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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Carta de Allan Kardec ao Príncipe G.

Autor: Allan Kardec

Vossa Alteza honrou-me dirigindo-me várias 
perguntas referentes ao Espiritismo; vou tentar 
respondê-las, tanto quanto o permita o estado 
dos conhecimentos atuais sobre a matéria, 
resumindo em poucas palavras o que o estudo e 
a observação nos ensinaram a esse respeito. 
Essas questões repousam sobre os princípios da 
própria ciência: para dar maior clareza à solução, 
é necessário ter esses princípios presentes no 
pensamento; permita-me, pois, tomar a coisa de 
um ponto mais alto, colocando como 
preliminares certas proposições fundamentais 
que, de resto, elas mesmas servirão de resposta 
a algumas de vossas perguntas.

Há, fora do mundo corporal visível, seres 
invisíveis que constituem o mundo dos Espíritos.

Os Espíritos não são seres à parte, mas as 
próprias almas daqueles que viveram na Terra ou 
em outras esferas, e que deixaram seus 
envoltórios materiais.

Os Espíritos apresentam todos os graus de 
desenvolvimento intelectual e moral. Há, por 
conseqüência, bons e maus, esclarecidos e 
ignorantes, levianos, mentirosos, velhacos, 
hipócritas, que procuram enganar e induzir ao 
mal, como os há muitos superiores em tudo, e 
que não procuram senão fazer o bem. Essa 
distinção é um ponto capital.

Os Espíritos nos cercam sem cessar, com o nosso 
desconhecimento, dirigem os nossos 
pensamentos e as nossas ações, e por aí
influem sobre os acontecimentos e os destinos 
da Humanidade.

Os Espíritos, freqüentemente, atestam sua 
presença por efeitos materiais. Esses efeitos 
nada têm de sobrenatural; não nos parecem tal 
senão porque repousam sobre bases fora das leis 
conhecidas da matéria. Uma vez conhecidas 
essas bases, o efeito entra na categoria dos 
fenômenos naturais; é assim que os Espíritos 
podem agir sobre os corpos inertes e fazê-los 
mover sem o concurso de nossos agentes 
exteriores. Negar a existência de agentes 
desconhecidos, unicamente porque não são 
compreendidos, seria colocar limites ao poder de 
Deus, e crer que a Natureza nos disse sua última 
palavra.

Todo efeito tem uma causa; ninguém o contesta. 
É, pois, ilógico negar a causa unicamente porque 
seja desconhecida.

Se todo efeito tem uma causa, todo efeito 
inteligente deve ter uma causa inteligente. 
Quando se vê o braço do telégrafo fazer sinais 
que respondem a um pensamento, disso se 
conclui, não que esses braços sejam inteligentes, 
mas que uma inteligência fá-los moverem-se. 
Ocorre o mesmo com os fenômenos espíritas. Se 
a inteligência que os produz não é a nossa, é 
evidente que ela está fora de nós.

Nos fenômenos das ciências naturais, atua-se 
sobre a matéria inerte, que se manipula à 
vontade; nos fenômenos espíritas age-se sobre 
inteligências que têm seu livre arbítrio, e não 
estão submetidas à nossa vontade. Há, pois, 
entre os fenômenos usuais e os fenômenos 
espíritas uma diferença radical quanto ao 
princípio: por isso, a ciência vulgar é 
incompetente para julgá-los.

O Espírito encarnado tem dois envoltórios, um 
material que é o corpo, o outro semi-material e 
indestrutível que é o perispírito. Deixando o 
primeiro, conserva o segundo que constitui para 
ele uma espécie de corpo, mas cujas 
propriedades são essencialmente diferentes. Em 
seu estado normal, é invisível para nós, mas 
pode tornar-se momentaneamente visível e 
mesmo tangível: tal é a causa do fenômeno das 
aparições.

Os Espíritos não são, pois, seres abstratos, 
indefinidos, mas seres reais e limitados, tendo 
sua própria existência, que pensam e agem em 
virtude de seu livre arbítrio. Estão por toda parte, 
ao redor de nós; povoam os espaços e se 
transportam com a rapidez do pensamento.

Os homens podem entrar em relação com os 
Espíritos e deles receberem comunicações diretas 
pela escrita, pela palavra e por outros meios. Os 
Espíritos, estando ao nosso lado e podendo 
virem ao nosso chamado, pode-se, por certos 
intermediários, estabelecer com eles 
comunicações seguidas, como um cego pode 
fazê-lo com as pessoas que ele não vê.

Certas pessoas são dotadas, mais do que outras, 
de uma aptidão especial para transmitirem as 
comunicações dos Espíritos: são os médiuns. O 
papel do médium é o de um intérprete; é um 
instrumento do qual se servem os Espíritos: esse 
instrumento pode ser mais ou menos perfeito, e 
daí as comunicações mais ou menos fáceis.

Os fenômenos espíritas são de duas ordens: as 
manifestações físicas e materiais, e as 
comunicações inteligentes. Os efeitos físicos são 
produzidos por Espíritos inferiores; os Espíritos 
elevados não se ocupam mais dessas coisas 
quanto nossos sábios não se ocupam em 
fazerem grandes esforços: seu papel é de instruir 
pelo raciocínio.

As comunicações podem emanar de Espíritos 
inferiores, como de Espíritos superiores. 
Reconhecem-se os Espíritos, como os homens, 
pela sua linguagem: a dos Espíritos superiores é 
sempre séria, digna, nobre e marcada de 
benevolência; toda expressão trivial ou 
inconveniente, todo pensamento que choque a 
razão ou o bom senso, que denote orgulho, 
acrimônia ou malevolência, necessariamente, 
emana de um Espírito inferior.

Os espíritos elevados não ensinam senão coisas 
boas; sua moral é a do Evangelho, não pregam 
senão a união e a caridade, e jamais enganam. 
Os Espíritos inferiores dizem absurdos, mentiras, 
e, freqüentemente, grosserias mesmo.

A bondade de um médium não consiste somente 
na facilidade das comunicações, mas, sobretudo, 
na natureza das comunicações que recebe. Um 
bom médium é aquele que simpatiza com os 
bons Espíritos e não recebe senão boas 
comunicações.

Todos temos um Espírito familiar que se liga a 
nós desde o nosso nascimento, nos guia, nos 
aconselha e nos protege; esse Espírito é sempre 
bom.

Além do Espírito familiar, há Espíritos que são 
atraídos para nós por sua simpatia por nossas 
qualidades e nossos defeitos, ou por antigas 
afeições terrestres. Donde se segue que, em toda 
reunião, há uma multidão de Espíritos mais ou 
menos bons, segundo a natureza do meio.

Podem os Espíritos revelar o futuro?

Os Espíritos não conhecem o futuro senão em 
razão de sua elevação. Os que são inferiores não 
conhecem mesmo o seu, por mais forte razão o 
dos outros. Os Espíritos superiores o conhecem, 
mas não lhes é sempre permitido revelá-lo. Em 
princípio, e por um desígnio muito sábio da 
Providência, o futuro deve nos ser ocultado; se o 
conhecêssemos, nosso livre arbítrio seria por 
isso entravado. A certeza do sucesso nos tiraria o 
desejo de nada fazer, porque não veríamos a 
necessidade de nos dar ao trabalho; a certeza de 
uma infelicidade nos desencorajaria. Todavia, há 
casos em que o conhecimento do futuro pode ser 
útil, mas deles jamais podemos ser juizes: os 
Espíritos no-los revelam quando crêem útil e têm 
a permissão de Deus; fazem-no 
espontaneamente e não ao nosso pedido. E 
preciso esperar, com confiança a oportunidade, e 
sobretudo não insistir em caso de recusa, de 
outro modo se arrisca a relacionar-se com 
Espíritos levianos que se divertem às nossas 
custas.

Podem os Espíritos nos guiar, por conselhos 
diretos, nas coisas da vida?

Sim, eles o podem e o fazem voluntariamente. 
Esses conselhos nos chegam diariamente pelos 
pensamentos que nos sugerem. Freqüentemente, 
fazemos coisas das quais nos atribuímos o 
mérito, e que não são, na realidade, senão o 
resultado de uma inspiração que nos foi 
transmitida. Ora, como estamos cercados de 
Espíritos que nos solicitam, uns num sentido, os 
outros no outro, temos sempre o nosso livre 
arbítrio para nos guiar na escolha, feliz para nós 
quando damos a preferência ao nosso bom 
gênio.

Além desses conselhos ocultos, pode-se tê-los 
diretos por um médium; mas é aqui o caso de se 
lembrar dos princípios fundamentais que 
emitimos a toda hora. A primeira coisa a 
considerar é a qualidade do médium, senão o for 
por si mesmo. Médium que não tem senão boas 
comunicações, que, pelas suas qualidades 
pessoais não simpatiza senão com os bons 
Espíritos, é um ser precioso do qual podem-se 
esperar grandes coisas, se todavia for secundado 
pela pureza de suas próprias instruções e se 
tomadas convenientemente: digo mais, é um 
instrumento providencial.

O segundo ponto, que não é menos importante, 
consiste na natureza dos Espíritos aos quais se 
dirigem, e não é preciso crer que o primeiro que 
chegue possa nos guiar utilmente. Quem não 
visse nas comunicações espíritas senão um meio 
de adivinhação, e em um médium uma espécie 
de ledor de sorte, se enganaria estranhamente. É 
preciso considerar que temos, no mundo dos 
Espíritos, amigos que se interessam por nós, 
mais sinceros e mais devotados do que aqueles 
que tomam esse título na Terra, e que não têm 
nenhum interesse em nos bajular e em nos 
enganar. Além do nosso Espírito protetor, são 
parentes ou pessoas que se nos afeiçoaram em 
sua vida, ou Espíritos que nos querem o bem por 
simpatia. Aqueles vêm voluntariamente quando 
são chamados, e vêm mesmo sem que sejam 
chamados; temo-los, freqüentemente, ao nosso 
lado sem disso desconfiar. São aqueles aos quais 
pode-se pedir conselhos pela via direta dos 
médiuns, e que os dão mesmo espontaneamente 
sem que lhes peça. Fazem-no sobretudo n a 
intimidade, no silêncio, e então quando nenhuma 
influência venha perturbá-los: aliás, são muito 
prudentes, e não se tem a temer da sua parte 
uma indiscrição imprópria: eles se calam quando 
há ouvidos demais. Fazem-no, ainda com mais 
bom grado, quando estão em comunicação 
freqüente conosco; como eles não dizem as 
coisas senão com o propósito e segundo a 
oportunidade, é preciso esperar a sua boa 
vontade e não crer que, à primeira vista, vão 
satisfazer a todos os nossos pedidos; querem 
nos provar com isso que não estão às nossas 
ordens.

A natureza das respostas depende muito do 
modo como se colocam as perguntas; é preciso 
aprender a conversar com os Espíritos como se 
aprende a conversar com os homens: em todas 
as coisas é preciso a experiência. Por outro lado, 
o hábito faz com que os Espíritos se identifiquem 
conosco e com o médium, os fluidos se 
combinam e as comunicações são mais fáceis; 
então se estabelece, entre eles e nós, verdadeiras 
conversações familiares; o que não dizem num 
dia, dizem-no em outro; eles se habituam à 
nossa maneira de ser, como nós à sua: fica-se, 
reciprocamente, mais cômodo. Quanto à 
ingerência de maus Espíritos e de Espíritos 
enganadores, o que é o grande escolho, a 
experiência ensina a combatê-los, e pode-se 
sempre evitá-los. Se não se lhes expuser, não 
vêm mais onde sabem perder seu tempo.

Qual pode ser a utilidade da propagação das 
idéias espíritas?

O Espiritismo, sendo a prova palpável, evidente 
da existência, da individualidade e da 
imortalidade da alma, é a destruição do 
Materialismo. Essa negação de toda religião, essa 
praga de toda sociedade. O número dos 
materialistas que foram conduzidos a idéias mais 
sadias é considerável e aumenta todos os dias: 
só isso seria um benefício social. Ele não prova 
somente a existência da alma e sua imortalidade; 
mostra o estado feliz ou infeliz delas segundo os 
méritos desta vida. As penas e as recompensas 
futuras não são mais uma teoria, são um fato 
patente que se tem sob os olhos. Ora, como não 
há religião possível sem a crença em Deus, na 
imortalidade da alma, nas penas e nas 
recompensas futuras, se o Espiritismo conduz a 
essas crenças aqueles em que estavam apagadas, 
disso resulta que é o mais poderoso auxiliar das 
idéias religiosas: dá a religião àqueles que não a 
têm; fortifica-a naqueles em que ela é vacilante; 
consola pela certeza do futuro, faz aceitar com 
paciência e resig nação as tribulações desta vida, 
e afasta do pensamento do suicídio, pensamento 
que se repele naturalmente quando se lhe vê as 
conseqüências: eis porque aqueles que 
penetraram esses mistérios estão felizes com 
isso; é para eles uma luz que dissipa as trevas e 
as angústias da dúvida.

Se considerarmos agora a moral ensinada pelos 
Espíritos superiores, ela é toda evangélica, é 
dizer tudo: prega a caridade cristã em toda a sua 
sublimidade; faz mais, mostra a necessidade 
para a felicidade presente e futura, porque as 
conseqüências do bem e do mal que fizermos 
estão ali diante dos nossos olhos. Conduzindo os 
homens aos sentimentos de seus deveres 
recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das 
doutrinas subversivas da ordem social.

Essas crenças não podem ser um perigo para a 
razão?



Todas as ciências não forneceram seu 
contingente às casas de alienados? É preciso 
condená-las por isso? As crenças religiosas não 
estão ali largamente representadas? Seria justo, 
por isso, proscrever a religião? Conhecem-se 
todos os loucos que o medo do diabo produziu? 
Todas as grandes preocupações intelectuais 
levam à exaltação, e podem reagir 
lastimavelmente sobre um cérebro fraco; teria 
fundamento ver-se no Espiritismo um perigo 
especial a esse respeito, se ele fosse a causa 
única, ou mesmo preponderante, dos casos de 
loucura. Faz-se grande barulho de dois ou três 
casos aos quais não se daria nenhuma atenção 
em outra circunstância; não se levam em conta, 
ainda, as causas predisponentes anteriores. Eu 
poderia citar outras nas quais as idéias espíritas, 
bem compreendidas, detiveram o 
desenvolvimento da loucura. Em resumo, o 
Espiritismo não oferece, sob esse aspecto, mais 
perigo que as mil e uma causas que a produzem 
diariamente; digo mais, que ele as oferece muito 
menos, naq uilo que ele carrega em si mesmo 
seu corretivo, e que pode, pela direção que dá às 
idéias, pela calma que proporciona ao espírito 
daqueles que o compreende, neutralizar o efeito 
de causas estranhas. O desespero é uma dessas 
causas; ora, o Espiritismo, fazendo-nos encarar 
as coisas mais lamentáveis com sangue frio e 
resignação, nos dá a força de suportá-las com 
coragem e resignação, e atenua os funestos 
efeitos do desespero.

As crenças espíritas não são a consagração das 
idéias supersticiosas da Antigüidade e da Idade 
Média, e não podem recomendá-las?

As pessoas sem religião não taxam de 
superstição a maioria das crenças religiosas? 
Uma idéia não é supersticiosa senão porque ela é 
falsa; cessa de sê-lo se se torna uma verdade. 
Está provado que, no fundo da maioria das 
superstições, há uma verdade ampliada e 
desnaturada pela imaginação. Ora, tirar a essas 
idéias todo seu aparelho fantástico, e não deixar 
senão a realidade, é destruir a superstição: tal é 
o efeito da ciência espírita, que coloca a nu o que 
há de verdade ou de falso nas crenças populares. 
Por muito tempo, as aparições foram vistas como 
uma crença supersticiosa; hoje, que são um fato 
provado, e, mais que isso, perfeitamente 
explicado, elas entram no domínio dos 
fenômenos naturais. Seria inútil condená-las, 
não as impediria de se produzirem; mas aqueles 
que delas tomam conhecimento e as 
compreendem, não somente não se amedrontam, 
mas com elas ficam satisfeitos, e é a tal ponto 
que aqueles que não as têm desejam tê-las. Os 
fenômenos incompreendidos deixam o camp o 
livre à imaginação, são a fonte de uma multidão 
de idéias acessórias, absurdas, que degeneram 
em superstição. Mostrai a realidade, explicai a 
causa, e a imaginação se detém no limite do 
possível; o maravilhoso, o absurdo e o impossível 
desaparecem, e com eles a superstição; tais são, 
entre outras, as práticas cabalísticas, a virtude 
dos sinais e das palavras mágicas, as fórmulas 
sacramentais, os amuletos, os dias nefastos, as 
horas diabólicas, e tantas outras coisas das quais 
o Espiritismo, bem compreendido, demonstra o 
ridículo.

Tais são, Príncipe, as respostas que acreditei 
dever fazer às perguntas que me haveis dado a 
honra em me endereçar, feliz se elas podem 
corroborar as idéias que Vossa Alteza já possui 
sobre essas matérias, e vos levar a aprofundar 
uma questão de tão alto interesse; mais feliz 
ainda se meu concurso ulterior puder ser para 
vós de alguma utilidade.

Com o mais profundo respeito, sou, de Vossa 
Alteza, o muito humilde e muito obediente 
servidor,

Allan Kardec
Fonte:http://www.oespiritismo.com.br/textos/ver.php?id1=378

O MAL E O REMÉDIO - SANTO AGOSTINHO - PARIS 1863

Nova mensagem de Santo Agostinho, na qual ele conclama o homem a ver a realidade do Espírito sujeito à reencarnações na Terra, mundo de expiações e de provas.

           Usa, ele, de frases contundentes e realistas, a fim de relembrar aos homens sua condição de imperfeição e rebeldia, que os impele a viver em um mundo, onde a dor, o sofrimento, dificuldades e obstáculos são o remédio para os seus males.

           Não devemos, nem podemos, querer passar uma existência na Terra em alegrias constantes, visto que, se assim fora, nós permaneceríamos estacionados nos prazeres e valores materiais, sem conhecer a felicidade que nos espera e da qual já usufruímos em determinadas situações e com determinadas pessoas.

           Essa ânsia de felicidade, que todos temos dentro de nós, reflete a certeza do nosso destino.

           Se nos vemos presos a um mundo inferior, sujeitos a vicissitudes e dores, e se aceitamos Deus, como Fonte de Amor, Justiça e Misericórdia, só podemos deduzir que temos o que precisamos para atingir nosso destino de perfeição e de felicidade. 

           Santo Agostinho, que viveu na Terra envolto nos prazeres materiais, transformando sua vida, quando percebeu que havia prazeres e objetivos mais condizentes à sua situação de filho de Deus, bem sabe das lutas internas de quem se dispõe a desenvolver seu potencial divino que traz em si. 
Por isso, usa de frases severas, claras e realistas para estimular em nós, a aceitação da nossa imperfeição e a da Terra.

           Ele assim o faz porque, somente partindo dessa realidade, podemos nos esforçar para compreender a bênção das vicissitudes que o viver na Terra proporciona.

           Precisamos, pois, entender as leis naturais, que nos levam a compreender e a aceitar as vicissitudes terrenas como necessárias a Espíritos rebeldes à lei do amor.

           Em assim fazendo, seremos capazes de agradecer a Deus todas essas tribulações, que nos ferem, mas que nos levam a idéias e vivências mais dignas de filhos de Deus.

           Conclama-nos Santo Agostinho a reconhecermos Deus, no Seu amor e sabedoria, não só nos momentos do riso, mas também, nos momentos do choro. A pensarmos na vida eterna, no seu significado, o que nos dá a dimensão exata dessas vicissitudes: frações diminutas de tempo, diante da eternidade e frações diminutas de sofrimentos diante da felicidade plena a ser conseguida.

           Por isso ele escreve: " Até quando vossos olhos só alcançarão os horizontes marcados pela morte? Quando, enfim, vossa alma quererá lançar-se além dos limites do túmulo? Mas, ainda que tivésseis de sofrer uma vida inteira, que seria isso ao lado da eternidade de glória reservada àquele que houver suportado a prova com fé, amor e resignação? Procurai, pois, a consolação para os vossos males no futuro que Deus vos prepara, e vós, os que mais sofreis, julgai-vos-eis os bem-aventurados na Terra."

           Seremos, pois, bem-aventurados, já na Terra, se soubermos bem sofrer as aflições desse viver, porque o choro não será de revolta, de desespero, de desânimo, mas de alegria pela liberação das impurezas perispirituais e espirituais que provocarão. Então, seremos capazes de dizer: - " Obrigado, meu Deus, por me julgardes digno de libertar-me, agora, de algumas das minhas mazelas, que eu mesmo criei , na infringência de Vossas sábias leis."

           E continua Santo Agostinho, com severidade amorosa, lembrando que quando o Espírito estava no plano espiritual, antes da reencarnação, escolhera sua prova, julgando-se capaz de vencê-la. Por que, pois, reclamar no momento de realizá-la?

           Cita ele os que pediram fortuna e glória , para lutar contra a tentação de usá-los para seu próprio prazer e os que pediram males físicos e morais para lutar com todas as suas forças; sabiam, quando pediram ou aceitaram, que, quanto mais lutassem contra as tentações internas, mais possibilidades teriam de sair vitoriosos, e que a morte poderia deixar sair "uma alma esplendente de alvura, purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento."

           Existe um remédio infalível para aliviar os que sofrem?

           Diz Santo Agostinho: " Um só é infalível: a fé, voltar os olhos para o céu. Se no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, cantardes em louvor ao Senhor, o anjo de vossa guarda vos mostrará o símbolo da salvação e o lugar que devereis ocupar um dia. A fé é o remédio certo para o sofrimento. Ela aponta sempre os horizontes do infinito, ante os quais se esvaem os poucos dias de sombras do presente." " ...Lembrai-vos de que aquele que crê se fortalece com o remédio da fé, e aquele que duvida, um segundo, da sua eficácia é punido, na mesma hora, porque sente, imediatamente, as angústias pungentes da aflição."

           O espiritismo, proporcionando a fé raciocinada, a que se desenvolve pela compreensão e entendimento das leis naturais ou divinas, facilita - e muito! - o desenvolvimento dessa fé, não só aceita pelo sentimento e pelo amor, mas, também pela razão. Essa fé é inquebrantável, mesmo frente aos maiores sofrimentos, aos piores reveses.


Leda de Almeida Rezende Ebner
Fevereiro / 2005
Fonte:http://www.cebatuira.org.br/estudos_detalhes.asp?estudoid=407

Divaldo Franco

Divaldo é um verdadeiro apóstolo do Espiritismo. Dos seus oitenta e quatro anos, sessenta e quatro foram devotados à causa Espírita e às crianças excluídas, das periferias de sua Salvador. Nasceu em 5 de maio de 1927, na cidade de Feira de Santana, Bahia e, desde a infância, se comunica com os Espíritos. Cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário, em 1943. Trabalhou como escriturário no antigo IPASE, em Salvador, aposentando-se em 1980.
É reconhecido como um dos maiores médiuns e oradores Espíritas da atualidade e o maior divulgador da Doutrina Espírita por todo o Mundo.
Seu currículo revela um exímio e devotado educador com mais de seiscentos filhos adotivos e mais de duzentos netos e bisnetos, atendendo atualmente a cerca de três mil crianças, adolescentes e jovens de famílias de baixa renda, por dia, em regime de semi-internato e externato.
Orador com mais de treze mil conferências, em mais de duas mil cidades em todo o Brasil e em sessenta e cinco países dos cinco continentes, tendo concedido mil e quinhentas entrevistas para rádio e TV, no Brasil e no Exterior.
Em 2010 esteve em algumas cidades, por primeira vez, como Dublin, capital da Irlanda; Elche Sur-Azette, em Luxemburgo; Schwarzach, na Alemanha e Villach, na Áustria.
Em meados de 2010, esteve na Rússia, por primeira vez, fazendo contatos com amigos e tentando encaminhar a criação de um núcleo espírita.
 Recebeu mais de seiscentas homenagens, de instituições culturais, sociais, religiosas, políticas e governamentais.
Como médium, publicou duzentos e cinqüenta e cinco livros, com mais de oito milhões de exemplares, onde se apresentam duzentos e onze Autores Espirituais, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universais. Dessas obras, houve versões para dezessete idiomas (alemão, albanês, catalão, dinamarquês, espanhol, esperanto, francês, holandês, húngaro, inglês, italiano, norueguês, polonês, tcheco, turco, russo, sueco e sistema Braille). Existem, ainda, dezessete livros escritos por outros autores, sobre sua vida e sua obra. A renda proveniente da venda dessas obras, bem como os direitos autorais foram doados, em cartório, à Mansão do Caminho e outras entidades filantrópicas.
Espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção em 7 de setembro de 1947.
Dois anos depois, iniciou a sua tarefa de psicografia. Diversas mensagens foram escritas por seu intermédio. Sob a orientação dos Benfeitores Espirituais guardou o que escreveu, até que um dia recebeu a recomendação para queimar tudo o que escrevera até ali, pois não passava de simples exercício. Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos Espíritos, dentre eles: Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como Um Espírito Amigo, ocultando-se no anonimato à espera do instante oportuno para se identificar. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta as pessoas necessitadas dando diretriz espiritual.
Em 1964, Divaldo, sob orientação de Joanna de Ângelis, selecionou várias mensagens de autoria da mentora e enfeixou-as no livro Messe de Amor, que se tornou o primeiro livro psicografado por Divaldo. 

MANSÃO DO CAMINHO

Divaldo Pereira Franco é emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de Salvador, Bahia, com Nilson de Souza Pereira, a Mansão do Caminho, instituição que acolheu e educou crianças sob o regime de Lares Substitutos.
Em vinte Casas Lares, educou mais de seiscentos filhos, hoje emancipados, a maioria com família constituída.
Na década de sessenta, iniciou a construção de escolas, oficinas profissionalizantes e atendimento médico.
Hoje, a Mansão do Caminho é um admirável complexo educacional com 83.000 m2 e cincoenta e duas edificações que atende a três mil crianças e jovens de famílias de baixa renda, na Rua Jaime Vieira Lima, n° 1, Pau da Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador. O complexo atende a diversas atividades socioeducacionais como: enxovais, Pré-Natal, Creche, escolas de ensino fundamental e médio, Informática, Cerâmica, Panificação, Bordado, Reciclagem de Papel, Centro Médico, Laboratório de Análises Clínicas, Atendimento Fraterno, Caravana Auta de Souza, Casa da Cordialidade e Bibliotecas.
Mais de trinta e cinco mil crianças passaram, até hoje, pelos vários cursos e oficinas da Mansão do Caminho. A obra é basicamente mantida com a venda dos livros mediúnicos e das fitas gravadas nas palestras, seminários, entrevistas e mensagens por Divaldo.

HOMENAGENS


Divaldo Franco recebeu homenagens em diversos países e cidades da América do Norte, Central, do Sul, Europa e África:

• 20 Comendas
• 334 Placas de prata, douradas e bronze
• 54 Medalhas
• 49 Troféus
• 43 Moções de Congratulações
• 187 Diplomas e Certificados
• 12 Títulos Honoríficos significativos.
Dentre todas essas maravilhosas homenagens, destacam-se:
• 1991 - Título Honoris Causa em Humanidades, pelo Colégio Internacional de Ciências Espirituais e Psíquicas, em Montreal, Canadá em 23.05.1991.
• 1997 - Decreto de Ordem do Mérito Militar, 31.03.1997, pelo Presidente da República do Brasil.
• 2001 - Medalha Chico Xavier, do Governo do Estado de Minas Gerais.
• 2002 - Título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, pela Universidade Federal da Bahia.
• 2002 - Homenagem da Universidade Estadual de Feira de Santana.
• 2005 - Título de Embaixador da Paz no Mundo, junto com o amigo Nilson de Souza Pereira.

O título foi recebido em Genebra, na Suíça, em 30 de dezembro de 2005, pela Ambassade Universalle Pour la Paix.
Em junho de 2008, em Paigton, no Sudoeste da Inglaterra, recebeu do monge tibetano Kelsang Pawo, da Fundação Kelsang Pawo, que se dedica a proteção de crianças em perigo em todo o mundo, o título de Embaixador da Bondade  no mundo.
Atualizada em 02.01.2012.
Fonte:

 
http://www.divaldofranco.com.br/biografia.php