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quinta-feira, 12 de junho de 2014

AMÁLIA DOMINGO SOLER


Amália Domingo Soler nasceu na cidade de Sevilha, na região da Andaluzia, Espanha, em 10 de
dezembro de 1835, após o desmoronar do império espanhol, ferido mortalmente pelas guerras
napoleônicas e pela perda da maioria de suas colônias americanas.

Estava no trono da Espanha uma criança, a rainha Isabel II, com sua mãe - Maria Cristina -
como regente. Este reinado foi marcado por ministérios de curta duração, crises religiosas
(supressão da Companhia de Jesus e extinção de diversos conventos), epidemias e uma guerra
civil.

Conseqüência direta de tantas dificuldades foi a penúria econômica que caracterizou a vida de
grande parte da população. É neste cenário conturbado que se passa, a dificultosa infância de
Amália. Já antes de nascer, seu pai parte em uma longa viagem e não mais retorna. Aos 8 dias
de idade fica cega, sendo curada aos 3 meses por um farmacêutico. Problemas com a vista a
seguiriam por toda a vida.

Os anos seguintes de sua vida passam em relativa segurança, amparada pela mãe, com quem tinha grande afinidade:
"Em meus olhos, que ficaram muito imperfeitos, não sei o que via, mas o certo é que se consagrou em
absoluto a mim e não teve outro afã senão o de tornar-me feliz, zelando para não se descuidar, nem de leve
com minha educação ... Nossos espíritos se uniram de um modo tão admirável que só no olhar adivinhávamos
os nossos pensamentos". Amália Domingo Soler, Minha Vida.
Amália escreveu suas primeiras poesias aos 10 anos de idade e aos 18 publicou seus primeiros versos.

Amália não chegou a casar-se, e, aos 25 anos, com o falecimento de sua mãe, começou a fase mais difícil de sua existência.
Sem recursos ela se dirigiu a Madrid, na esperança de encontrar melhores condições de sobreviver, com suas poesias e com
um trabalho modesto. Suas dificuldades foram imensas, até fome passou e teve de recorrer a instituições de caridade, pois
raras eram as possibilidades de trabalho. Nesse período, faminta e só, pensa até em matar-se. Em uma noite, amargurada,
onde perdera até mesmo a noção de Deus e debatia-se na dúvida do destino de sua mãe, esta aparece e causa-lhe viva
impressão.

Impressionada pela visão de sua mãe, recorda-se da religião, e é junto a uma igreja luterana que encontra o apoio que
procura. A palavra de seus pastores e a convicção de seus fiéis lhe trazem de novo a fé e o consolo da confiança em Jesus.
O esforço de escrever versos, dos pequenos trabalhos de costura, unidos a difícil condição em que vivia, lhe pioraram muito a
vista e somente graças ao tratamento feito por um médico homeopata, salvou-se da cegueira. Foi este médico que lhe fala
pela 1ª vez do Espiritismo, e lhe empresta um exemplar do jornal espírita "El Critério".

Lendo um artigo deste jornal é que ela se convence da verdade do Espiritismo e busca mais informações. Estuda o que lhe
chega às mãos e para poder ter acesso às revistas espíritas, começa a escrever artigos para elas. O 1º de seus trabalhos
espíritas é uma poesia para o jornal "El Critério", que mesmo não sendo publicada, lhe valeu uma carta do editor - Visconde
de Torres Solanot - com um livro espírita de sua autoria - "Preliminares del Espiritismo".

É no periódico espírita "La Revelación", onde, pela 1ª vez, sai publicado uma poesia sua. Seu 1º artigo doutrinário, "La Fe
Espiritista" sai pelo "El Critério", em 1872. Seus artigos chamaram a atenção e aos poucos se integra ao movimento espírita
espanhol.
Foi em 31 de março de 1875 - aniversário da desencarnação de Allan Kardec - que no salão da Sociedad Espiritista Española,
Amália lê sua poesia "A la Memoria de Allan Kardec" e passa a fazer parte das fileiras dos propagandistas da Doutrina Espírita.

Grande escritora, com textos que falam tanto ao coração como a razão, e de espírito tão extraordinário como seu talento com
as letras, conquistou totalmente as simpatias dos espíritas espanhóis. Fernandes Colavida a presenteia com a coleção das
obras de Allan Kardec. Os espíritas de Alicante a convidam a ficar sob sua proteção, dedicando-se exclusivamente a
divulgação da Doutrina.

Amália, acreditando que seria errado viver do Espiritismo, continua a trabalhar de dia e escrever de noite. Se muda para
Barcelona, em 10 de agosto de 1876, convidada pelo grupo espírita "Circulo La Buena Nueva" e com a esperança de encontrar
melhores condições de trabalho na capital Catalã, já então cidade de grande atividade econômica.

Três meses após chegar a Barcelona, os problemas de visão voltaram e quase cega encontrou amparo na família de Luís Lach,
presidente do Círculo. Deram-lhe abrigo e condições de dedicar-se integralmente ao Espiritismo. Nas reuniões do Círculo,
Amália conheceu Miguel Vives, médium extraordinário, através do qual recebeu mensagens de sua mãe. Também conheceu o
médium sonâmbulo Eudaldo, que se tornou seu colaborador e através do qual recebeu muitas mensagens, inclusive as que
foram reunidas no livro "Memórias del Padre German". O Padre Germano, guia espiritual de Amália, se apresentou pela 1ª vez
em 9 de maio de 1879 e a publicação de suas memórias foi feita em partes a partir de 29 de abril de 1880.

Além de publicar artigos em periódicos espíritas, Amália também refutou ataques ao Espiritismo em jornais como a "Gaceta
de Cataluña", ficando célebre sua polêmica com o orador católico Vicente de Manterola. Em 1878, Vicente iniciou uma série de
conferências combatendo o Espiritismo, as quais Amália assistia e respondia em artigos na "Gaceta de Cataluña". O mesmo
orador chegou a publicar, em 1879, um livro intitulado "El Satanismo, o sea la Catédra de Satanás, combatida desde la
Cátedra del Espíritu Santo - Refutación de los errores de la Escuela Espiritista". Este foi refutado em uma série de 46 artigos
de Amalia, reunidos posteriormente no livro "El Espiritismo refutando los errores del Catolicismo".

Em 22 de maio de 1879 sai o 1º número do periódico "La Luz del Porvenir", dirigido por Amália, com apoio de Luís Lach e do
editor Juan Torrents que convenceram-na a criar um periódico direcionado a "mulher espiritista". No 1º número saiu o artigo
"La idea de Dios" que foi denunciado e provocou a suspensão do periódico por 42 semanas. Nesse período foi publicado um
substituto, "El Eco de la Verdad", que chegou a ser denunciado por outro artigo ("Los Obreros" de Cándida Sanz) e absolvido.
Grandes vultos - Amália Soler Page 1 of 2
Estas denúncias - uma reação de setores religiosos que se sentiam ameaçados pelo Espiritismo - não são tão difíceis de se
compreender, se considerarmos o clima geral da época de Alfonso XII. Este rei subiu ao trono com 17 anos em 29 de
dezembro de 1874, em meio a uma crise política que levou a abdicação de sua mãe, a rainha Isabel II. A Espanha vivia um
clima de extremismos, com o governo tendo que defender-se tanto dos "Carlistas", que retomam a guerra civil, quanto dos
republicanos que querem o fim da monarquia. Reformas liberais necessárias à modernização do país misturavam-se com
manifestos militares, crises políticas e novas guerras na África. O Catolicismo é a religião oficial do estado e procura reagir
com todas as suas forças às mudanças liberalizantes que podem comprometer-lhe essa posição.

O periódico "La Luz del Porvenir" foi publicado até 1899 e muitos artigos de Amália foram, a partir de 1972, reunidos por
Salvador Sanchís Serra nos livros "La Luz del Porvenir" e "La Luz del Camino", distribuídos gratuitamente por ele e pelo grupo
espírita "La Luz del Camino" de Orihuela, Alicante.
As memórias de Amália foram escritas em 1891, sob orientação do Padre Germano. Até aquela data ela tinha escrito 1286
artigos, publicados em periódicos na Espanha e no exterior: "El Critério" e "El Espiritismo", de Madri; "La Gaceta de Cataluña",
"La Luz del Porvenir" e a "Revista de Estudos Psicológicos" de Barcelona;" La Revelación", de Alicante; "El Espiritismo", de
Sevilha; "La Ilustración Espirita", do México;" La Ley del Amor", de Mérida de Yucatán; "La Revista Espiritista", de
Montevidéu; "La Constancia", de Buenos Aires; os "Annali dello Spiritismo" na Italia; "El Buen Sentido", de Lérida e outros.

Em 29 de abril de 1909, de Barcelona, Amália desencarnou, mas, não se afastou de seu labor em prol do Espiritismo. Em 10
de julho de 1912, através da médium Maria, completou suas memórias e, recentemente, nas viagens do médium Divaldo
Pereira Franco à Espanha, tem transmitido mensagens de orientação e encorajamento aos espíritas espanhóis.

O Espiritismo na Espanha continuaria a progredir até as vésperas da Guerra Civil de 1936-1939, quando o conflito latente
desde a regência de Maria Cristina, transformou-se em uma sangrenta guerra civil. Ao final desta guerra civil, a Espanha
mergulhou nos 40 anos da ditadura do General Franco, que tudo fez para abafar qualquer idéia que não se enquadrasse na
visão de mundo de seu regime. O Espiritismo, perseguido e jogado na clandestinidade, porém, voltou a surgir após o fim do
regime franquista, em uma Espanha nova, liderada por políticos mais maduros e por um rei esclarecido e humano, Juan
Carlos I.

É difícil de se fazer um balanço da obra de Amália Domingo Soler, pois os seus frutos ainda continuam surgindo. O movimento
espírita espanhol influenciou os movimentos nascentes nos vários países de língua espanhola da América Latina.

Seus artigos são hoje, como foram ontem, exposições claras e diretas do Espiritismo. Fieis intérpretes da Doutrina Espírita
codificada por Allan Kardec.

Fonte:texto elaborado por Carlos A. Iglesia Bernardo para o GEAE.
Fonte:http://www.searabendita.org.br/site/datafiles/uploads/grandes_vultos/amalia_domingo_soler.pdf

Um comentário:

  1. Agradeço a explanação do médium Divaldo Franco, esclarecendo com maestria, tudo o que eu mais necessito para a compreensão do Espiritismo na riqueza das diversas literaturas num trabalho profícuo, árduo de suas pesquisas. Estímulo para a continuidade infinita dos meus estudos. Que o bondoso Senhor, Mestre Jesus lhe cubra com seu manto azul sempre com elevada sabedoria, compartilhando com humildade dessa fonte, que nutre a todos aqueles que buscam com sede do saber colocar em prática a Transformação Moral Interior sob os exemplos de Cristo. Abraços fraternos

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