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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Transplantes na concepção espírita

Nas práticas médicas de todas as especialidades , o transplante de órgãos é a que demonstra com maior clareza a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix: o mitológico pássaro símbolo da renovação do tempo e da vida após a morte.(1)
A temática "doação de órgãos e transplantes" é bastante coetâneo no cenário terreno. Sobre o assunto as informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais não são abundantes. O projeto genoma, as investigações sobre células-tronco embrionárias e outras sinalizam o alcance da ciência humana. Os transplantes , em épocas recuadas repletas de casos de rejeição, tornaram-se práticas hodiernas de recomposição orgânica. O esmero "in-vivo" de experiências visando regeneração de células e a perspectiva de melhoria de vida caminham adiante , em que pese às pesquisas ensaiarem, ainda, as iniciantes marchas. Isso torna auspiciosa a expectativa da ciência contemporânea. Contudo, o receio do desconhecido paira no imaginário de muitos.
Alguns espíritas recusam-se a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne, alegando que Chico Xavier não era favorável aos transplantes. Isso não é verdade! Mister esclarecer que Chico Xavier quando afirmou "a minha mediunidade, a minha vida, dediquei à minha família, aos meus amigos,ao povo. A minha morte é minha. Eu tenho este direito. Ninguém pode mexer em meu corpo; ele deve ir para a mãe Terra", fê-lo porque quando ainda encarnado Chico recebeu várias propostas [inoportunas] para que seu cérebro fosse estudado após sua desencarnação. Daí o compreensível receio de que seu corpo fosse profanado nesse sentido.
Não podemos esquecer que se hoje somos potenciais doadores, amanhã, poderemos ser ou nossos familiares e amigos potenciais receptores. "Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas para quem está esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida!"(2) Joanna de Angelis sabendo dessa importância ressalta "(...) Verdadeira bênção, o transplante de órgãos concede oportunidade de prosseguimento da existência física, na condição de moratória, através da qual o Espírito continua o périplo orgânico. Afinal, a vida no corpo é meio para a plenitude - que é a vida em si mesma, estuante e real" (3)
Em entrevista à TV Tupi em agosto de 1964, Francisco Cândido Xavier comenta que o transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante. Os Espíritos, segundo Chico Xavier, não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito. (4)
A doação de órgãos para transplantes é perfeitamente legítima. Divaldo Franco certifica: se a misericórdia divina nos confere uma organização física sadia, é justo e válido, depois de nos havermos utilizado desse patrimônio, oferecê-lo, graças as conquistas valiosas da ciência e da tecnologia, aos que vieram em carência a fim de continuarem a jornada(5)
Não há, também, reflexos traumatizantes ou inibidores no corpo espiritual, em contrapartida à mutilação do corpo físico. O doador de olhos não retornará cego ao Além. Se assim fosse, que seria daqueles que têm o corpo consumido pelo fogo ou desintegrado numa explosão?(6)
Quando se pode precisar que uma pessoa esteja realmente morta? conforme a American Society of Neuroradiology morte encefálica é o estado irreversível de cessação de todo o encéfalo e funções neurais, resultante de edema e maciça destruição dos tecidos encefálicos apesar da atividade cardiopulmonar poder ser mantida por avançados sistemas de suporte vital e mecanismo e ventilação".(7)
A grande celeuma do assunto é a morte encefálica, na vigência da qual órgãos ou partes do corpo humano são removidos para utilização imediata em enfermos deles necessitados. Estar em morte encefálica é estar em uma condição de parada definitiva e irreversível do encéfalo, incompatível com a vida e da qual ninguém jamais se recupera.(8)  Havendo morte cerebral, verificada por exames convencionais e também apoiada em recursos de moderna tecnologia, apenas aparelhos podem manter a vida vegetativa, por vezes por tempo indeterminado. É nesse estado que se verifica a possibilidade do doador de órgãos "morrer" e só então seus órgãos podem ser aproveitados - já que órgãos sem irrigação sangüínea não servem para transplantes. Seria a eutanásia? Evidentemente que caracterizar o fato como tal carece de argumentação científica (...) para condenarem o transplante de órgãos: a eutanásia de modo algum se encaixaria nesses casos de morte encefálica comprovada.(8)
A medicina, no mundo todo, tem como certeza que a morte encefálica, que inclui a morte do tronco cerebral(10), só terá constatação através de dois exames neurológicos, com intervalo de seis horas, e um complementar. Assim, quando for constatada cessação irreversível da função neural, esse paciente estará morto, para a unanimidade da literatura médica.
Questão que também amiudemente é levantada é a rejeição do organismo após a cirurgia. Chico Xavier nos vem ao auxílio, explicando: André Luiz considera a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o órgão do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão perispiritual provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir.(11) Especialistas, a partir de 1967, desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando então os receptores de órgãos a terem uma maior sobrevida.(12) Estatisticamente, o que há é que a taxa de prolongamento de vida dos transplantes é extremamente elevada. Isso graças não só às técnicas médicas, sempre se aperfeiçoando, mas também pelos esquemas imunossupressores que se desenvolveram e se ampliaram consideravelmente, existindo atualmente esquemas que levam a zero por cento (0%) a rejeição celular aguda na fase inicial do transplante, que é quando ocorrem.(13)
André Luiz explica que quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo laboratorialmente para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada em outro organismo [por transplante, por exemplo], tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e a seguir coordenará sua trajetória.(14) Condição essa corroborada por Joanna de Angelis quando expõe: (...) transferido o órgão para outro corpo, automaticamente o perispírito do encarnado passa a influenciá-lo, moldando-o às suas necessidades, o que exigirá do paciente beneficiado a urgente transformação moral para melhor, a fim de que o seu mapa de provações seja também modificado pela sua renovação interior, gerando novas causas desencadeadoras para a felicidade que busca e talvez ainda não mereça.(15)
Os Espíritos afirmaram a Kardec que o desligamento do corpo físico é um processo altamente especializado e que pode demorar minutos, horas, dias, meses.(16) Embora com a morte física não haja mais qualquer vitalidade no corpo, ainda assim há casos em que o Espírito, cuja vida foi toda material, sensual, fica jungido aos despojos, pela afinidade dada por ele à matéria. (17) Todavia, recordemos de situação que ocorre todos os dias nas grandes cidades: a prática da necropsia, exigida por força da Lei, nos casos de morte violenta ou sem causa determinada: abre-se o cadáver, da região esternal até o baixo ventre, expondo-se-lhe as vísceras toracoabdominais.(18) Não se pode perder de vista a questão do mérito individual. Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, em cremar-lhes o corpo ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necropsia?! O bom senso e a razão gritam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!(19)
Em síntese, a doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Orbe à deriva da Sua Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Pai não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (façanha da ciência humana) é valiosa oportunidade dentre tantas outras colocadas à nossa disposição para o exercício da amor.
FONTES:

1- Mário Abbud Filho Ex-Presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto.Membro da American Society Transplant Physician. Membro da International Transplantation Society, disponível acesso em 12/04/2005
2- In Doação de Órgãos e Transplantes de Wlademir Lisso / Cleusa M. Cardoso de Paiva, disponível acesso em 15/04/2004
3- Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis. Salvador/Ba: Ed. LEAL, 1999, Cf. Cap. Transplantes de Órgãos
4- Publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38
5- Franco, Divaldo Pereira. Seara de Luz, Salvador: Editora LEAL [o livro apresenta uma série de entrevistas ocorridas com Divaldo entre 1971 e 1990.]-
6- Simonetti, Richard. Quem tem medo da morte? - São Paulo /SP: Editora Lumini ,2001
7- In: "Dos transplantes de Órgãos à Clonagem", de Rita Maria P.Santos, Ed. Forense, Rio/RJ, 2000, p. 41
8- Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998
9- Idem
10- O tronco cerebral, e não o coração, é reconhecido como o organizador e "comandante" de todos os processos vitais. Nele está alojada a capacidade neural para a respiração e batimentos cardíacos espontâneos; sem tronco ninguém respira por si só.
11- Cf. Revista Espírita, Allan Kardec, ano X, n°38
12- Folha de S.Paulo, A3, "Opinião", 15.Maio.2001
13- Entrevista com o Prof. Dr. Flávio Jota de Paula Médico da Unidade de Transplante Renal do HC/FMUSP. 1º Secretário da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Diretor da I Mini Maratona de Transplantados de Órgãos do Brasil. Publicado em Prática Hospitalar ano IV n º 24 nov-dez/2002
14- Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos - Ditado pelo Espírito André Luiz. 5ª Ed. Rio de Janeiro, RJ: Ed FEB, 1972, cap. "Células e Corpo Espiritual"
15- Franco, Divaldo Pereira. Dias Gloriosos, Ditado pelo Espírito Joana de Angelis. Salvador: Ed. LEAL, 1999
16- Kardec, Allan,. O Livros dos Espíritos, RJ: Ed FEB/2003, questão n° 155, Cap. XI.
17- Kühl Eurípedes DOAÇÃO DE ÓRGÃOS TRANSPLANTES Entrevista Virtual disponível acesso em 24/04/2005
18- Cf. Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998
19- Bezerra, Evandro Noleto. Transplante de Órgãos na Visão Espírita, publicado na Revista Reformador- outubro/1998  
Fonte:http://www.oconsolador.com.br/4/jorgehessen.html

DOAÇÃO DE ORGÃOS SOB A VISÃO ESPÍRITA

(Apresentado ao público na Tribuna Jovem da Sociedade Espírita Círculo da Luz, em Porto Alegre/RS, em 31/10/ 2003) 

1. Há nas Obras Básicas da Doutrina Espírita algum indicativo à doação de órgãos? 
O que o Espiritismo diz quanto a doação de órgãos? 
Na época de Allan Kardec, este assunto não era cogitado. 

2. Qual a diferença entre morte e desencarnação? 
A morte é biológica, a desencarnação é psíquica (apego à matéria). 

3. Para que doar órgãos? 
Para permitir que o nosso semelhante possa continuar vivendo no plano físico. 

4. Que órgãos podem ser doados e quais os possíveis em vida? 
Rim, parte do fígado e pulmão e medula óssea (em vida) 
Rins, fígado, coração, pâncreas, pulmões, intestinos. Tecidos: Córneas e outros como pele, vasos sangüíneos, tendões e ossos . (após a morte) 

5. Quando o corpo para de funcionar, já não precisamos de nossos órgãos? 
Após a morte biológica não nos são mais úteis os órgãos. 

6. Quanto tempo recomenda-se, após a morte, para retirar os órgãos do doador? 
48 a 72 horas 

7. Existe um momento certo para cremar um corpo? 
Não, depende do grau de desprendimento do espírito. Por prevenção recomenda-se 72 horas de espera. 

8. Quanto tempo demoramos para nos desligar completamente do corpo material (desencarnação)? 
O tempo proporcional ao nosso apego material. 

9, Mesmo depois da morte, sente-se dor quando é feita a retirada dos órgãos? 
O Espírito desencarnado sofre com a extração dos órgãos, na autópsia ou na cremação? 
Sim, quando não ocorreu a desencarnação. 

10. Em que momento os médicos liberam os órgãos para a doação após a morte? 
Após aplicado o teste de apnéia (10 minutos), e constatada a morte tronco-encefálica. 

11 O estado de morte tronco-encefálica é um momento seguro para se fazer a retirada de órgãos para transplantes, sem perturbar o Espírito do doador? 
No atual estágio da medicina humana ainda é o melhor método de avaliação clínica, porém no futuro será aperfeiçoada para garantir absoluta segurança ao doador. 

12.Quando podemos saber se os órgãos de um familiar que está em coma podem ser doados? 
Estado de coma não é estar morto, portanto não deve doar os órgãos imprescindíveis à vida, somente quando constatada a morte tronco-encefálica. 

13.Num caso em que a família opta pela doação, mas seu ente querido, desinformado sobre a continuação da vida, nunca comentou com alguém sobre isso, como ele se sentiria no plano espiritual? 
Num primeiro momento, uma sensação desagradável, porém a seguir compreenderia o bem que foi feito e felicidade pessoal. 

14, A doação de órgãos pode causar obsessão? 
Excepcionalmente quando o espírito (doador), for endurecido ou muito apegado à matéria. 

16. As emoções e sentimentos, defeitos e qualidades influenciam o comportamento do receptor? 
Há pessoas que mudam de comportamento ao receberem um órgão. Por que? 
Impressão psicológica. Nada a ver com o órgão doado. 

17.Existe algum tipo de assistência por parte do plano espiritual em conseqüência da doação? 
Normalmente, sim. 

18. Doar órgãos pode trazer alguma complicação para o Espírito após o desencarne? 
Somente percepções psíquicas que desaparecem após auxílio e compreensão. 

19.O que acontece com o nosso perispírito em caso da doação dos órgãos? 
Permanece inalterado. 



20. Segundo alguns, quando se doa órgãos, o perispírito é lesado e ainda causa influência na próxima encarnação. André Luiz, por exemplo, levou as impressões de câncer de intestino para o mundo espiritual. Se levamos os estigmas das doenças, também levaríamos a retirada dos órgãos e o Espírito sofreria horrores. Mesmo quando é constatada a morte cerebral, o espírito continua no corpo e sofre por isso? 
Como já foi dito, o perispírito não sofre lesões com a doação de órgãos, assim como com cirurgias no plano físico. A má utilização do nosso organismo é que efetivamente lesiona nosso perispírito para futuras reencarnações. Após a morte do corpo físico, o espírito poderá ou não estar junto ao seu corpo, dependendo de seu apego à matéria 

21. Havendo tanta controvérsia ao padrão da morte cerebral, o que nos coloca a questão da incerteza se o Espírito já se acha desligado da matéria, será que a doação de órgãos alcançará maiores resultados quando os médicos do futuro puderem trabalhar também no plano espiritual? 
Certamente. 

22. O que alteraria, em relação ao planejamento espiritual, na existência da pessoa que vai receber um órgão? 
Maior tempo no plano físico para refletir sobre sua vida e uma nova oportunidade para cumprir sua programação evolutiva. 

23. A pessoa que recebe a doação de um órgão fica com algum vínculo com o perispírito do doador? 
Não, a não ser que seja impressionável e, nesse aspecto, apenas psicológica. 

24. Por que alguns transplantes são rejeitados? 
Quando ocorre a rejeição, isso pode ser relacionado ao fato do Espírito doador não estar preparado para isso? 
A rejeição dos órgãos ocorre devido à incompatibilidade existente entre o fluido vital do doador e do receptor? 
A rejeição está diretamente vinculada ao merecimento do doador e dos níveis vibratórios do doador/receptor. 

25. Uma pessoa que se suicidou, mas deixa uma carta doando seus órgãos, é culpada ou inocente? 
Continua sendo um suicida. Seu gesto amenizará o sofrimento. 

26.Segundo o pesquisador e projeciologista Waldo Vieira, não seria aconselhável a recepção de órgãos de suicidas em um transplante, devido a graves prejuízos para o psiquismo do transplantado. O que pensar disso? 
Se o receptor for equilibrado e esclarecido sobre o assunto e tiver merecimento suplantará esta influência psíquica. 

27.Com relação às possíveis complicações de um doador suicida, a Espiritualidade amiga não poderia atuar de forma a harmonizar essas energias, para que esta pudesse se tornar compatível com o receptor, sem danos maiores? 
Esta situação ocorre freqüentemente permitindo a compatibilidade. 

28.É ético um casal optar por ter mais de um filho apenas em decorrência da necessidade de se encontrar um doador de medula para um outro filho com leucemia? 
Permitir a reencarnação sempre é um ato nobre e valioso a um espírito. 

29. A que conseqüência espiritual estaria sujeito um doador que vendesse um rim para um receptor necessitado? 
A intenção do doador é que será avaliada. 

30. Qual a posição de Chico Xavier em relação à doação de órgãos? 
Chico Xavier optou por não ser um doador de órgãos. 

31.Por que alguns espíritas recusam-se a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após o desencarne? 
Questão de foro íntimo. 

32.Quem está e quem não está preparado para doar órgãos ao morrer? 
As pessoas conscientes de sua decisão e com o firme propósito de auxiliar seus irmãos. 

33.Como devo expressar meu interesse em ser doador? 
Informe sua família sobre seu desejo de ser doador de órgãos. Não é necessário qualquer registro em nenhum documento. O mais importante é comunicar em vida sua vontade pela doação. 

Mauro Pilla 
Instrutor da Escola Básica de Espiritismo da SECL e Expositor Espírita 
Fonte:http://www.mundoespirita.net/doaccedilatildeo-de-orgatildeos.html

Eutanásia

O QUE O ESPIRITISMO DIZ A RESPEITO DA EUTANÁSIA
O espiritismo tem opinião clara quanto à eutanásia. Vejamos o que nos esclarece o "Evangelho Segundo o Espiritismo": 28. Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?
"Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até à borda do fosso, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar idéias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?
Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.
O materialista, que apenas vê o corpo e em nenhuma conta tem a alma, é inapto a compreender essas coisas; o espírita, porém, que já sabe o que se passa no além-túmulo, conhece o valor de um último pensamento. Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro." - S. Luís. (Paris, 1860.) Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V
Como vimos, é extremamente importante respeitar a vontade divina; É importante termos consciência de que a ciência não tem domínio absoluto sobre as previsões de recuperação ou não do doente. Além disso, todo o processo ao qual passamos durante o desenlace é fundamental e, às vezes, o último minuto é o que precisamos para despertarmos nossa consciência, momento esse que não existiria, no caso do abreviamento do momento do desencarne, ficando privados da oportunidade de entrar em uma condição melhor no plano espiritual.
Vejamos a explicação dos espíritos a respeito da decisão de abreviarmos nossa própria existência em situações de sofrimento, dada pelo "Evangelho Segundo o espiritismo" e o "Livro dos Espíritos":

29. Aquele que se acha desgostoso da vida mas que não quer extingui-la por suas próprias mãos, será culpado se procurar a morte num campo de batalha, com o propósito de tornar útil sua morte? 
"Que o homem se mate ele próprio, ou faça que outrem o mate, seu propósito é sempre cortar o fio da existência: há, por conseguinte, suicídio intencional, se não de fato. É ilusória a idéia de que sua morte servirá para alguma coisa; isso não passa de pretexto para colorir o ato e escusá-lo aos seus próprios olhos. Se ele desejasse seriamente servir ao seu país, cuidaria de viver para defendê-lo; não procuraria morrer, pois que, morto, de nada mais lhe serviria. O verdadeiro devotamento consiste em não temer a morte, quando se trate de ser útil, em afrontar o perigo, em fazer, de antemão e sem pesar, o sacrifício da vida, se for necessário. Mas, buscar a morte com premeditada intenção, expondo-se a um perigo, ainda que para prestar serviço, anula o mérito da ação." - S. Luís. (Paris, 1860) 
Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V


953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
"É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?"


a) - Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes. 
"É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador."


b) - Quais, nesse caso, as conseqüências de tal ato? 
"Uma expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias." 
Livro dos Espíritos, pergunta número 953

André Luiz, no livro "Obreiros da vida eterna" nos fornece um importante relato do que ocorre realmente com o corpo físico e espiritual em casos em que o momento da morte é abreviado propositadamente através de químicos:
"- Beneficiemos o moribundo, por sua vez, empregando medidas drásticas. O doutor pretende impor-lhe fatal analgésico. [instrutor Jerônimo]
Atendendo-lhe a ordem, segurei a fronte do agonizante, ao passo que ele lhe aplicava passes longitudinais, preparando o desenlace. Mas o teimoso amigo continuava reagindo.
- Não - exclamava, mentalmente -, não posso morrer! tenho medo! tenho medo!
O clínico, todavia, não se demorou muito, e como o enfermo lutava, desesperado, em oposição ao nosso auxílio, não nos foi possível aplicar-lhe golpe extremo. Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou a chamada "injeção compassiva", ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador.
Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçaram-se-lhes os membros, vagarosamente. Imobilizou-se a máscara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis.
Cavalcante [recém-desencarnado em questão], para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade desencarnante estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação.
Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me:
- A carga fulminante da medicação de descanso, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar qualquer resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas.
E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após serviço muito laborioso para nós. Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado, foi por nós conduzido ao asilo de Fabiano, demonstrando necessitar maiores cuidados." Obreiros da vida eterna, André Luiz, capítulo Desprendimento difícil, páginas 360 a 362
Vemos relatado o momento difícil que Cavalcante passa, pela ignorância e desespero na hora da morte, não permitindo que os mentores espirituais atuassem em seu benefício fazendo o desenlace do corpo físico do corpo carnal e pela decisão do médico em "poupar-lhe do sofrimento", aplicando-lhe anestésico que não só não ajudou no momento derradeiro como dificultou ainda mais a condição de Cavalcante, fazendo com que ele, apesar do trabalho árduo dos espíritos protetores, chegasse em situação difícil à pátria espiritual.
Para o materialista a eutanásia ou o suicídio, consiste em diminuir o sofrimento do moribundo ou de si mesmo. No entanto, o espiritismo nos permite uma visão mais ampla da morte, fazendo-nos entender que a consciência não se encerra no momento da falência do corpo físico.
Vejamos um trecho das reflexões de Allan Kardec sobre o suicídio, na pergunta de número 957 do Livro dos Espíritos

"Quais, em geral, com relação ao estado do Espírito, as conseqüências do suicídio?" 
"A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de por termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas."

O espiritismo nos descortina o plano espiritual, nos mostrando que devemos suportar com resignação e coragem os momentos difíceis que nós e nossa família e amigos passamos, nos lembrando sempre das palavras do Mestre: "Meu Pai, que seja feita a Vossa vontade, e não a minha."
Fonte:http://www.orientacaoespirita.org/vida_eutanasia_03.htm

A visão Espírita da cremação

Maria Aparecida Romano
O espírito desencarnado sofre quando seu corpo é queimado? Quais são os motivos que estão levando um número cada vez maior de pessoas a optar pela cremação? O que o Espiritismo aconselha?
Quando se estuda o comportamento da Humanidade ao longo dos milênios, observa-se a nítida preocupação do homem com seu futuro após a morte. Um indivíduo é declarado oficialmente morto no momento que cessam suas funções vitais. Como cada grupo recebe a herança social e religiosa das tradições cultivadas pelas gerações anteriores, cabe aos membros do grupo que o indivíduo pertence cumprir os ritos tradicionais até a instalação definitiva do corpo em sua morada.

INUMAÇÃO E CREMAÇÃO

A Inumação é o ritual mais praticado. Consiste no sepultamento do cadáver em campas, geralmente no cemitério da comunidade. Cremação, ato de queimar o cadáver reduzindo-o à cinzas colocadas em urnas e em seguidas sepultadas ou esparzidas em local previamente determinada. Embora conhecida e praticada desde a mais remota antiguidade pelos povos primitivos da Terra não é muito utilizada.
O fogo passou a ser utilizado pelo homem na Idade da Pedra Lascada e, pela sua pureza e atividade, era considerado pelos Antigos como o mais nobre dos elementos, aquele que mais se aproximava da Divindade. Com a eclosão da religiosidade, o ser humano foi descobrindo que havia algo entre o Céu e a Terra e o fogo passou a ser utilizado em rituais religiosos.
Predominava a crença que ao queimar o cadáver, com ele seriam queimados todos os seus defeitos e ao mesmo tempo a alma se libertaria definitivamente do corpo, chegando ao céu purificada e não retornaria à Terra em forma de "aparições" assustando os vivos.
A cremação teve como base a força purificadora do fogo. Nos últimos tempos, em todo o continente europeu tem sido encontradas vasilhas do Período Neolítico (Idade da Pedra Polida) cheias de cinzas do indivíduos. Esses indícios revelam que a cremação já era praticada nos primórdios da Civilização Terrena.
Com o decorrer dos séculos a cremação foi se tornando prática consagrada no oriente (Índia, Japão, etc), regiões da Grécia e Antiga Rosa onde viviam civilizações adiantadas que utilizavam o processo graças ao "status". Entre os povos ibéricos tornou-se um rito generalizado, precedido de músicas, bailes e até banquetes. Com estas cerimônias esperava-se obter atitudes benévolas dos deuses, visando conduzir as almas ao Reino dos Mortos e lá chegando seria recebida e cuidada com carinho.

A INFLUÊNCIA DO CRISTIANISMO

A evolução natural da Humanidade e o ciclo iniciado com Jesus há 2000 anos modelando uma nova mentalidade, influenciavam sensivelmente nos costumes culturais e religiosos dos povos. Com a expansão do cristianismo, na tentativa de se solidificar a fé, foram se estabelecendo dogmas, entre eles, o da Ressurreição. Jesus, como descendente de uma das doze tribos de Judá, foi sepultado conforme as tradições da Lei Mosaica. A Igreja proclamou como Dogma de fé que o Messias ressuscitou de corpo e alma.
Com exceção dos países orientais onde a prática é normal, o rito da cremação ficou esquecido até o ano de 1876, quando em Washington, nos Estados Unidos, na tentativa de revificar o processo, foi estabelecido o primeiro forno crematório dos dias atuais, provocando polêmicas e controvérsias, sobretudo da Igreja que se posicionou contra a destruição voluntária do cadáver.
Só a partir de 1963, mediante a propagação do processo em diversos países do planeta, o Vaticano através do Papa Paulo VI apresentou uma abertura, mas não se posicionando claramente quando se expressou que não proibia a cremação, mas recomendava aos cristãos o piedoso e tradicional costume do sepultamento. A Igreja teve suas razões para defender a Inumação. Aprovar plenamente a cremação seria negar o dogma por ela estabelecido.
Nessa seqüência histórica observa-se que na cultura religiosa de todos os povos sempre pairou uma nebulosa noção de espiritualidade e nela a preocupação do homem com seu destino após a morte. Até que nos meados do século XIX, o francês Allan Kardec, codificador da doutrina espírita, lançou uma nova luz nos horizontes mentais do homem quando entreviu um mundo de inteligências incorpóreas.
Os espíritos são os seres inteligentes da Criação que habitam esse mundo. Simples e ignorantes no seu ponto de partida, caminham para o progresso indefinido reencarnando sucessivamente. Na encarnação, a ligação entre o perispírito e o corpo é feita através de um cordão fluídico. Sendo a existência terrena uma fase temporária, após o cumprimento da missão moral, com a morte do corpo físico o espírito retorna ao seu lado de origem conservando a individualidade.

O DESLIGAMENTO NÃO É SÚBITO

Os laços que unem o espírito ao corpo se desfazem lentamente. De uma forma geral todos sentem essa transição que se converte num período de perturbações variando de acordo com o estágio evolutivo de cada um. Para alguns se apresenta como um bálsamo de libertação, enquanto que para outros são momentos de terríveis convulsões. O desligamento só ocorre quando o laço fluídico se rompe definitivamente.
Diante da Nova Revelação apresentada pela doutrina dos espíritos e levando-se em consideração a perturbação que envolve o período de transição, questionou-se: cremando o corpo como fica a situação do espírito? Consultado, o mundo espiritual assim se expressou: "É um processo legítimo. Como espírito e corpo físico estiveram ligados muito tempo, permanecem elos de sensibilidade que precisam ser respeitados". Essas palavras revelam que embora o corpo morto não transmita nenhuma sensação física ao espírito, porém, a impressão do acontecido é percebida por este, havendo possibilidades de surgir traumas psíquicos. Recomenda-se aos adeptos da doutrina espírita que desejam optar pelo processo crematório prolongar a operação por um prazo de 72 horas após o desenlace.
Embora a Inumação continue sendo o processo mais utilizado, a milenar cremação, por muito tempo esquecida, voltou a ser praticada nos tempos modernos. Este procedimento vem se difundindo amplamente até em função da falta de espaço nas grandes cidades. Com o crescimento da população as áreas que outrora seriam destinadas a cemitérios tornaram escassas.

CREMAÇÃO: UMA QUESTÃO DE ECONOMIA

Adeptos de todas as seitas estão optando pela operação crematória. Seus partidários fundam-se em diversas considerações. Para alguns está ligada a fatores sanitários, sendo que alguns cemitérios podem estar causando sérios danos ao meio ambiente e à qualidade de vida da população, enquanto que para muitos usuários do crematório o processo diminui os encargos básicos econômicos, entre eles, a manutenção da tumba.
Atualmente, o Brasil conta com quatro áreas crematórias e está em fase de expansão. A área da Vila Alpina, na cidade de São Paulo, foi fundada em 1974. É a primeira área crematória do país e conta com quatro fornos importados da Inglaterra. Pertence à Prefeitura Municipal e leva o nome do seu idealizador, dr. Jayme Augusto Lopes. As outras três áreas são particulares e estão localizadas na cidade de Santos, no Estado do Rio de Janeiro e no Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo a Lei, a cremação só será efetuada após o decurso de 24 horas, contadas a partir do falecimento e, desde que sejam atendidas as exigências prescritas. A prova relativa à manifestação do falecido em ser cremado deve estar consistente de Declaração de documento público ou particular.
As cinzas resultantes da cremação do corpo serão recolhidas em urna individual e a família dará o destino que o falecido determinou. Muitos países já contam com Jardins Memoriais e edifícios chamados "Columbários", com gavetas para serem depositadas as urnas com as cinzas dos falecidos podendo ser visitadas por parentes.
Kardec, o codificador disse: "O homem não tem medo da morte mas da transição".
À medida que houver amadurecimento e compreensão para a extensão da vida, o ser humano saberá valorizar cada momento da vida terrena e devotará ao corpo o devido valor que ele merece. Através do corpo, o espírito se ilumina. Resgata-se o passado, vive-se o presente e prepara-se o futuro. No desencarne é restituída a liberdade relativa ao espírito enquanto o corpo permanece na Terra com outros bens materiais.
O espírito preexiste e sobrevive ao corpo. Tanto inumação como cremação são formas de acomodar o cadáver. Expressam o livre arbítrio de cada um. Os dois processos destroem o corpo. Para se optar pela cremação é necessário haver um certo desapego aos laços materiais e mesmo com a inumação, caso o espírito não estiver devidamente preparado, poderá sofrer os horrores da decomposição. Quanto mais o espírito estiver preparado moralmente, menos dolorosa será a separação.
(Revista Cristã de Espiritismo - Nº 06 - Ano 01)
Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/desencarne/a-visao-cremacao.html

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Entrevista sobre o Livro Espiritismo Fácil


1.       De que forma o “Espiritismo Fácil” pode auxiliar iniciantes no estudo da Doutrina Espírita e pesquisadores?
 Ao iniciante, o livro fornece um panorama dos principais pontos da doutrina. Tudo com textos curtos, perguntas diretas e respostas simples. Com o uso de cores e infográficos, facilita a compreensão dos assuntos.
Aos pesquisadores, colocamos algumas laminas interessantes que podem auxiliar, como o Mapa geográfico espírita e a linha de tempo histórica, isto serve como ponto de apoio para um melhor entendimento.
 2.       Qual a sua motivação para criar este livro que tem tudo para ser um manual  de estudos?
Ele foi focado como laminas para auxiliar aos meus filhos adolescentes. Eles não tinham nada para facilitar sua aprendizagemespírita. Então decidi criar laminas para que possam melhor entender a doutrina, e essas laminas geraram este livro.
O objetivo não seria um manual de estudo, e sim um convite para estudar.
 3.       Como as Casas Espíritas podem utilizar essa fonte de pesquisa em conjunto com as obras básicas?
Podem usar para o visitante que chega pela primeira vez, para seus filhos adolescentes, ou para a própria casa, pois os infográficos podem dar uma rápida noção de alguns temas.
 4.       De que maneira explicar as marcas do Espiritismo passando de Moisés, Jesus e chegando até Allan Kardec?
O Espiritismo é a terceira revelação de Deus para Ocidente. Ele é a continuidade da revelação, tendo uma característica, é uma revelação progressiva. Na medida em que a humanidade vai adiantando moral e intelectualmente, os Espíritos nos oferecem novas informações do mundo espiritual.
Assim como Jesus veio a cumprir a lei mosaica, o Espiritismo, veio a cumpri a Lei de Amor do Cristo, com a razão do lado, tornando-se uma fé raciocinada. Isto da uma força indestrutível a luz dos avanços dos nossos dias.
5.       Em sua opinião, o estudo dos fenômenos de Hydesville ainda são importantes para quem procura conhecer a Doutrina Espírita?
Sem dúvida, pois começa de um fato. E como fato, tem que ter explicação. A doutrina parte da observação de Allan Kardec de fatos, e desses estudos e pesquisas, surge a filosofia, como consequência das mensagens do além. Quer dizer, que não é uma filosofia criada por um homem, para depois tentar buscar fatos que comprovem. Ela é exatamente ao contrário. Primeiro o fato, logo a mensagem. Para finalizar numa transformação interior, numa proposta de auto iluminação do ser humano, com a vivencia do Evangelho do Cristo Jesus.

6.       Qual o papel de Chico Xavier dentro para o Espiritismo no Brasil e no Mundo?
Chico Xavier é um marco para o Espiritismo. Não só o potencial mediúnico dele, mas acima de tudo, o ser humano. O homem humilde e simples, dedicado e disciplinado. O mediunato que Chico alcançou serve de exemplo para milhares de médiuns no mundo.
Num curso que ditava, um companheiro me perguntou: Porque não existe mais Chico Xavier? um para cada país.
Temos a “sorte” de já ter um Espírito assim, na Terra. A maior antena paranormal esteve no Brasil, e acredito que só as futuras gerações poderão apreciar melhor este mensageiro que Deus nos ofereceu.
7.       Qual a importância do estudo dos chamados “centros de força”?
Os Centros de força ou “chakras” como são conhecidos, servem como complemento ao entendimento de diversas funções do períspirito.
Ao saber suas funções, podemos ter melhor condições para aplicar Passes ou compreender algumas informações que os Espíritos nos contam do mundo espiritual.
As revelações são constantes, ainda há muito a aprender.
8.       Nos dias atuais, a influência de espíritos desencarnados sobre nós encarnados se torna um fator maior de atenção?
Sempre influenciaram. E como somos todos “médiuns” em menor ou maior grau, esta influência é normal.
Hoje, da impressão de existir um numero maior de pessoas sensíveis a perceber o mundo espiritual mais claramente. Vejo muitas crianças com visões, outras sentem, outros ouvem. Parece que em algum momento será um sexto sentido apurado.
Os tempos estão mudando, e a nova humanidade que vem, terá outras vantagens, como comunicação com aparelhos eletrônicos, ou até com aplicativos.
Esse dia chegara, os espíritos falando por whatsapp, ou preenchendo redes sociais, sem duvida asinfluênciasserão muito maiores.
9.       Até que ponto um espírito desencarnado pode interferir em nossos pensamentos e serem responsáveis por nossas atitudes?
Em muito, e são eles quem nos dirigem constantemente. Somos bonecos por sermos fracos de decisões, e por não dominar nossa mente. Mas tem também influências muito positivas. É como viver em um mar de pensamentos, assim como hoje temos redes wifi, gps, telefonia, 3g, 4g, etc. Assim também nos vivemos no meio de ondas psíquicas. A responsabilidade é nossa, mas em casos de uma perturbação constante e crua, parte das consequências, será compartilhada com o desencarnado.
Assim podemos pensar que quem hoje é perturbado, pode ter gerado perturbação quando estava desencarnado, e por isso diante da lei, se faz merecedor de passar por essa provação. A lei é educativa e justa, e tende sempre a harmonizar.

10.   Em sua opinião pode a Doutrina Espírita ser considerada uma Ciência, Filosofia e Religião?
Em minha opinião é uma ferramenta, para usar cada  um e se melhorar. Não se trata de uma bandeira, para enfrentamento ou  para disputa de opinião.
E sim como o meio eficaz de responder aduvida da fé com o intelecto. É a ferramenta que ilumina consciências e consola corações.Ainda mais, penso que isto de falar de religiões, filosofias, é uma coisa temporal. Em outros mundos  mais avançados, acredito que tudo tenha sido superado. Não existam filosofias, nem religiões, pois a verdade é uma só.
Logo, em mundos maiores, talvez nem usem a palavra Espiritismo, pois é sóa revelação da Lei espiritual e pronta.
Mais ainda, humanidades do futuro, verão nosso atraso, nos vendo como loucos, por querer cada um dizer que estava com a verdade.
11.   De que maneira pode o Evangelho Segundo o Espiritismo modificar as nossas vidas?
Muito, ele é a explicação das máximas do Cristo, pelos espíritos superiores.
O Evangelho segundo o Espiritismo, esta fazendo 150 anos desde sua publicação, e é o livro que melhor trata da parte moral dos ensinos do Cristo, deixando de lado todo que for milagres, passagens complicadas, históricas ou polemicas.
Ele trata somente a parte moral HUMILDADE e CARIDADE.
Enquanto vejo por todo lado, filmes, documentários, programas de TV, que falam do Jesus milagreiro, do Jesus vingador, do Jesus sobrenatural, ou do Jesus humano, o Evangelho Segundo o Espiritismo, fala do ensino mesmo do Cristo. E destaca ser o único que interessa.
Os demais é apenas ficção para quem goste, mas a utilidade esta na sua proposta, erradicar o Orgulho e o Egoísmo.
12.   Como ajudar nossos jovens a conhecerem o Espiritismo?
Oferecendo ele como ele é. Eu conheci a doutrina um pouco tarde, com 16 a 17 anos, e percebi que tinha muitos jovens como eu, com sede de conhecimento e capacidade para entender.
O problema é que há uma grande carência de material simples e direto.
O jovem tem que ter espaço na casa espírita. Tem que orar, tem que participar, ganhar responsabilidade.
Vejo em muitas escolas religiosas centenas de jovens, e nas casas espiritas muito poucos. Isso tem que mudar. Dirigentes tem que repensar tudo. A casa espírita é o ressurgimento das casas do caminho, são os pontos de luz do cristo no planeta, são núcleos de alegria intima. Sócrates falava com os jovens, com eles tinha espaço. Acho que temos que repensar.
13.   O que é o Espiritismo Fácil?
É uma carta para os jovens, vejam como é belo o Espiritismo. Vejam como é fácil entende-lo. Vejam como é bom conhece-lo em poucos minutos.
14. Quem é Luís Hu Rivas e qual sua trajetória dentro do Espiritismo?
Um espirito muito imperfeito, que se adiantou a reencarnar cedo. Na minha época tive que aprender a mexer com joystick de umbotão. Hoje sofro com tantos comandos. Na minha época de jovem não existiam filmes espiritas, hoje podemos até escolher.
O fato de ter nascido em outro país, e vivido até os 23 anos no Peru, onde é muito carente de conhecimento espírita e ser designer gráfico, me faz sentir a necessidade de divulgar o Espiritismo para chegar a lugares distantes do planeta. O Espiritismo tem que ser de domínio público.
Sonho com o dia que as Ideias espíritas, estejam nas escolas, como curso de ensino espiritual, não vistas como uma religião, e sim como aprendizagem de vidas.
Talvez seja muito sonhador, mas sei que este mundo como esta agora, está apenas em transição a uma melhor situação.
O planeta e a nova humanidade vão eliminar da Terra os absurdos que hoje vemos. Sonho com isso, com um amanhã melhor, com respeito aos seres vivos e ao planeta. Com um mundo regenerado, com respeito a todos os seres humanos começando pelos os animais, com uma alimentação sem mortes, com roupas sem peles,medicamentos sem sacrifícios, esporte sem dores, e prazeres sem explorações, por um principio simples de misericórdia, para logo evoluir ao amor. Assim, penso um mundo melhor onde não existam mais religiões, apenas o sentimento religioso fale. Não existam mais “deuses”, onde cada um defenda o seu, e sim um único sentimento entre a lei divina.
Acredito isso, o dia que o reino dos céus entre em nosso coração, será o dia da volta total do Cristo em nos.
Sobre a trajetória, no Peru, ainda novo organizei duas casas Espiritas. No Brasil, em Salvador, Bahia, estive com Alamar Regis, a frente da Revista Visão Espirita, revista que circulou com 100 exemplares em todas as bancas do Brasil.
Depois foi criador do portal PLENUS.net , que foi o primeiro portal espirita da internet.
Em Brasília, foi convidado por Nestor Masotti, presidente da FEB, para coordenar um setor multimídia. Estive a frente da Revista Espírita em espanhol, revista que era a continuação da revista que Allan Kardec criou, mas voltada para o publico hispânico, circulou em 20 países durante 5 anos. Publiquei alguns livros espíritas como Doutrina Espirita para principiantes, e mais tarde fui o idealizar e coordenar da TV Espirita, TVCEI.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Pedras da vida

..abracemos o caminho que o Mestre nos aponta, embora, muitas vezes, sentindo os ombros agoniados, sob a cruz das responsabilidades crescentes.

Não vacilemos, porém.

Associando paciência e ação, brandura e energia – e às vezes mais energia na brandura – sigamos à frente, convencidos de que o Senhor não nos desampara.


Recordemo-lo, sozinho e desfalecente, mas sereno e valoroso e prossigamos, de consciência erguida na paz do dever cumprido.



Autor: Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier

Fonte:http://www.oespiritismo.com.br/mensagens/ver.php?id1=527

O óbulo da viúva

Diz o Evangelho que estando Jesus no templo, diante do gazofilácio, fez observação aos discípulos mostrando que os que depositavam grandes somas doavam menos que a viúva que dava a única moeda que possuía.

Essa advertência é bastante importante, porque é comum darmos nada porque não podemos dar muito. De que serve um simples pão que eu ofereça, diante da enorme fome do mundo, indagamos muitas vezes?

Para entender a importância desse pão, lembremos Madre Teresa, a benfeitora de Calcutá, que afirmou certa vez que seu trabalho não passava de uma gota no oceano. Completou, no entanto, que sem essa gota o oceano seria menor. Madre Teresa jamais foi vaidosa do seu trabalho, mas também aproveitava para ensinar sempre que tinha oportunidade.

O mesmo dizemos do pequeno pão. Não acabará com a miséria do mundo, mas, pelo menos nesse dia, uma criança passará menos fome.

Quando observamos o movimento espírita percebemos que poucas pessoas dão o óbolo da viúva. Sentem-se incompetentes para os grandes trabalhos, com medo da responsabilidade e sem disposição para o estudo e preparo para a tarefa e, por isso, ficam de braços cruzados. Sem poder executar trabalhos que julgam relevantes não se dispõem a realizar os serviços modestos.

O óbolo da viúva não precisa ser necessariamente a oferenda material. O abraço carinhoso, a palavra de estímulo, a oferta do ombro para o alívio do outro, a prece silenciosa em favor do que sofre, o auxílio ao velho que vai atravessar a rua, a educação no trânsito e o uso rotineiro do faz favor, obrigado, dá licença, desculpe.

O que dificulta o entendimento do Evangelho trazido por Jesus é o nosso exagerado apego ao mundo material, a ponto de esquecermos o significado espiritual das orientações.

Quando fazemos uma compra, se faltar um real não conseguimos pagá-la. Essa ninharia que damos sem ter convicção da sua utilidade é a migalha que falta para completar um conjunto maior. Quando tomamos um remédio, se em vez de dez gotas tomarmos nove ou oito ou sete, o remédio não fará efeito. Uma máquina para pela quebra de um minúsculo parafuso ou de um componente eletrônico imperceptível.

Temos de nos convencer que não há inutilidade e que ninguém é sem valor. Todos temos nossa parte na sociedade e, por menor que pareça, sempre é algo relevante. O soldado não tem a importância hierárquica do capitão, mas é ele que enfrenta o delinquente e corre risco de morte na defesa da população.

Seja qual for a nossa posição na vida podemos praticar algum tipo de caridade: material ou espiritual. Não percamos a oportunidade porque a recompensa é sempre grande; a mil por um.

Que Deus nos ajude!

Octávio Caúmo Serrano
Fonte:http://www.oclarim.org/site/_pages/ler.php?idartigo=2427