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segunda-feira, 3 de março de 2014

Prolegômenos, Alguns Comentários

Sérgio Biagi Gregório


INTRODUÇÃO

Allan Kardec, no início de seu prolegômenos, em O Livro dos Espíritos, diz que cabe à ciência espírita estudar os fenômenos que a ciência natural não consegue explicar. Para demonstrar que há Espíritos, e que eles podem se comunicar com os seres humanos, reporta-se ao princípio de que "todo o efeito inteligente tem que uma força inteligente". Afirma também que os fatos hão provado que essa força é capaz de entrar em comunicação com os seres humanos. Ainda mais: quando interrogada, essa força diz pertencer ao mundo espiritual dos desencarnados. Daí, a inexistência do sobrenatural, pois todas as comunicações mediúnicas são perfeitamente naturais. A tese da "invasão organizada", defendida por Arthur Conan Doyle, explicita bem esse raciocínio. Por fim, diz que O Livro dos Espíritos é um compêndio, ditado pelos Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, LIVRE DO ESPÍRITO DE SISTEMA.

Prolegômenos – Estudo preliminar, introdutivo e simplificado. Segundo a etimologia grega, é o que é dito anteriormente: introdução ou exposição preliminar antes do desenvolvimento de uma teoria.

Comentamos, a seguir, em vermelho, a mensagem dada pelos Espíritos a Allan Kardec.

Eis os termos em que nos deram por escrito e por meio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro.

"Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias.

Comentário: se Allan Kardec não fosse perseverante, se não aplicasse todos os seus recursos pessoais, toda a sua potencialidade nesta obra, com certeza ela não estaria concluída.


"Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.


Comentário: Allan Kardec recebeu apoio do plano espiritual, que lhe criou condições que pudesse se concentrar na realização desta obra, ou seja, na publicação dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita.



"Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos.

Comentário: tudo deve chegar a seu tempo. Os Espíritos superiores sabem encaminhar os acontecimentos para que o fim (Doutrina dos Espíritos) seja alcançado. Antes da publicação, incentivam o codificador a se fortalecer para suportar as dificuldades que hão de vir, pois toda a ideia nova traz como conseqüência contrariedades, confusões e lutas.


"Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.

Comentário: o ramo da videira é a imagem perfeita da relação Espírito-Matéria. Neste ramo estão os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, ou seja, a união do Espírito ao corpo físico, através do perispírito. Se todos nós tivéssemos consciência dessa relação trinária, com certeza atuaríamos com mais responsabilidade em todas as nossas tarefas.


"Não te deixes desanimar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse nos abusos. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, por isso que os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram freqüentemente semear a dúvida por malícia ou ignorância. Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que aVerdade brilhará de todos os lados.

Comentário: os Espíritos superiores, prevendo as críticas e, com elas, o desencorajamento, municiaram-no de palavras de reconforto. Repitamos: "Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a Verdade brilhará de todos os lados".

"A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno, que prenderá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial. E a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores.


Comentário: diz-se que "a verdade não é monopólio de ninguém, mas patrimônio comum das inteligências". Todos os que forem sinceros e honestos para consigo mesmos, render-se-ão aos fatos. Há, na história do Espiritismo, inúmeros casos que comprovam esta tese. Muitos cientistas foram para desmascarar o fenômeno. Como não encontraram as provas necessárias, acabaram se tornando espíritas. Somente os vaidosos acabam se apegando ao seu próprio parecer; não cedem de maneira nenhuma. Os seres humanos, de mente aberta, estão sempre prontos para a mudança.



"Com perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado.


Comentário: os Espíritos superiores advertem-no acerca da perseverança. Eles dizem: "É possível que não perceba, de pronto, o alcance desta obra, mas o futuro lhe dará a resposta".



"Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz."


Comentário: os Espíritos de luz invocam a humildade e o desinteresse, repudiando o orgulho e a ambição, pois quando o ser humano vale-se da religião para atingir os seus interesses materiais e pessoais, põe por terra a sua ética. É por isso que a humildade é o fundamento de todas as virtudes. Somente ela pode nos fornecer condições de conhecer a nossa própria potencialidade.



São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg etc.


Comentário: os Espíritos, após o desencarne, não pertencem necessariamente a uma religião dogmática. Por isso, vendo as coisas com mais clareza, percebem a verdade com mais acuidade.


CONCLUSÃO


Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, fugiu do ESPÍRITO DE SISTEMA. O espírito de sistema é obedecer à ideia de um filósofo, de um religioso, de um determinado pensador. Sabemos que todos eles, por mais apoio que tenham recebido dos Espíritos de luz, são limitados. Quanto à Doutrina Espírita, que é obra de diversos Espíritos e diversos médiuns espalhados por todo o mundo, podemos ter certeza da impessoalidade das ideias veiculadas.

Estas foram as orientações dadas a Allan Kardec para que o edifício doutrinário fosse construído sobre um arcabouço firme, tanto teórico quanto prático. Deduz-se que, se a base é sólida, todo o conhecimento posterior pode lhe ser acrescentado, sem ruí-la, mas fortificando-a.

São Paulo, 24 de abril de 2009

A Parábola do Filho Pródigo - A Lei dos Ciclos

Maximino Paulo Vanin
O Espiritismo será a Religião do futuro? Não. O Espiritismo será o futuro das religiões. EMMANUEL.
Deixemos que o evangelista nos conte, mais uma vez, sua linda mensagem de esperança para todos nós, peregrinos há muito desgarrados e humilhados em terra distante, que ansiamos voltar à Casa do Pai:
“Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe.’ E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua a ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome, e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas (cascas) que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos servos de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou mais digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados.’ Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda longe, quando o seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então. Disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.’ Mas o pai disse aos seus servos; ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, pode-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejamos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festa. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto da casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.’ Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois este teu irmão estava morto e tornou a viver, ele estava perdido e foi reencontrado.” JESUS, em Lucas, 15:11 a 32.
Para a maior parte dos cristãos, que por diversas vezes ouviram referências a essa parábola em sermões dominicais, a história significa pouco mais do que a infinita generosidade do Pai, que recebe de braços abertos o filho pródigo que saiu de sua casa para entregar-se à devassidão, dissipando sua herança. É mais uma lembrança de que o erro não compensa, mas que, em última análise, se tivermos a desgraça de cair no pecado (e quem não caiu incontáveis vezes?) podemos, por meio da verdadeira contrição, ser perdoados e recebidos de novo pelo Pai.
Essa interpretação singela tem seus méritos e satisfaz a grande massa dos fiéis. Mas existe muito mais riqueza por trás dessa parábola, que é um verdadeiro exemplo de quantos ensinamentos podem estar velados na linguagem do simbolismo.
O respeitado pesquisador e autor Geoffrey Hodson afirma que essa parábola pode ser interpretada tanto do ponto de vista macro como do microcósmico, pois todas as alegorias apresentadas na linguagem sagrada são passíveis de diferentes níveis de interpretação. Isso se deve à natureza essencial da unidade de toda a manifestação, desde o infinitamente grande até o infinitamente pequeno, tanto nos planos mais elevados como nos mais grosseiros. Esse é o sentido de o homem ter sido criado à imagem e semelhança da Inteligência Suprema. Visto de outro ângulo, o homem é aquele ser em que o Espírito mais elevado e a matéria mais densa estão unidos pela mente.
- Os Espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza agem com conhecimento de causa em virtude de seu livre-arbítrio, ou por um impulso instintivo e irrefletido?
- Uns, sim; outros, não. Faço uma comparação: figurai essas miríades de animais que pouco a pouco fazem surgir do mar as ilhas e os arquipélagos; acreditais que não há nisso um objetivo providencial e que essa transformação da face do globo não seja necessária para a harmonia geral? São, entretanto, animais do último grau os que realizam essas coisas, enquanto vão provendo às necessidades e sem perceberem que são instrumentos da Inteligência Suprema. Pois bem, da mesma maneira os Espíritos mais atrasados são úteis ao conjunto; enquanto eles ensaiam para a vida, e antes de terem plena consciência de seus atos e de seu livre-arbítrio, agem sobre certos fenômenos de que são agentes sem o saberem. Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; mais tarde ainda, poderão dirigir as coisas do mundo moral. É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável Lei de Harmonia, de que o vosso Espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto!” ALLAN KARDEC, em O Livro dos Espíritos, questão 540.
Segundo o mesmo autor, a parábola do filho pródigo descreve, de forma simplificada, o processo cíclico de descida consciente da vida do Logos à matéria e seu eventual retorno à origem, à casa do Pai, devidamente enriquecida pela experiência do processo, como simbolizado pelas boas-vindas concedidas pelo pai a seu filho. (...).
Está implícito que a descida do “filho” de sua morada celestial de eterna harmonia e bem-aventurança obedece a um desígnio da maior transcendência e não representa uma atitude de rebeldia ou de desrespeito, mas, ao contrário, é um ato de total obediência à vontade do Pai. RAUL BRANCO, em os Ensinamentos de Jesus e a tradição esotérica cristã – As chaves que abrem o Reino dos Céus na Terra, Parte III. O processo de retorno à Casa do Pai, Cap 7, Editora Pensamento/1999
(Publicado no Boletim GEAE Número 389 de 18 de abril de 2000)
Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/a-parabola-do-filho.html

sábado, 1 de março de 2014

Doação de sangue:o Evangelho do Cristo em ação

Os jornais noticiam a todo o momento a necessidade do ato verdadeiramente cristão da doação de sangue, desde que os hospitais, principalmente os de emergência carecem do precioso líquido imprescindível à vida. Infelizmente, a ação doadora que deveria ser rotineira passou a ser exceção. Por quê? Como explicar, sob o ponto de vista espiritual, ser precisa a comunicação constante da mídia, convocando a população para se engajar na prática grandiosa da doação? Por que o descaso e a inércia diante do sofrimento alheio?
A Doutrina Espírita ensina que vivemos em um planeta, denominado de provas e expiações, correspondente a uma estância importantíssima, destinada ao nosso aprimoramento e aprendizado espiritual, desde que nos encontramos em uma fase incipiente na evolução do espírito, transitando essencialmente pelas trilhas da ignorância, presos ainda às algemas do desamor, cativos da insensibilidade e subjugados à tirania do egoísmo avassalador.
Como prepotentes e orgulhosos, nos julgamos proprietários contumazes do planeta, parecendo desconhecer que a nossa morada se apresenta insignificante diante da grandeza do universo. É importante considerar que a Terra é um ponto minúsculo em nossa galáxia, comparado a um pequeníssimo grão de areia no deserto, sabendo que a Via Láctea contém cerca de 200 bilhões de estrelas. Ao mesmo tempo a nossa galáxia, igualmente, se revela modesta diante da imensidade cósmica, constituída de 125 bilhões de galáxias.
Em verdade o universo espelha, em sua complexidade, beleza e harmonia, a existência de uma “inteligência” que não pode ser atribuída ao nada, ao acaso. Na realidade, a presença da Divindade Superior é imanente a todos nós, considerando-A como causa inteligente de todas as coisas.
Um mestre, que já possui a plenitude cósmica, disse que somos também deuses (João, 10:34) e que o Reino de Deus está dentro de nós (Lucas 17:21). Denomina Deus de “Meu Pai” e afirma que na casa de Seu Pai (universo) há muitas moradas (João, 14:2). Portanto, como filhos do Altíssimo e coirmãos de Jesus, somos herdeiros desse grandioso oceano de estrelas, responsáveis pela vida que pulula nos mundos incalculáveis que circulam no espaço infinito.
Como conquistaremos o universo? Pelas vias físicas é impossível, desde que, se fosse possível, viajar de um extremo a outro de nossa galáxia, na velocidade da luz, levaríamos 100.000 anos. Para chegarmos apenas à Andrômeda, a galáxia mais próxima da Via Láctea gastaríamos mais de 2 milhões de anos cruzando o espaço sideral.
Jesus disse que o seu reino não é deste mundo (João 18:33). Para compreender e habitar o universo, necessário se torna galgar os degraus da evolução espiritual, através das inúmeras oportunidades que a reencarnação nos proporciona.
O Novo Testamento diz que “Deus é Amor”. Para nos elevar espiritualmente, é preciso praticar sempre o bem, cultivando o amor nas terras áridas do nosso interior.
Paulo afirmou com muita propriedade: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tamanha fé a ponto de transportar montes, se não tiver caridade (amor em ação) nada serei” (1º Co. 13:2).
O Cristo ressaltou que o óbolo da viúva foi ofertado com seu próprio sacrifício, já que sua dádiva foi retirada do seu sustento e lhe faria falta (Lucas 21:4). O Mestre reafirmou que o bem que façamos a outrem deve ser realizado em segredo, isto é, sem ostentação: “Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita (Mateus 6:4). Jesus também considerou que, além de amarmos o Pai, deveríamos amar o nosso próximo, assim como a nós mesmos (Mateus 22:38-39).
A doação de sangue está claramente contida nesses ensinamentos crísticos. Estaremos ofertando o que realmente possuímos, o que para muitas pessoas erroneamente faria falta a nosso organismo. Certamente os que têm medo de doar seu sangue fariam intenso sacrifício e sua dádiva seria análoga à de pobre viúva, citado no Evangelho. Ao mesmo tempo o próximo que receberá nosso sangue, que talvez seja uma forma de salvá-lo dentro de uma emergência médica, não tomará conhecimento de quem foi o “samaritano” que lhe doou o precioso líquido, vital para a sua sobrevivência.
Quem sabe estaremos em nosso lar, vivenciando um momento de desânimo e receberemos as vibrações de gratidão da vida, mudando todo o nosso interior? Quem sabe se desprendidos do corpo físico, durante o repouso noturno, estaremos presenciando e participando da vitória da caridade sobre o mal, em um leito de dor?
É importante frisar que a doação de sangue é realizada com material descartável, em bancos de sangue idôneos, sem possibilidade de se contrair qualquer enfermidade. Ao mesmo tempo quem doa sofre uma intensa renovação de seu sangue, tornando-se novos e saudáveis glóbulos sanguíneos. Outra vantagem é de nosso sangue passar por um verdadeiro “check-up” gratuito, onde o laboratório fará inúmeras análises, descartando muitas doenças latentes.
Queridos irmãos, vamos doar sangue!  Em nossos locais de trabalho e em nossas instituições religiosas incentivemos a doação, constando-a em nossos programas caritativos.
No livro “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran, encontramos um profundo ensinamento: “Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando dardes de vós próprios que realmente dais”.
E, em nosso íntimo, ressoarão as palavras do nosso querido Mestre Jesus: “Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.” (Mateus 25:40).
Fonte:http://www.oconsolador.com.br/ano2/96/americo_nunes.html

Ofensas

"O mal então desapareceria, ficai bem certos."
(Allan Kardec E.S.E. Capítulo XI, Item 12). 

Sem que o desejasse, você foi o veículo inconsciente da animosidade. 

Impensadamente, você plasmou o petardo da infâmia, atirando-o aos ouvidos aguçados de companheiros levianos, que o reproduziram adiante. 

Embora infundada, você repetia a referência que lhe deram. 

Você não pretendia ferir; até mesmo buscava ajudar. Mas feriu. Num momento impensado, atingiu a sensibilidade do amigo que agora lhe volta a face com rancor. 
Certamente, vocé não acha justo. E não o é. 
Todavia, o tropeço na estrada atira o corpo ao chão. 
O descuido do engenheiro retira a segurança da construção. 
Você dirá que não foi intencional e o diz bem. Não pretendia ultrajar. Mesmo assim, há-de convir em que o pequeno talho na pele é porta aberta à infecção. 
A minúscula picada do anófele injeta o hematozoário da febre palustre. 

Existem almas doentes que preferem recolher calhaus a descobrir as flores da vida. 
Sofrem muito e agravam os próprios sofrimentos, demorando-se encasteladas no "estou com a razão". 
Rogam um mundo de seres perfeitos. 
Amarguram a existência, sorvendo o fel que escorre, abundante, em forma de lágrimas. 
Não conseguem desculpar nem compreender. 
Constrangem-se e fogem, ficando deslocadas. 
Brincam, mas não toleram gracejos. 
Zombam, todavia não admitem apontamentos. 
Merecem e necessitam de compreensão. 

Se algum amigo se afastou, agastado, de seu, círculo, sindique a consciência e, se ela o acusa, busque o companheiro retraído e desculpe-se, enquanto é cedo. 
Não procure saber os motivos do constrangimento. 
Distenda um coração gentil, ofereça ânimo novo, demonstre, com naturalidade, que tudo está como anteriormente. 
Uma expressão delicada consegue milagres. 
Um gesto de escusas representa muito. 
Você não tem o direito de roubar a alegria do próximo. 
Evite, então, qualquer palavra ríspida e esforce-se para reprimir toda referência pouco digna. 
Exercitando-se nas bagatelas de sacrifício, você atingirá o cume do supremo esforço pela paz de nossos irmãos na Terra, coroando de bênçãos seu próprio labor na conjugação do verbo "acertar", verificando que o "mal então desaparecerá". 




Autor: Marco Prisco
Psicografia de Divaldo Franco
Fonte:http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=455

Perante o Sexo

Nunca escarneça do sexo, porque o sexo é manancial de criação divina, que não pode se responsabilizar pelos abusos daqueles que o deslustram. 

Psicologicamente, cada pessoa conserva, em matéria de sexo, problemática diferente. 

Em qualquer área do sexo, reflita antes de se comprometer, de vez que a palavra empenhada gera vínculos no espírito. 

Não tente padronizar as necessidades afetivas dos outros por suas necessidades afetivas, porquanto o amor seja luz uniforme e sublime em todos, o entendimento e posição do amor se graduam de mil modos na senda evolutiva. 

Use a consciência, sempre que se decidir ao emprego de suas faculdades genésicas, imunizando-se contra os males da culpa. 

Em toda comunicação afetiva, recorde a regra áurea: "não faça a outrem o que não deseja que outrem lhe faça". 


O trabalho digno que lhe assegure a própria subsistência é sólida garantia contra a prostituição. 


Não arme ciladas para ninguém, notadamente nos caminhos do afeto, porque você se precipitará dentro delas. 


Não queira a sua felicidade ao preço do alheio infortúnio, porque todo desequilíbrio da afeição desvairada será corrigida, à custa da afeição torturada, através da reencarnação. 


Se alguém errou na experiência sexual, consulte o próprio íntimo e verifique se você não teria incorrido no mesmo erro se tivesse oportunidade. 

Não julgue os supostos desajustamentos ou as falhas reconhecidas do sexo e sim respeite as manifestações sexuais do próximo, tanto quanto você pede respeito para aquelas que lhe caracterizam a existência, considerando que a comunhão sexual é sempre assunto íntimo entre duas pessoas, e, vendo duas pessoas unidas, você nunca pode afirmar com certeza o que fazem; e, se a denúncia quanto à vida sexual de alguém é formulada por parceiro ou parceira desse alguém, é possível que o denunciante seja mais culpado quanto aos erros havidos, de vez que, para saber tanto acerca da pessoa apontada ao escárnio público, terá compartilhado das mesmas experiências. 


Em todos os desafios e problemas do sexo, cultive a misericórdia para com os outros, recordando que, nos domínios do apoio pela compreensão, se hoje é seu dia de dar, é possível que amanhã seja o seu dia de receber. 



Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Do livro: Sinal Verde
Fonte:http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=341