo e o mundo nada fez por ele, e o mundo 
não o conheceu. – Ele veio aos seus e os seus 
não o receberam. – Mas deu a todos aqueles que 
o receberam o poder de serem feitos filhos de 
Deus, àqueles que creram em seu nome, que não 
são nascidos do sangue nem da vontade da 
carne, nem da vontade do homem, mas de Deus 
mesmo.

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e 
vimos a sua glória, sua glória tal quanto o Filho 
único deveria recebê-la do Pai; ele, digo eu, 
habitou entre nós, cheio de graça e de verdade." 
(João, cap. 1º, v. de 1 a 14.)

Esta passagem dos Evangelhos é a única que, à 
primeira vista, parece encerrar implicitamente 
uma idéia de identificação entre Deus e a pessoa 
de Jesus; é também aquela sobre a qual se 
estabeleceu, mais tarde, a controvérsia a este 
respeito. Essa questão da divindade de Jesus não 
chegou senão gradualmente; nasceu das 
discussões levantadas a propósito das 
interpretações dadas, por alguns, às palavras 
Verbo e Filho. Não foi senão no quarto século 
que ela foi adotada, em princípio, por uma parte 
da Igreja. Esse dogma é, pois, o resultado de 
uma decisão dos homens e não de uma revelação 
divina.

Há de início a notar que, as palavras que citamos 
mais acima, são de João, e não de Jesus, e que, 
admitindo que não hajam sido alteradas, não 
exprimem, em realidade, senão uma opinião 
pessoal, uma indução onde se encontra o 
misticismo habitual de sua linguagem; elas não 
poderiam, pois, prevalecer contra as afirmações 
reiteradas do próprio Jesus.

Mas, aceitando-as tais quais são, elas não 
resolvem de nenhum modo a questão no sentido 
da divindade, porque se aplicariam igualmente a 
Jesus, criatura de Deus.

Com efeito, o Verbo é Deus, porque é a palavra 
de Deus. Tendo Jesus recebido essa palavra 
diretamente de Deus, com a missão de revelá-la 
aos homens, assimilou-a; a palavra divina, da 
qual estava penetrado, se encarnou nele; trouxe-
a ao nascer, e foi com razão que Jesus pôde 
dizer: O Verbo se fez carne, e habitou entre nós. 
Jesus pode, pois, estar encarregado de transmitir 
a palavra de Deus sem ser Deus, ele mesmo, 
como um embaixador transmite as palavras de 
seu soberano, sem ser o soberano. Segundo o 
dogma da divindade, é Deus que fala; na outra 
hipótese, ele fala pela boca de seu enviado, o 
que não rouba nada à autoridade de suas 
palavras.

Mas quem autoriza essa suposição antes do que 
outra? A única autoridade competente para 
decidir a questão são as próprias palavras de 
Jesus, quando disse: "Eu nunca falei de mim 
mesmo, mas aquele que me enviou me 
prescreveu , por seu mandamento o que devo 
dizer; - minha doutrina não é a minha doutrina, 
mas a doutrina daquele que me enviou, a palavra 
que ouvistes não é, minha palavra, mas a de meu 
Pai que me enviou." É impossível exprimir-se 
com mais clareza e precisão.

A qualidade de Messias ou enviado, que lhe é 
dada em todo o curso dos Evangelhos, implica 
uma posição subordinada com relação àquele 
que ordena; aquele que obedece não pode estar 
igual àquele que manda. João caracteriza essa 
posição secundária, e, por conseqüência, 
estabelece a dualidade das pessoas quando 
disse: E vimos a sua glória, tal quanto "o Filho 
único deveria receber do Pai"; porque aquele que 
recebe não pode ser igual àquele que dá, e 
aquele que dá a glória não pode ser igual àquele 
que a recebe. Se Jesus é Deus, possui a glória por 
si mesmo e não a espera de ninguém; se Deus e 
Jesus são um único ser sob dois nomes 
diferentes, não poderia existir entre eles nem 
supremacia, nem subordinação; desde então, que 
não há paridade absoluta de posição, é que são 
dois seres distintos.

A qualificação de Messias divino não implica a 
igualdade entre o mandatário e o mandante, 
como a do enviado real entre um rei e seu 
representante.

Jesus era um messias divino pelo duplo motivo 
que tinha a sua missão de Deus, e que as suas 
perfeições o colocavam em relação direta com 
Deus.

IX. Filho de Deus e filho do homem

O título de Filho de Deus, longe de implicar a 
igualdade, é bem antes o indício de uma 
submissão; ora, deve estar submetido a alguém e 
não a si mesmo.

Para que Jesus fosse o igual absoluto de Deus, 
seria necessário que fosse como ele, de toda a 
eternidade, quer dizer, que fosse incriado; ora, o 
dogma diz que Deus o engendrou de toda a 
eternidade; mas quem disse engendrar diz criar; 
que isso seja, ou não, de toda a eternidade, não 
se é menos uma criatura, e, como tal, 
subordinada a seu Criador; é a idéia implícita 
encerrada na palavra Filho.

Jesus nasceu no tempo? De outro modo dito: foi 
um tempo na eternidade, na eternidade passada, 
onde ele não existia? Ou bem é co-Eterno com o 
Pai? Tais são as sutilezas sobre as quais discutiu-
se durante os séculos. Sobre qual autoridade se 
apóia a doutrina da co-eternidade passada ao 
estado de dogma? Sobre a opinião dos homens 
que a estabeleceram. Mas esses homens, por 
qual autoridade fundaram a sua opinião? Isso 
não é sobre a de Jesus, uma vez que se declara 
subordinado; não é sobre a dos profetas que o 
anunciam como o enviado e o servidor de Deus. 
Em quais documentos desconhecidos, mais 
autênticos do que os Evangelhos encontraram 
essa doutrina? Aparentemente, na consciência e 
na superioridade de suas próprias luzes.

Deixemos, pois, essas vãs discussões que não 
poderiam terminar, e cuja solução mesmo, se 
fora possível, não tornaria os homens melhores. 
Digamos que Jesus é Filho de Deus, como todas 
as criaturas; ele o chama seu Pai como nós 
aprendemos a chamar nosso Pai. É o Filho bem-
amado de Deus porque, tendo chegado à 
perfeição que o aproxima de Deus, possui toda a 
sua confiança e todo o seu afeto; ele se diz, ele 
mesmo, Filho único, não que seja o único ser 
chegado a esse grau, mas porque só ele estava 
predestinado a cumprir essa missão sobre a 
Terra.

Se a qualificação de Filho de Deus parecia apoiar 
a doutrina da divindade, não era, do mesmo 
modo daquela do Filho do homem que Jesus se 
deu em sua missão, e que fez o assunto de 
muitos comentários.

Para melhor compreender-lhe o verdadeiro 
sentido, é necessário remontar à Bíblia, onde 
está dada por ele mesmo ao profeta Ezequiel.

"Tal foi a imagem da glória do Senhor que me foi 
apresentada. Tendo, pois, visto essas coisas, 
lancei meu rosto por terra: e ouvi uma voz que 
me falava e disse: Filho do homem, tende-vos 
sobre os vossos pés e eu falarei convosco. – E o 
Espírito, tendo me falado da sorte, entrou em 
mim, e me firmou sobre os meus pés e eu o ouvi 
que me falava e me dizia: Filho do homem, eu 
vos envio aos filhos de Israel, para um povo 
apóstata que se retirou de mim. Violaram até 
este dia, eles e seus pais, a aliança que fiz com 
eles." (Ezequiel, cap. II, v. 1, 2, 3.)

"Filho do homem, eis que vos prepararam os 
grilhões; a eles vos prenderão e deles não saireis 
nunca." (Cap. III, v. 25.)

"O Senhor me dirigiu ainda a sua palavra e me 
disse: – E vós, Filho do homem, eis o que disse o 
Senhor Deus à terra de Israel: o fim vem; ele vem, 
esse fim, sobre os quatro cantos desta terra." 
(Cap. VII, v. 1, 2.)

"No décimo dia, do décimo mês, do nono ano, o 
Senhor me dirigiu a palavra e me disse: – Filho do 
homem, marcai bem esse dia que o rei de 
Babilônia reuniu as sua tropas diante de 
Jerusalém." (Cap. XXIV, v. 1, 2.)

"O Senhor me disse ainda estas palavras: – Filho 
do homem, vou vos ferir com uma ferida e vos 
arrebatar o que é mais agradável aos vossos 
olhos; mas não fareis nunca lamentos fúnebres; 
não chorareis nunca, e as lágrimas nunca 
correrão em vosso rosto. – Suspirareis em 
segredo, e não fareis luto nunca como foi feito 
para os mortos; vossa coroa permanecerá ligada 
sobre a vossa cabeça, e tereis vossos sapatos em 
vossos pés: não cobrireis o rosto e não comereis 
nunca a carne que se dá àqueles que estão no 
luto. – Eu falei, pois, de manhã ao povo, e à noite 
minha mulher morreu. No dia seguinte de 
manhã, fiz o que Deus me ordenara. (Cap. XXIV, 
v. de 15 a 18.)

"O Senhor me falou ainda e me disse: Filho do 
homem, profetizai com respeito aos pastores de 
Israel; profetizai e dizei aos pastores: Eis o que 
disse o Senhor Deus: Infelizes os pastores de 
Israel que apascentam a si mesmos: os pastores 
não apascentam os seus rebanhos?" (Cap. XXXIV, 
v. 1, 2.)

"Então eu ouvi que me falava, no interior da casa; 
e o homem que estava próximo de mim me 
disse: - Filho do homem, eis aqui o lugar de meu 
trono: o lugar onde porei os meus pés, e onde 
permanecerei para sempre no meio dos filhos de 
Israel, e a casa de Israel não profanará mais meu 
santo nome no futuro, nem eles, nem seus reis, 
por suas idolatrias, pelos sepulcros de seus reis, 
nem pelos seus nobres." (Cap. XLIII, v. 6, 7.)

"Porque Deus nunca ameaça como os homens, e 
não entra nunca em furor como o Filho do 
homem." (Judite, Cap. VIII, v. 15.)

É evidente que a qualificação de Filho do homem 
quer dizer isto: que nasceu do homem, por 
oposição àquilo que está fora da Humanidade. A 
última citação, tirada do livro de Judite, não 
deixa dúvida sobre o significado desta palavra, 
empregada num sentido muito literal. Deus não 
designou Ezequiel senão sob esse nome, sem 
dúvida para lhe lembrar que, apesar do dom da 
profecia que lhe foi concedido, com isso não 
pertencia menos à Humanidade, e a fim de que 
não se cresse de uma natureza excepcional.

Jesus se dá a si mesmo essa qualificação com 
uma persistência notável, porque não é senão em 
muito raras circunstâncias que se diz Filho de 
Deus. Em sua boca não pode ter outro 
significado que o de lembrar que, também ele, 
pertence à Humanidade: por aí se assimila aos 
profetas que o precederam e aos quais se 
comparou fazendo alusão à sua morte, quando 
disse: JERUSALÉM QUE MATA OS PROFETAS? A 
insistência que coloca em se designar como filho 
do homem, parece um protesto antecipado 
contra a qualidade que prevê que dar-se-lhe-á 
mais tarde, a fim de que seja bem constatado 
que ela não saiu de sua boca.

É notável que, durante essa interminável 
polêmica que apaixonou os homens durante uma 
longa série de séculos, e dura ainda, que 
acendeu as fogueiras e fez verter ondas de 
sangue, disputou-se sobre uma abstração, a 
natureza de Jesus, da qual se fez a pedra angular 
do edifício, embora disso não haja falado; e que 
se haja esquecido uma coisa, a de que o Cristo 
disse ser toda a lei e os profetas: o amor de Deus 
e do próximo, e a caridade, da qual fez a 
condição expressa de salvação. Agravou-se 
sobre a questão da afinidade de Jesus com Deus, 
e se passou completamente sob silêncio as 
virtudes que ele recomendou e das quais deu o 
exemplo.

O próprio Deus, se apagou diante da exaltação 
da personalidade do Cristo. No símbolo de 
Nicéia, está dito simplesmente: Cremos em um 
Deus único, etc.; mas como é esse Deus? De 
nenhum modo se fez menção aos seus atributos 
essenciais: a soberana vontade e a soberana 
justiça. Essas palavras seriam a condenação dos 
dogmas que consagram sua parcialidade para 
com certas criaturas, sua inexorabilidade, seu 
ciúme, sua cólera, seu espírito vingativo, dos 
quais se autoriza para justificar as crueldades 
cometidas em seu nome.

Se o símbolo de Nicéia, que se tornou o 
fundamento da fé católica, estava segundo o 
Espírito do Cristo, por que o anátema com que o 
termina? Não é a prova de que é obra da paixão 
dos homens? Aliás, a que se deve a sua adoção? 
À pressão do imperador Constantino que disso 
fizera uma questão mais política do que 
religiosa. Sem a sua ordem, o Concílio de Nicéia 
não ocorreria; sem a intimidação que exerceu, é 
mais do que provável que o Arianismo o 
arrebataria. Portanto, dependeu da autoridade 
soberana de um homem que não pertencia à 
Igreja, que reconheceu mais tarde o erro que 
fizera politicamente, e que inutilmente procurou 
retornar sobre os seus passos conciliando as 
partes, para que não sejamos arianos em lugar 
de sermos católicos, e para que o Arianismo não 
fosse hoje a ortodoxia, e o catolicismo a heresia.

Depois de dezoito séculos de lutas e de disputas 
vãs, durante os quais se pôs completamente de 
lado a parte mais essencial do ensino do Cristo, a 
única que poderia assegurar a paz da 
Humanidade, se está ainda nessas discussões 
estéreis que não levaram senão a perturbações, 
engendraram a incredulidade, e cujo objeto não 
satisfaz mais à razão.

Há, hoje, uma tendência manifesta da opinião 
geral de retornar às idéias fundamentais da 
primitiva Igreja, e à parte moral do ensinamento 
do Cristo, porque é a única que pode tornar os 
homens melhores. Aquela é clara, positiva, e não 
pode dar lugar a nenhuma controvérsia. Se a 
Igreja houvesse seguido este caminho desde o 
princípio, seria hoje onipotente em lugar de estar 
em declínio; teria reunido a imensa maioria dos 
homens em lugar de estar despedaçada pelas 
facções.

Quando os homens caminharem sob essa 
bandeira, se estenderão mãos fraternas, em lugar 
de se lançarem anátemas e maldições, por 
questões que, na maioria do tempo, não 
compreendem.

Essa tendência da opinião é o sinal de que 
chegou o momento para levar a questão para o 
seu verdadeiro terreno.

Livro: A Gênese
Fonte:http://www.oespiritismo.com.br/textos/ver.php?id1=369

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