Translate

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Erraticidade

20 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
ALLAN KARDEC
CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI
ITEM 2: DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA ERRATICIDADE
            Em primeiro lugar, vamos analisar o termo erraticidade, que não encontrei no novo dicionário Houaiss, mas que está no Caldas Aulete, volume II, editora Delta S.A., autorizada por E. Pinto Cia. Ltda, Lisboa-Portugal, organizado por Hamílcar de Garcia : " o mesmo que erratibilidade, substantivo feminino, caráter do que é errático.(Espiritismo): Estado dos espíritos durante os intervalos das suas encarnações." 
O termo erraticidade se refere ao plano espiritual, onde vivem as almas dos desencarnados. 
           Quanto ao termo errante, encontramos nos dois dicionários citados os mesmos significados: " que anda ao acaso, sem destino certo"
Vem do latim errans, errantis, que significa " que anda sem destino, que se engana."
O verbo errar vem do latim erro, erras, erravi, erratum, errare e significa ' vagar, andar sem destino, apartar-se do caminho, perder-se' donde o figurado ' errar, cometer uma falta, enganar-se, hesitar, duvidar'. (Dicionário Houaiss)
            Kardec denominou errantes aos espíritos que estão no plano espiritual, espíritos ainda em desenvolvimento, sujeitos a erros e às reencarnações.
" A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento."
            Diz Kardec que podemos também entender " Há muitas moradas na casa de meu Pai" ao estado feliz ou infeliz dos desencarnados na erraticidade.
            O espiritismo nos ensina que a morte do corpo físico, só por si, não transforma ninguém. As mudanças do sentir, pensar e agir acontecem pelo esforço próprio, após muitas reflexões sobre si mesmo, sobre suas ações e reações no viver cotidiano, aqui ou no além. Desperta-se no plano espiritual como realmente se é, com as mesmas idéias, com a mesma maneira de ser.
            Analisando o novo estado, já consciente do que lhe aconteceu e acontece, pode o recém desencarnado querer mudar-se ou não.
            Assim, há espíritos que nem se apercebem do novo estado. Continuam nas casas, fazendo as mesmas coisas, sem entender a indiferença dos familiares, que não lhe respondem, nem falam com eles.
            Outros, mesmo percebendo a nova situação, continuam nos seus propósitos de fazer o mal, engajando-se em grupos conhecidos ou não dos que se lhe assemelham.
           Uns sentem-se revoltados, inconformados, fecham-se a qualquer auxílio.             Outros sentem-se libertos da prisão do corpo físico, buscam encontrar-se com amigos que lhe antecederam, reencontram amigos dos quais estiveram afastados.
            Há os que perambulam, sem destino, sem mesmo saber o que querem. Há os que se elevam admirando as belezas do universo.
            Há os que , plenos de remorso, sentem-se culpados , perambulando a esmo ou se deixando aprisionar por espíritos das trevas, que ainda se comprazem no mal. Há os que reencontram companheiros da jornada terrestre e continuam no trabalho do bem a que se afeiçoara.
            As pessoas que buscaram mais os valores espirituais sentem-se felizes, pelo dever cumprido e elevam-se em busca de paragens mais espiritualizadas. As que se entregaram aos valores e prazeres materiais, sentem-se presas ao visgo da Terra e não conseguem desprender-se dela.
            São tantos e tão variados os estados das almas que deixam o corpo físico , que Kardec escreveu ser possível também interpretar as palavras de Jesus, no sentido de serem esses estados moradas dos espíritos. 
            Cada um está no plano espiritual ligado aos sentimentos, emoções, ideais, ações que vivenciaram quando encarnados. Cada um vive, mesmo em companhia de outros, na morada psíquica que construiu para si. Sendo um ser em desenvolvimento, auto- educável e perfectível, pode, sempre que o queira, transformar sua casa psíquica, melhorando-a.
            O mesmo acontece no plano material. Cada homem vive na morada psíquica que constrói para si, através dos sentimentos, emoções, sensibilidade, inteligência, razão, nas ações e reações do viver na Terra. Influenciamos e somos influenciados sempre de acordo com o que temos e somos no íntimo.
            Cabe-nos pois, construir nossa morada psíquica, desde já, aqui e agora, com ideais nobres e elevados que o Mestre Jesus no trouxe, visto ser ele o caminho, a verdade e a vida e toda a humanidade terrestre só será feliz quando todos viverem seus ensinos da amor e perdão, independente da nacionalidade, da crença de cada um.

Bibliografia:

  • 1 - Allan Kardec, O LIVRO DOS ESPÍRITOS, LIVRO PRIMEIRO, Capítulo III : CRIAÇÃO, V : Pluralidade dos Mundos . Capítulo IV, Pluralidade das Existências, itens III e IV : Reencarnação nos Diferentes Mundos e Transmigração Progressiva. Capítulo VI, VIDA ESPÍRITA, I e II : Espíritos Errantes e Mundos Transitórios.
  • 2- Emmanuel, A CAMINHO DA LUZ, CAPÍTULO lll : As Raças Adâmicas.

Leda de Almeida Rezende Ebner 
Janeiro / 2003
Fonte: http://www.cebatuira.org.br/EvangelhoSegundooEspiritismo/evangelhosegundooespiritismojaneiro03.htm

A função dos centros de força

Bernardino da Silva Moreira
Começaremos com o centro genésico, conhecido dos teosofistas, como chakra fundamental. (Nas funções concernentes a cada centro, só serão dadas as mais importantes, principalmente as que não sejam objeto de polêmicas, entre os estudiosos do assunto).
Segundo o instrutor Clarêncio, o centro genésico seria o local onde estaria situado “o santuário do sexo”, que teria como função basilar, dentre outras, a de servir “como templo modelar de formas e estímulos.”1
Joana de Ângelis através de Divaldo P. Franco, (o canário da terra chamada Brasil, que com sua oratória brilhante, faz renascer do Cristianismo as verdades consoladoras do Espiritismo), acredita, também, que o centro em destaque, seja o responsável pela reprodução, e gerador de “recursos para o perfeito entrosamento dos seres na construção dos ideais de engrandecimento e beleza em que se movimenta a Humanidade.”2
O centro gástrico “se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização.”3
Joana de Ângelis, observa que além de conduzir os processos digestivos, na assimilação de energias vitalizantes, tem o respectivo centro a função de eliminar os detritos “dos alimentos encarregados da manutenção do corpo.”4
Jorge Andréia em seus estudos sobre a “Energia do Psiquismo”, concluiu que o centro gástrico teria “sob sua custódia a absorção dos alimentos como resultado do trabalho químico do aparelho digestivo, onde as funções hepáticas representariam sua grande manifestação.”5
O centro esplênico “está sediado no baço, regulando a distribuição e a circulação adequada dos recursos vitais em todos os escaninhos do veículo de que nos servimos.”6
É também o mencionado centro “que se responsabiliza pelo labor da aparelhagem hemática, controlando o surgimento e morte das hemáceas, volume e atividade, na manutenção da vida.”7
O centro cardíaco é o ostentador das atividades “da emoção e do equilíbrio em geral”8, principalmente “pela aparelhagem circulatória”9, também, “dando orientação aos fenômenos desencadeados nesta área do sistema autônomo (nó de Keit-Flack e His).”10
O centro laríngeo tem como função basilar, a de presidir “aos fenômenos vocais, inclusive as atividades do timo, da tireóide e das paratireóides.”11 É também o referido centro o controlador dos fenômenos da respiração.”12
O centro cerebral “ordena as percepções de variada espécie, percepções essas que, na vestimenta carnal, constituem a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à palavra, à Cultura, à Arte, ao Saber. É no centro cerebral que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos.”13 É este centro responsável “pela transformação dos neuroblastos em neurônios”, também, “comandando desde os neurônios às células efetoras.”14
O centro coronário é o veículo de expressão máxima “por ser o mais significativo em razão do seu auto potencial de radiações, de vez que nele assenta a ligação com a mente, fulgurante sede da consciência. Este centro recebe em primeiro lugar os estímulos do Espírito, comandando os demais, vibrando todavia com eles em justo regime de interdependência. Considerando em nossa exposição os fenômenos do corpo físico, e satisfazendo aos impositivos de simplicidade em nossas definições, devemos dizer que dele emanam as energias de sustentação do sistema nervoso e suas subdivisões, sendo o responsável pela alimentação das células do pensamento e o provedor de todos os recursos eletromagnéticos indispensáveis à estabilidade orgânica. É, por isso, o grande assimilador das energias solares e dos raios da espiritualidade Superior capazes de favorecer a sublimação da alma.”15
Não citaremos outros autores, devido a concordância existente entre eles e o autor das linhas acima, que acreditamos sintetizar de forma clara e objetiva todas as teorias existentes sobre a questão.

Bibliografia:

1) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 128
2) Estudos Espíritas, Joana de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
3) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 128
4) Estudos Espíritas, Joana de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
5) Energética do Psiquismo, Jorge Andréia, Editora Caminho da Libertação, 2ª edição, 1976, pág. 103
6) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 128
7) Estudos Espíritas, Joana de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
8) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 128
9) Estudos Espíritas, Joana de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
10) Energética do Psiquismo, Jorge Andréia, Editora Caminho da Libertação, 2ª edição, 1976, pág. 103
11) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 128
12) Estudos Espíritas, Joanna de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
13) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 127
14) Estudos Espíritas, Joana de Ângelis, FEB, 2ª edição, 1982, pág. 43
15) Entre a Terra e o Céu, André Luiz, FEB, 2ª edição, 1978, pág. 127
Fonte:  http://www.espirito.org.br/portal/artigos/bernardino/a-funcao-dos-centros.html

Adelaide Câmara

Adelaide Augusta Câmara foi uma das mais devotadas figuras femininas do Espiritismo no Brasil, bem conhecida pelo seu pseudônimo de Aura Celeste.
Encarnou na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, em 11 de janeiro de 1874, e desencarnou na cidade do Rio de Janeiro, em 24 de outubro de 1944.
Aura Celeste veio para a antiga Capital Federal em janeiro de 1896, graças ao auxílio de alguns militantes do Protestantismo, a cuja religião pertencia, os quais lhe propiciaram a oportunidade de lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez com muita proficiência, durante algum tempo, até que organizou em sua própria residência, um curso primário, onde muitos homens ilustres do meio político e social brasileiro aprenderam com ela as primeiras letras.
Foi nesse período de sua vida, no ano de 1898, que começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, o grande Bezerra de Menezes dirigia os destinos da Federação Espírita Brasileira, revestido daquela auréola de prestígio e de respeito que crentes e descrentes lhe davam, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, não só pelos fenômenos e curas mediúnicas, como pela propaganda falada, pelos livros e pela imprensa.
Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes começou a sua notável carreira mediúnica como psicografa, no Centro Espírita Ismael. O grande apóstolo do Espiritismo brasileiro, pela sua conhecida clarividência, prognosticou, certa vez, que Adelaide Câmara, com as prodigiosas faculdades de que era dotada, um dia assombraria crentes e descrentes. E essa profecia de Bezerra não se fez esperar, pois em breve Adelaide Câmara, como médium auditiva, começou a trabalhar na propagação da Doutrina, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que o seu nome se irradiou por todo o País.
Com a desencarnação do inolvidável mestre, doutor Bezerra de Menezes, em 1900, Adelaide Câmara aproximou-se do grande seareiro que foi Inácio Bittencourt e, nas sessões do Círculo Espírita “Cáritas”, passou a emprestar o seu concurso magnífico como médium e como propagandista de primeira grandeza.
Contraindo núpcias em 1906, os afazeres do lar, e a educação dos filhos mais tarde, obrigaram-na a afastar-se da propaganda ativa nos Centros, mas, nem por isso, ficou inativa. Nas horas de lazer, entrava em confabulação com os guias espirituais, e pôde receber e produzir páginas admiráveis, que foram dadas à publicidade na obra “Do Além”, em 21 fascículos, e no livro “Orvalho do Céu”.
Foi aí que adotou o pseudônimo de AURA CELESTE, nome com que ficou conhecida no Brasil inteiro.
Em 1920, retorna à tribuna e aos trabalhos mediúnicos, com tal vigor e entusiasmo, que o seu organismo de compleição franzina ressentiu-se um pouco, mas, nem por isso, deixou ela de cumprir com os seus deveres. O Dr. Joaquim Murtinho era o médico espiritual que, por seu intermédio, começou a trabalhar na cura dos enfermos e necessitados, diagnosticando e curando a todos quantos lhe batiam à porta, desenvolvendo-lhe, espontaneamente, diversas faculdades mediúnicas nesse período.
Além das mediunidades de incorporação, audição, vidência, psicográfica, curadora, intuitiva, possuía Adelaide Câmara, ainda, a extraordinária faculdade da bilocação. Muitas curas operou em diferentes lugares do Brasil, a eles se transportando em “desdobramento fluídico”, sendo visível o seu corpo perispirítico, como aconteceu em Juiz de Fora e Corumbá (provadamente constatado), por enfermos que, sob os seus cuidados, a viram aplicar-lhes “passes”.
Poetisa, conferencista, contista, e educadora sobretudo, deixou excelentes obras lítero-doutrinárias, em prosa e verso, assinando-os geralmente com o seu pseudônimo. É assim que deu a público “Vozes d”Alma”, versos; “Sentimentais”, versos; “Aspectos da Alma”, contos; “Palavras Espíritas”, palestras; “Rumo à Verdade” e “Luz do Alto”. Esparsos em revistas e jornais espíritas, há muitas poesias e artigos doutrinários de sua autoria.
O grande jornalista e literato Leal de Souza, referiu-se a Adelaide Câmara como “a grande Musa moderna, a Musa espiritualista”.
Em 1924, teve as suas vistas voltadas para o campo da assistência às crianças órfãs e à velhice desamparada. Centralizou todos os seus esforços no propósito de materializar esse antigo anseio de sua alma. Pouco, entretanto, pôde fazer em quase três anos de lutas. Aconteceu, então, que um confrade, João Carlos de Carvalho, estava angariando donativos e meios para a fundação de uma instituição dessa natureza, e, um dia, faz-lhe entrega da lista de donativos a fim de que Adelaide Câmara arranjasse novos óbolos para tão humanitário fim. Dias depois, João Carvalho desencarna, e ela fica de posse da lista e do dinheiro arrecadado.
Passados alguns meses, o Sr. Lopes, proprietário da Casa Lopes, que andava estudando a Doutrina, mostrou-se interessado na organização de uma instituição de amparo e assistência aos órfãos e Adelaide lhe informa possuir uma lista com alguns donativos para esse fim. A idéia foi recebida com entusiasmo e logo concretizada. Alugaram uma casa em Botafogo e aí foi instalado, no dia 13 de março de 1927, o Asilo Espírita “João Evangelista”, sendo ela a sua primeira diretora.Compareceu a essa festiva inauguração o doutor Guillon Ribeiro, então 2o. secretário da Federação Espírita Brasileira e representante desta naquela solenidade.Adelaide Câmara, em breves palavras, exprimiu o júbilo de sua alma, afirmando realizado o ideal de toda a sua existência – “ser mãe de órfãos, graça do céu que não trocaria por todo o ouro e todas as grandezas do mundo”.
Dedicou, daí por diante, todo o seu tempo a essa grandiosa obra de caridade, emprestando-lhe as luzes do seu saber e de sua bondade até o dia em que serenamente entregou a alma a Deus.
Com extremosa dedicação, trabalhou Aura Celeste em várias sociedades espíritas beneficentes da cidade do Rio de Janeiro, dando a todas elas o melhor de suas energias e de sua inteligência.
No Asilo Espírita “João Evangelista”, porém, foi onde realizou sua tarefa máxima, não só como competente educadora, mas também como hábil orientadora de inumeráveis jovens que ali receberam, como ainda recebem, instrução intelectual e educação moral.
A vida e a obra de Adelaide Câmara foram uma escada de luz, uma afirmação de fé e humildade, e um perene testemunho de amor. Era a grande educadora que ensinava educando e educava ensinando, pelo exemplo.
Médium sem vaidades, sincera e de honestidade a toda prova, praticava a mediunidade como verdadeiro sacerdócio.
Dotada de sólida cultura teria, se quisesse, conquistado fama no mundo das letras. Poetisa de vastos recursos, oradora convincente e natural, senhora de estilo vigoroso e de fulgurante imaginação, tudo deu e tudo fez, com o cabedal que possuía, para o bom nome e o engrandecimento da Doutrina Espírita.
O Asilo Espírita “João Evangelista”, no Rio de Janeiro, aí está ainda, em sede própria, atestando a obra e o devotamento à causa do bem daquela nobre mulher que se chamou Adelaide Augusta Câmara.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ermance Dufaux

Autor:  Mauro Quintella
(Transcrito do site do Instituto do Pensamento e da Cultura Espírita - Anápolis, GO) 

Ermance de la Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade de Fontainebleau, França. Próxima a Paris, abrigava a residência oficial de Napoleão III e de outros nobres. O pai de Ermance, rico produtor de vinho e trigo, era um deles. Tradicional, a família Dufaux residia num castelo medieval, herança de seus antepassados. 

Em 1853, a filha dos Dufaux começou a apresentar inquietante desequilíbrio nervoso e a fazer premonições. Por causa desse problema, seu pai procurou o célebre médico Cléver De Maldigny. 

Pelo relato do Sr. Dufaux, o médico disse que Ermance parecia estar sofrendo de um novo distúrbio nervoso, que havia feito diversas vítimas na América e que, agora, estava chegando à Europa. As vítimas da doença entravam numa espécie de transe histérico e começavam a receber hipotéticas mensagens do Além. 

O médico aconselhou o Sr. Dufaux a trazer Ermance a seu consultório, o mais rápido possível. Assim foi feito. Alguns dias depois, a mocinha comparecia à consulta. 

Maldigny colocou um lápis na mão da menina e pediu que ela escrevesse o que lhe fosse impulsionado. Ermance começou a rir, gracejando, mas, de súbito, seu braço tomou vida própria e começou a escrever sozinho. Ao ver-se dominada por uma força estranha, Ermance assustou-se, largou o lápis e não quis continuar a experiência.
Maldigny examinou o papel e confirmou seu diagnóstico. Os pais de Ermance ficaram extremamente preocupados. Como a família era famosa na corte, a notícia logo se espalhou em Paris e Fontainebleau, chegando aos ouvidos do Marquês de Mirvile, famoso estudioso do Magnetismo. 

O Marquês visitou o castelo dos Dufaux e pediu para examinar Ermance. Os pais aquiesceram, mas a mocinha teve que ser convencida. Por fim, Ermance colocou-se em posição de escrever e Mirvile perguntou ao invisível:
- Está presente o Espírito em que penso? Em caso positivo, queira escrever seu nome por intermédio da garota. 
A mão de Ermance começou a se mover e escreveu: 
- Não, mas um de seus parentes remotos. 
- Pode escrever seu nome?
- Prefiro que meu nome venha diretamente à sua cabeça. Pense um instante.
- São Luís, rei de França (1), primo do primeiro nobre de minha família?
- Sim, eu mesmo.
- Vossa Majestade pode dar-me um prova de que é realmente o nosso grande rei?
- Ninguém nesta casa sabe que você e seus parentes me consideram o Anjo da Guarda da família. 

Se Maligny via o caso de Ermance como doença, o Marquês também tinha suas explicações preconcebidas. Na sua opinião, ela apenas captava as idéias e pensamentos presentes no ambiente. Isso na melhor das hipóteses. Na pior, a jovem estava sendo intérprete do Diabo, pois, como católico, ele não acreditava que os mortos pudessem se comunicar. Uma análise conclusiva deveria ser feita pela Academia de Ciências de Paris.

O Sr. Dufaux, no entanto, não levou o caso adiante. Embora também fosse católico, ele preferiu acreditar que sua filha não era doente ou possessa, mas apenas uma intermediária entre os vivos e os mortos. A família foi se acostumando com o fato e a faculdade de Ermance passou a ser vista como uma coisa natural e positiva. 

Os contatos com São Luís passaram a ser frequentes. Sob seu influxo, ela escreveu a autobiografia póstuma do rei canonizado, intitulada "A história de Luís IX, ditada por ele mesmo". Em 1854, esse texto foi publicado em livro, mas a Censura do Governo de Napoleão III proibiu a sua distribuição. Os censores acharam que algumas passagens podiam ser entendidas como críticas ao Imperador e à Igreja.

O posicionamento favorável dos Dufaux ao neo-espiritualismo (spiritualisme) gerou retaliações. Numa confissão, Ermance recusou-se a negar sua crença nos Espíritos, atribuindo suas mensagens a Satanás, e foi proibida de comungar. A Imperatriz também esfriou seu relacionamento com a família. No entanto, o Imperador Napoleão III ficou curioso e pediu para conhecer a Srta. Dufaux. 

Ela foi recepcionada no Palácio de Fontainebleau e recebeu uma mensagem de Napoleão Bonaparte para o sobrinho. A mensagem respondia a uma pergunta mental de Luís Napoleão e seu estilo correspondia exatamente ao de Bonaparte. 

Com o tempo, os Espíritos também começaram a falar por Ermance. Em 1855, com 14 anos, Ermance publica seu segundo livro "spiritualiste" (na época, não existiam os termos espírita, mediunidade, etc). O primeiro a ser distribuído e vendido: "A história de Joana D'Arc, ditada por ela mesma" (Editora Meluu, Paris). 

Segundo Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na noite do dia 18 de abril de 1857. O Codificador teria dado uma pequena recepção em seu apartamento e os Dufaux foram levados por Madame Planemaison, grande amiga do professor lionês. 

No final da reunião, Ermance recebeu uma belíssima mensagem de São Luís, que, a partir dali, tornaria-se uma espécie de supervisor espiritual dos trabalhos do Mestre. Segundo o ex-rei, Ermance, assim como Kardec, era uma druidesa reencarnada. Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões domésticas do Prof. Rivail. 

No final de 1857, Kardec teve a idéia de publicar um periódico espírita e quis ouvir a opinião dos guias espirituais. Ermance foi a médium escolhida e, através dela, um Espírito deu várias e ótimas orientações ao Mestre de Lion. O órgão ganhou o nome de "Revista Espírita" e foi lançado em Janeiro do ano seguinte.

Como o apartamento de Allan Kardec ficou pequeno para o grande número de frequentadores da sua reunião, alguns dos participantes decidiram alugar um local maior. 

Para isso, porém, precisavam de uma autorização legal. O Sr. Dufaux encarregou-se de obter o aval das autoridades, conseguindo em quinze dias o que, normalmente, levaria três meses. Conquistada a liberação, o Codificador e seus discípulos fundaram a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Abril de 1858. Ermance foi uma das sócias fundadoras. 

Durante o ano de 1858, Ermance recebeu mais duas autobiografias mediúnicas. Desta vez, os autores foram os reis franceses Luís XI e Carlos VIII. O Codificador elogiou o trabalho da Srta. Dufaux (2) e transcreveu trechos das "Confissões de Luís XI" na Revista Espírita(3). Nesse mesmo ano, Kardec divulgou três mensagens psicografadas pela jovem sensitiva (4). Não temos notícia sobre a possível publicação das memórias de Carlos VIII. 

Canuto Abreu revelou que Rivail a utilizou como médium na revisão da 2ª edição de O Livro dos Espíritos. 

Em 1859, Ermance não é mais citada como membro da SPEE nas páginas do mensário kardeciano. Isso leva-nos a crer que ela teria saído da Sociedade. Outro indício dessa suposição é que São Luís passou a se comunicar através de outros sensitivos (Sr. Rose, Sr. Collin, Sra. Costel e Srta. Huet). Não há, igualmente, registros da continuidade do seu trabalho em outros grupos.

O que teria acontecido com Ermance? Teria casado e deixado a militância, como Ruth Japhet e as meninas Baudin? Teria se desentendido com Kardec? Teria mudado da França? Teria desanimado com o Espiritismo? São perguntas que só ela poderia responder. Seja como for, o Codificador continuou a divulgar seu trabalho. Em 1860, ele noticiou a reedição de "A história de Joana D'Arc ditada por ela mesma", pela Livraria Lendoyen de Paris.

Em 1861, enviou vários exemplares desse livro, junto com suas obras, para o editor francês Maurice Lachâtre, que se encontrava exilado em Barcelona, Espanha. O objetivo era a divulgação do Espiritismo em solo espanhol. Esses volumes acabaram confiscados e queimados em praça pública pela Igreja Católica no famoso Auto-de-fé de Barcelona. 

"A história de Luís IX ditada por ele mesmo", foi liberada pela Censura e finalmente publicada pela revista La Verité de Paris em 1864. No início de 1997, a editora brasileira Edições LFU traduziu "A história de Joana D'Arc" para o português.

NOTAS:
(1) Rei francês, filho de Luís VIII e Branca de Castela, nascido em 1215, coroado em 1226 e morto em 1270. Luís IX teve um reinado bastante conturbado. Até 1236 enfrentou a Revolta dos Vassalos e a Guerra dos Albigenses. Venceu duas batalhas contra os ingleses em 1242. Em 1249, organizou uma Cruzada, foi vencido e aprisionado. Resgatado, ficou na Palestina até 1252, quando voltou à França. Empreendeu mais uma Cruzada e morreu de peste ao desembarcar em Tunis. Foi canonizado pela Igreja em 1297. 
(2) Página 30 do Volume 1858, EDICEL.
(3) Páginas 73, 148 e 175, ibidem.
(4) Páginas 137, 167 e 317, ibidem.

BIBLIOGRAFIA
ABREU, 1992.
KARDEC, 1993.
KARDEC, 
_____________

Algumas informações adicionais sobre Ermance Dufaux (GEAE)

Pesquisando na Internet verificamos que Ermance Dufaux publicou livros na década de 1880 que foram citados em obras de outros autores e traduzidos para outras linguas. Edições impressas ainda existem a venda em sites de livros raros e versões digitalizadas podem ser encontradas no site da Biblioteca Nacional da França.

Algumas das referências que encontramos:
1) No site da Biblioteca do Congresso Americano há uma página dedicada a preservação da memória americana com a digitalização de obras raras (http://memory.loc.gov/ammem/index.html). Encontramos nesse site um livro de 1909 - Traité Pratique et Thèorique de La Danse (Tratado Teórico e Prático da Dança, BOURGEOIS, 1909) - que traz na sua bibliografia a indicação de duas obras em nome de Ermance Dufaux. Não há dadas de publicação indicadas:
  • Le savoir-vivre dans la vie ordinaire et les cérémonies civiles et religieuses, par Ermance Dufaux. 1 vol. in-18 (O saber viver na vida cotidiana e nas cerimônias civis e religiosas).
  • L'enfant, hygiène et soins médicaux pour le premier âge; par Ermance Dufaux de la Jonchère. Nombreuses gravures. 1 vol. in-18 (A criança, higiene e cuidados médicos na primeira idade).
2) No site da Amazon Books em francês há a indicação de uma obra histórica de Ermance Dufaux de 1885:
  • La vie du vaillant bertrand du guesclin, de d'Aprés les Chanson de Geste du Trouvère, Tx Rajeuni par E. Dufaux de la Jonchere. Description: dos léger , cartonnage perca. décoré édition tranche dorées, illustration de Tofani in et hors texte Garnier , 1885. (A vida do Valoroso Bertrand du Guesclin, conforme as canções de gesta dos trovadores, em prosa contemporânea por E. Dufaux de la Jonchere).
3) A página do DICTIONNAIRE DES AUTEURS / ECRIVAINS traz a seguinte relação de obras de Ermance Dufaux:
  • Auteur: DUFAUX DE LA JONCHERE ERMANCE
    Livre: LE SAVOIR-VIVRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
    Edité par Garnier freres - Paris en s.d.(ca 1883)
  • Auteur: DUFAUX DE LA JONCHERE (MLLE E.)
    Livre: LA VIE DU VAILLANT BERTRAND DU GUESCLIN, D'APRES LA CHANSON DE GESTE DU TROUVERE CUVELIER ET LA CHRONIQUE EN PROSE CONTEMPORAINE. Edité par Garnier - Paris en 1885
  • Auteur: DUFAUX ERMANCE
    Livre: HISTOIRE DE JEANNE D'ARC PAR ELLE MEME
    Edité par Philman - Paris le 25/09/2000
  • Auteur: DUFAUX ERMANCE
    Livre: LE SAVOIR-FAIRE DANS LA VIE ORDINAIRE ET DANS LES CEREMONIES CIVILES ET RELIGIEUSES
    Paris en 1883
4) O livro de Ermance Dufaux sobre higiene e cuidados na infância teve uma tradução para o espanhol em 1888. Esta informação foi encontrada em um site de leilões: Durán Sebastas de Artes (acesso 25/09/2006):
  • DUFAUX DE LA JONCHERE, Erm.- "EL NIÑO Higiene y cuidados maternales dela infancia PARA USO DE LAS MADRES JOVENES Y DE LAS NODRIZAS... Versión castellana anotada y arreglada por D. Gonzalo de Lorenzo". París, Garnier Hermanos. 1888. 8º, tela edit., estamp. 475 pgs. Figuras en texto.
5) No site Gallica da Biblioteca Nacional da França está disponível para consulta e download o livro Le Saivoir-Vivre e no seu início há uma carta datada de 1883. 

6) No mesmo site há outro livro dela de 1884: 
  • Ce que les maîtres et les domestiques doivent savoir [Texte imprimé] / par Mlle E. Dufaux de la Jonchère (O que os patrões e os criados domésticos devem saber). Paris: Garnier frères, 1884. 461-36 p. Sujet:  Employeur et employé (droit) -- 19e siècle.
Vários livros de autoria espiritual de Ermance Dufaux foram psicografados através do médium Wanderley Soares de Oliveira a partir de 2000. Segundo o site da Livraria Espírita Candeia, Wanderley atua em Belo Horizonte (MG) como expositor e médium. Os livros são publicados pela editora Dufaux:

Seara Bendita (2000 - em parceria com outros espíritos)
Laços de Afeto (2002)
Mereça ser Feliz (2002)
Reforma Íntima sem Martírio (2003)
Unidos Pelo Amor (2004 - em parceria com outros espíritos)
Atitude de Amor (opúsculo - em parceria com outros espíritos)
Lírios de Esperança (2005)
Escutando Sentimentos (2006)

A Escala Espírita


 
Allan Kardec chamou de Escala Espírita a classificação dos Espíritos. 
Com ela podemos saber qual o nível dos Espíritos que entram em contato conosco, 'bem como saber onde nos encaixamos nela e quanto nos falta para atingir a perfeição.  
A Escala Espírita seguiu esta ordem de publicação: 
 O Livro dos Espíritos, 1ª edição, 1857. 
 Revista Espírita, Fevereiro de 1858, 
 Instrução Prática das Manifestações Espíritas (1858), 
 O Livro dos Espíritos, 2ª edição (1860). 
Os rudimentos desta classificação aparecem em 1857, na primeira edição de O Livro dos Espíritos
Do item 55 ao 57, os Espíritos apresentam a Allan Kardec três ordens de Espíritos: 
1ª Espíritos puros; 
2ª Espíritos bons; 
3ª Espíritos imperfeitos. 
Comentando as respostas dos Espíritos, Allan Kardec inicia uma classificação da terceira ordem, apresentando-a assim: 
 Os Espíritos neutros: Os que não são bastante bons para fazer o bem nem bastante maus para fazer o mal. 
2º Os Espíritos impuros: Os que são inclinados ao mal que é o objeto de suas preocupações. 
 Os esprits follets (1): “ São levianos, malignos, insensatos, mais turbulentos que maus; metem-se em tudo e se comprazem em causar pequenos desgostos e risotas, ou de induzir maliciosamente em erro para mistificações. Podem ser designados também pelos termos lunáticos, tentadores". 
Em fevereiro de 1858 a Escala Espírita é publicada pela primeira vez com esse título. 
Nessa oportunidade Allan Kardec deixa claro alguns pontos da elaboração da Escala (2): 
1º - O que demarca as diferenças dos Espíritos:  
"Não pertencem eternamente à mesma ordem e que, em consequência, essas ordens não constituem espécies distintas: são graus do desenvolvimento"; 
"A classificação dos Espíritos é baseada em seu grau de progresso, nas qualidades adquiridas e nas imperfeições de que devem despojar-se".  
2º - Sobre as fronteiras entre uma classe e outra: 
"Cada categoria só apresenta um caráter marcante no seu conjunto; mas de um a outro grau a transição é insensível e nos limites a nuança se apaga, como nos ramos da Natureza, nas cores do arco-íris ou nos vários períodos da vida humana. Pode-se pois formar um maior ou menor número de classes, conforme o ponto de vista sob o qual se considerar o assunto". 
3º - Sobre a participação dos Espíritos e de Allan Kardec na confecção da Escala: 
"Para eles o pensamento é tudo: deixam-nos a forma e a escolha das expressões, as classificações ― numa palavra, os sistemas"; 
"É que eles [os sábios botânicos] não inventaram as plantas nem seus caracteres; observaram as analogias e, segundo estas, formaram grupos ou classes. Assim também nós: nem inven­tamos os Espíritos nem seus caracteres;vimos e observamos. Julgamo-los por suas palavras e atos, depois os classificamos por suas similitudes. Eis o que qualquer um, em nosso caso, teria feito"; 
" (...) não podemos reivindicar a autoria de todo o trabalho. Se o quadro que damos a seguir não foi traçado textualmente pelos Espíritos e se é nossa a iniciativa, todos os elementos que o compõem foram hauridos em seus ensina­mentos: o que nos restava era apenas formular uma disposição material". 
Aqui, Allan Kardec retoma o que os Espíritos lhe apresentaram em 1857: 
"Os Espíritos geralmente admitem três categorias principais ou grandes divisões. Na última, na base da escala, estão os Espíritos imperfeitos, que devem ainda percorrer todas ou qua­se todas as etapas; são caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela inclinação para o mal. Os da segunda são caracterizados pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: são os bons Espíritos. A pri­meira, enfim, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo de perfeição". 
E esclarece sobre sua participação: 
"Esta divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta caracteres bem definidos. Só nos restava destacar, em número suficiente de divisões, as nuanças principais do conjunto; foi o que fizemos com o concurso dos Espíritos, cujas benévolas instruções jamais nos faltaram". 
Ainda em 1858, no primeiro semestre, é publicado o livro Instrução Prática das Manifestações Espíritas
No primeiro capítulo do Instrução, Allan Kardec afirma que a diferenciação das ordens dos Espíritos é um dos mais importantes princípios da Doutrina Espírita. 
Não houve mais alterações na Escala até 1860. 
Com a publicação da segunda edição de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec traz uma nova classe de Espíritos à Escala. Se anteriormente ela continha 9 classes, agora são 10. 
Na realidade, não surge uma classe do "nada". A classe dos "Espíritos batedores" já estava contida na oitava classe, a dos Espíritos Levianos. 
Para finalizar, eis um esquema apresentando as transformações da Escala:
1857:
 
1ª ordem 
Espíritos puros
 

2ª ordem
Espíritos bons 

3ª ordem
Espíritos imperfeitos
Espíritos neutros
Espíritos impuros

Esprits  follets 
1858: 


1ª ordem
Espíritos puros
 

Classe única

2ª ordem
Espíritos bons


2ª classe 
ESPÍRITOS SUPERIORES 
3ª classe 
ESPÍRITOS SÁBIOS
4ª classe 
ESPÍRITOS CULTOS
5ª classe 
ESPÍRITOS BENEVOLENTES

 

3ª ordem
Espíritos imperfeitos

6ª classe 
ESPÍRITOS NEUTROS
7ª classe 
ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS
8ª classe 
ESPÍRITOS LEVIANOS
9ª classe 
ESPÍRITOS IMPUROS

 
1860:


1ª ordem
Espíritos puros
 

Classe única

2ª ordem
Espíritos bons

2ª classe 
ESPÍRITOS SUPERIORES 3ª classe 
ESPÍRITOS SÁBIOS
4ª classe 
ESPÍRITOS CULTOS
5ª classe 
ESPÍRITOS BENEVOLENTES
 

3ª ordem
Espíritos imperfeitos

6ª classe
ESPÍRITOS BATEDORES
7ª classe 
ESPÍRITOS NEUTROS
8ª classe 
ESPÍRITOS PSEUDO-SÁBIOS
9ª classe 
ESPÍRITOS LEVIANOS
10ª classe 
IMPUROS
 

Referências:

(1) Segundo o dicionário: follet: maluco, tonto; travesso; esprit follet, duende. Em 1858, Kardec muda o nome dessa classe para Esprits légers, Espíritos levianos.

(2) Os grifos são nossos.

Nota do Autor:

Este trabalho foi realizado pelo Grupo de Estudos da Filosofia Espírita - filosofiaespirita@gmail.com

 





O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita
 

Ectoplasma - Rompendo a Fronteira Física

No mundo das manifestações espirituais, vários fatos e fenômenos compõem um vasto conjunto de provas da existência de uma realidade espiritual e de como essas energias conscientes entram em contato com o mundo físico. Uma das mais impressionantes manifestações é a formação do ectoplasma, um fenômeno que ainda aguarda uma investigação mais efetiva.
No fim do século 19 e início do século 20, houve uma intensa busca para se compreender os fenômenos espirituais que tomavam conta dos salões onde ocorriam os chamados fenômenos espirituais. Evidentemente,  a base desses encontros eram os contatos com entidades espirituais, mas também significavam divertimento – algo de novo sendo introduzido numa sociedade que começava a se preparar para encarar essa nova realidade. A intensa utilização de médiuns e os fenômenos que eles apresentavam, também levaram a uma vulgarização dos acontecimentos do "mundo do além", especialmente devido à grande quantidade de fraudes, muitas delas desmascaradas pelos cientistas que pesquisavam o assunto.
A intensidade dos fenômenos e a profusão dos “poderes” dos médiuns – que passaram a surgir em cada esquina – originaram uma grande quantidade de estudos sobre tais fenômenos, desenvolvidos por cientistas credenciados. O resultado foi a elaboração de vários trabalhos e documentos que atestavam a existência de eventos parapsicológicos legítimos, como a clarividência, a materialização, a comunicação com os mortos, etc.
De todos os fenômenos estudados, um dos mais impressionantes, atraindo inúmeras pessoas e os jornais sensacionalistas, foi a ectoplasmia ou materialização. Centenas de casos, devidamente comprovados, foram fotografados e medidos por diversos pesquisadores que relataram detalhadamente as manifestações e produziram uma base científico-espiritualista para compreender a produção nos mais diversos ambientes e condições da “matéria espiritual”.
Como sempre ocorre com os fenômenos espirituais, os enganadores tentaram se aproveitar da credulidade e da fé das pessoas, muitos deles sendo desmascarados como fraudes. Alguns faziam uso de luvas, vapores e de  ilusionismo para enganar a platéia que ia ver os “espíritos”. Essa situação acabou por gerar uma grande dose de desconfiança e a perda de prestígio dos fenômenos parapsicológicos na comunidade científica de forma geral (que, em grande parte, se mantém cética até os dias atuais, apesar das evidências reunidas).
Contudo, existiam médiuns que produziam eventos legítimos de materialização que podiam ser devidamente comprovados como reais e incontestáveis. Muitos pesquisadores, mesmo contra as opiniões contrárias, continuaram pesquisando e descobrindo as peças que formavam o quebra-cabeça das materializações.
As idéias apresentadas nos trabalhos de diversos estudiosos, levaram à aceitação de que o ectoplasma é gerado mediante uma notável interação entre diversos planos físicos e espirituais, durante a qual as vibrações etéricas acumulariam matéria das pessoas envolvidas nas manifestações e reproduziriam as intenções do espírito manifestado de uma forma consistente e material.
Os estudiosos concluíram que, na verdade, existe um número reduzido de pessoas capazes de produzir casos autênticos de ectoplasmia, mesmo sem ter de recorrer a ritos específicos ou realizar as chamadas "sessões". Acredita-se que os médiuns aproveitam as energias etéricas, magnéticas e do seu envolvimento com o mundo espiritual, somadas às vibrações emanadas das pessoas presentes ao experimento, e assim produzem as energias e condições necessárias para a manifestação.
No Oriente, essa idéia já foi muito discutida e difundida, além de experimentada, ao longo de milhares de anos. Aqueles que possuem tais poderes (siddhas) não são necessariamente sábios (rishis, pessoas de conduta irrepreensível e de profundo saber espiritual); na verdade, muitos deles fazem uso de suas capacidades para ganhar a vida, como se fossem pianistas, desenhistas ou qualquer profissão que exigisse algum dom especial.

O Médium

A manifestação de ectoplasma causa esgotamento físico nos médiuns, pois eles cedem parte de sua “energia vital” para produzir e enriquecer a materialização periespiritual (Gilberto, no Livro dos Espíritos, eles escrevem perispírito. Portanto, por analogia, deveria ser perispiritual. Contudo, como, atualmente, não tenho sido uma leitora assídua dos livros kardecistas, gostaria que você confirmasse isso.) Isso foi devidamente comprovado por uma série de investigações realizadas por W. J. Crawford, professor de Engenharia Mecânica da Queens University, de Belfast. Ele se dedicou a estudar uma médium famosa na Irlanda, conhecida como Goligher, e descobriu que, durante as sessões (quando surgia o ectoplasma), tanto a médium quanto seus assistentes perdiam peso. Com um conjunto complexo de medidas, ele determinou que, nas manifestações de ectoplasma (quando ele saía pela boca da médium), ela perdia cerca de vinte e seis quilos (algo considerável para qualquer ser humano), e ainda anotou em seus estudos que  a perda de peso de massa era evidente no corpo da médium, pois ela definhava a olhos vistos.
O professor Crawford, segundo foi relatado por várias pessoas próximas, estabeleceu uma teoria coerente para explicar o surgimento e a materialização do ectoplasma,  plausível tanto para os cientistas quanto para os espíritas; só que essa teoria nunca chegou ao conhecimento do público, pois ele nunca a revelou a quem quer que fosse. Desde então, surgiram vários boatos, mas nada foi revelado, nem mesmo após a sua morte.
Um trabalho notável no que diz respeito à comprovação científica da ectoplasmia foi desenvolvido pelo barão von Schrenk-Notzing. Ele conseguiu obter um pedaço de ectoplasma e realizou mais de uma centena de exames laboratoriais. Descobriu-se a presença de leucócitos (células do sistema imunológico humano) e células epiteliais (pele, a primeira camada celular), colocando em cena os possíveis mecanismos psicofísicos da ectoplasmia.
Essa análise corroborava a idéia de que os médiuns contribuem ativamente com a sua própria “matéria” para a formação das materializações. O barão von Schrenk-Notzing ampliou as definições existentes sobre o ectoplasma, afirmando: “É uma matéria inicialmente semifluida, que possui determinadas propriedades da matéria viva, especialmente a capacidade de mutação de movimentos e de tomar diversas formas”. Como podemos perceber, o barão tinha a idéia de que o ectoplasma era algum tipo de interação orgânica entre o médium e as forças espirituais.
Os cientistas e outros pesquisadores também coletaram centenas de fotografias das sessões de materialização; elas mostram imagens com formas e estruturas variadas. Geralmente, surgem em torno do médium das mais diversas maneiras: às vezes, de forma difusa, outras, de maneira bastante nítida. Formam rostos, fios translúcidos, pedaços de corpos, mãos e outras estruturas não-identificáveis.
Algumas das materalizações mais surpreendentes da época foram produzidas pelas médiuns Eva Carrière e Eusapia Palladino. Mesmo com um histórico polêmico quanto à autenticidade de suas manifestações, a produção de ectoplasmia das médiuns foi fotografada e analisada.
Um evento notável em sua extensão e nas conseqüências científico-espirituais, foi o ocorrido em 1913, durante uma convenção espírita em Moscou. Nela, um grupo de investigadores perguntou a um espírito materializado se havia algum problema em se realizar uma intervenção cirúrgica em seus antebraços ectoplasmáticos, para que pudessem ver a substância da qual eram compostos. Ele aceitou, impondo como condição que ele iria se preparar para que o médium nada sofresse no processo. Após cinco meses, os investigadores e o médium voltaram a se reunir, e a operação foi realizada. Em um dos antebraços os pesquisadores encontraram uma constituição perfeitamente humana (ossos, nervos, sangue, etc,), enquanto o outro era formado por uma substância gelatinosa, clássica nos casos de ectoplasmia, e sem definição de partes constituintes.
Esse fato contribuiu para colocar a materialização ectoplasmática novamente sob um prisma científico. Alguns experimentos chegaram a extremos, como no caso de médiuns colocados em cadeiras e equipamentos especialmente projetados para evitar fraudes e, ainda assim, os eventos ocorreram e foram detectados por aparelhos sensíveis , deixando de lado qualquer dúvida sobre a autenticidade do fenômeno.

Explicando o Ectoplasma

As teorias que procuram explicar a ectoplasmia partem de um ponto comum: a existência de uma forma energético-espiritual, denominada perispírito. Essa substância preencheria o corpo material enquanto encarnado, servindo como receptáculo da consciência durante a estada do ser no mundo físico-espiritual. É pela interação entre os perispíritos desencarnados e as energias espirituais dos encarnados que médium e espírito podem, então, romper os limites mentais e as fronteiras físicas, produzindo o ectoplasma.
Esse perispírito foi relatado por vários médiuns, que o descreveram das mais variadas formas. Geralmente, é visto como um vapor branco-azulado que se desprende dos corpos de pessoas mortas, saindo pela região do chacra coronário (alto da cabeça). Essa “matéria” teria uma existência intermediária entre as formas densa (atômica) e espiritual (etérea).
Segundo alguns estudiosos, isso também é comprovado por meio das fotografias Kirlian, que mostram uma estrutura energética envolvendo os mais diversos objetos e, em específico nos seres humanos, mostram uma profusão de cores e linhas que lembram os “caminhos de luz” descritos nos antigos textos orientais sobre a acupuntura, quando falam a respeito das linhas energéticas.
Segundo o que se conhece atualmente dos mecanismos da ectoplasmia, o médium usa seu perispírito para interagir com o perispírito do desencarnado; cedendo material orgânico e energético, gera o ectoplasma e auxilia, com sua carga cultural e imaginativa, para construir a materialização.
Não há qualquer dúvida quanto à razão da ectoplasmia atrair tanta atenção: é uma manifestação visível, palpável, muitas vezes mensurável. Ao contrário de outros fenômenos espirituais, ou parapsicológicos, se preferirem, causa um impacto mais imediato. E não são poucos os que se dedicam ao seu estudo que afirmam ser a ectoplasmia o fenômeno parapsicológico que apresenta o maior número de provas. Além disso, permite que os pesquisadores possam comprovar, de forma relativamente simples, se é uma manifestação verdadeira ou fraudulenta.
Não se sabe muito bem em que ponto se encontram as pesquisas científicas com relação ao assunto. Cientistas que não estão ligados ao espiritismo pouco ou nada falam sobre o assunto, ou então rechaçam completamente o fenômeno, entendendo que ele jamais foi devidamente comprovado, apesar das inúmeras evidências coletadas.
O que se sabe ao certo é que o fenômeno continua a ocorrer, e a ser registrado, em muitos centros espíritas e em locais que nada tenham a ver com a doutrina. Resta esperar que pesquisas mais afirmativas e profundas sejam realizadas.

Pesquisas Recentes

Quando se fala sobre o fenômeno da ectoplasmia, geralmente são apresentados documentos e fotos antigas. A verdade é que esses casos foram muito examinados nos primórdios das pesquisas parapsicológicas, fotografados e registrados com o rigor científico possível na época. Depois, a impressão que se tem é de que as pesquisas foram um tanto esquecidas.
No entanto, existem grupos de pesquisa, espíritas ou não, que continuam procurando obter registros cientificamente válidos para o fenômeno, e muitas vezes com êxito. As pesquisas não são muito divulgadas: o que se ouve dizer é que os pesquisadores preferem realizar suas experiências sem grande alarde, mantendo os resultados conhecidos apenas de um pequeno grupo de interessados, evitando o escárnio que geralmente ocorre quando se fala sobre certos assuntos.
Nas pesquisas do dr. João Alberto Fiorini, que deverão ser publicadas em livro, ele informa que o ectoplasma é sensível à ação da luz comum (branca) e reage ao pensamento. Por outro lado, suporta bem as radiações pouco energéticas do espectro da luz, como o vermelho e o infravermelho. A temperatura é um pouco inferior à do ambiente em que se encontra o médium, e sua cor pode ser acizentada, branca, amarelada, malhada ou negra. Também se encontra em todos os estados, ou seja, invisível, visível, gasoso, plasmático, tangível, morfo, foculoso, filamentoso, sólido e estruturado.
Esperamos, em breve, poder apresentar algumas imagens e documentos obtidos a partir de pesquisas do gênero, no Brasil, assim como conversar com cientistas envolvidos na pesquisa parapsicológica, para que eles apresentem seus depoimentos a respeito e, quem sabe, algumas pesquisas científicas. (GS)

Fenômenos de Ectoplasmia

Ectoplasma: O ectoplasma pode exteriorizar-se em qualquer parte do corpo do médium, ao qual está vinculado estreitamente. Dirigido pelas forças presentes, o ectoplasma pode causar o fenômeno da telecinesia, que é a movimentação de objetos. Em alguns casos, foi comprovado que o ectoplasma saía do corpo do médium e, apoiando-se no chão, formava uma espécie de alavanca, conseguindo assim erguer objetos bem mais pesados do que o médium.
Ectoplasmia: Do grego ectós, "fora"; plasma, "coisa formada". Ectoplasmia designa o fenômeno; ectoplasma designa a substância.
Ectocoloplasmia: Termo que foi utilizado para definir a "modelagem" do ectoplasma para formar membros ou partes de pessoas, animais ou objetos.
Fantasmogênese: A produção ectoplasmática de um fantasma de pessoa, animal ou coisa, pelo menos aparentemente inteiro.
Transfiguração: A transformação do próprio corpo do médium por meio do ectoplasma.