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terça-feira, 10 de junho de 2014

ALFREDO PEDRO D'ALCÂNTARA

Defensor do Espiritismo 

Alfredo Pedro D'Alcântara nasceu em Niterói no dia 3 de março de 1879, e desencarnou no Rio de 
Janeiro em 18 de setembro de 1971, com 92 anos, portanto. O mais velho batalhador espírita do 
Rio de Janeiro, foi atuante até onde suas forças o permitiram. 
Desde a idade de 15 anos, trabalhou como telegrafista na Estrada de Ferro Central do Brasil. 
Posteriormente, tornou-se almoxarife, cargo em que se aposentou em 1931. O restante de sua 
longa e preciosa existência terrena ele dedicou à causa espírita. 
Alfredo Pedro D'Alcântara conheceu a Doutrina em plena juventude, e desde então tornou-se 
militante ardoroso. Foi conferencista notável, jornalista emérito e escritor abalizado. De sua 
bibliografia, constam vários opúsculos e dois livros: Umbanda em julgamento e Um apóstolo 
espírita. No primeiro, coloca a Umbanda em seu verdadeiro lugar, como sincretismo religioso de 
conseqüências mediúnicas, sem vinculação com o Espiritismo. No segundo, faz um trabalho 
biográfico sobre Guilherme Taylor March, grande médico homeopata. 
Alfredo Pedro D’Alcântara destacou-se pela defesa doutrinária, contra qualquer linha paralela à Doutrina. Defendia a cultura 
espírita e a implantação de cursos para ilustrar seus adeptos. Foi membro da Liga Espírita do Brasil e do Instituto de Cultura 
Espírita do Brasil. Esteve à frente das grandes realizações espíritas no Rio de Janeiro e foi membro fundador e diretor de 
várias instituições espíritas. Por sua alma generosa e pelo trabalho em favor das classes menos favorecidas, ficou conhecido 
em Niterói como “Pai dos Pobres”. Era acatado e querido pelos seus contemporâneos e companheiros de Doutrina. 

Fonte: Anuário Espírita.
São Paulo, Edições FEESP, 1979.
Fonte:http://www.searabendita.org.br/site/datafiles/uploads/grandes_vultos/alfredo_pedro_d_alcantara.pdf

Mediunidade e Obsessão na Infância

Escrito por Rodrigo Ferretti
-Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim, pois que minha
filha está miseravelmente possuída de espírito demoníaco.
Amélia Rodrigues / Divaldo Franco – Primícias do Reino
Geralmente quando pensamos em mediunidade e em obsessão pensamos sempre no acometimento do indivíduo adulto. Mas e a criança pode ser médium? Pode também ser obsidiada? E se pode quem é a criança afinal?

A criança.
A criança que nos chega aos braços como pais ou educadores é um espírito imortal. A inocência e a fragilidade que lhe caracterizam são peculiares ao seu estado infantil nesta encarnação. São importantes sim a inocência e a fragilidade, para despertar nos pais o cuidado, o afeto e a ternura para com a criança, que em verdade é um espírito com experiências milenares.

Todo espírito somente reencarna com o objetivo de se melhorar e progredir. Os pais e os educadores portanto, são instrumentos que Deus se utiliza para o auxiliarem nessa nova experiência na aquisição de valores novos e superiores da vida.

A mediunidade

Mas o que é mediunidade? É o sentido que faculta a pessoa ser intermediária entre o plano espiritual e o plano físico. Geralmente chamamos de médiuns somente quem tem a faculdade ostensiva, ou seja quem sente, ouve, vê de forma mais clara a influência dos espíritos. Mas de modo geral, todos somos médiuns, pois, pelo menos pela faculdade da intuição todos nos colocamos em contato com o mundo espiritual.
Foi Alan Kardec quem melhor estudou sobre a mediunidade. No Livro dos Médiuns ele trás de forma detalhada o que vem a ser a mediunidade, como ela se manifesta, as suas características, os cuidados necessários, as responsabilidades e conseqüências de seu uso. E nos fala também da mediunidade da criança. Sim, a criança pode ser médium.

Temos vários exemplos, como o das irmãs Fox, que em Hydesville, nos Estados Unidos em 1848, eram médiuns de efeitos físicos. Kate e Margareth, de 11 e 14 anos respectivamente. Se comunicaram através da tiptografia ou uso de pancadas onde o espírito Charles Rosna disse detalhes de sua vida e de sua morte que ocorrera naquela casa onde se achavam.

Francisco Cândido Xavier desde seus 5 anos de idade via e se comunicava com sua mãe já desencarnada. A mãezinha lhe aparecia principalmente quando sofria maus tratos por parte da madrasta.

Yvone do Amaral Pereira, que publicou diversos livros espíritas, portadora de uma mediunidade muito aflorada, desde os 4 anos conversava com os espíritos.

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, também desde os 4 anos via os espíritos. Aos 5 tinha um amigo índiozinho chamado Jaguarassu. Brincavam juntos, conversavam... A medida que Divaldo crescia, Jaguarassu crescia também. Quando Divaldo fez 12 anos, Jaguarassu disse a Divaldo que teria de se afastar, pois estava se preparando para reencarnar. Divaldo teve um susto, pois pensou que Jaguarassu era uma pessoa encarnada. Após um tempo Divaldo teve oportunidade de conhecer Jaguarassu em sua nova reencarnação, que durou 38 anos. Após seu desencarne tornou a aparecer a Divaldo, porém agora com a aparência da última existência.

A mediunidade é uma faculdade espiritual e também orgânica. Espiritual pois é uma faculdade do espírito, mas orgânica pois que quando exercida por encarnados necessita de órgãos especiais no corpo físico para captar as informações que são decodificadas.

André Luiz no livro Missionários da Luz tem um capítulo entitulado A epífise, onde ele aborda a importância da glândula pineal como o órgão sede da mediunidade no corpo biológico. A glândula pineal é uma estrutura do cérebro e tem a sua função despertada na puberdade.

Sérgio Felipe de Oliveira, psiquiatra, realizou uma pesquisa utilizando-se de equipamentos de microscopia eletrônica e de ressonância magnética, onde concluiu que nos médiuns ostensivos, ou seja, aqueles com mediunidade mais aflorada, na glândula pineal destes há um número maior de cristais de apatita. Estes cristais de apatita não são calcificações. São estruturas funcionais que agiriam como antenas capazes de captar estímulos eletromagnéticos e decodificá-los em estímulos neuroquímicos, que são os que o cérebro seria capaz de compreender.

Kardec no Livro dos Médiuns estudou no cap. XVIII sobre a mediunidade em crianças, se haveria algum inconveniente em se desenvolver a mediunidade em tenra idade. Os benfeitores disseram que sim. Que não se deve estimular a mediunidade numa fase em que os órgãos ainda estão em formação. Seria precipitado e poderia causar estímulos que a criança poderia não assimilar de forma saudável.
A obsessão
A criança sendo médium, porque todos o somos, também está sujeita a influência espiritual. Quando a influência é negativa, perniciosa, persistente é chamada de obsessão. A obsessão pode ser definida como uma patologia de ordem espiritual.

Kardec estudou também no Livro dos Médiuns a escala da obsessão conforme o grau de domínio do espírito obsessor sobre o hospedeiro. Designou com os seguintes termos: Obsessão simples, fascinação e subjugação.

O nome subjugação foi uma escolha de Kardec em substituição a terminologia encontrada no Antigo Testamento e no Novo Testamento com o nome de possessão. O Codificador adotou este termo pois nenhum espírito entra no corpo do hospedeiro, o que ocorre é uma ligação de mente a mente face a sintonia existente entre ambos.
Um ponto interessante é que no CID 10 – Código Internacional de Doenças 10ª edição existe o F 44.3 Estado de transe e possessão. Ou seja, este estado de subjugação é avaliado e reconhecido pela medicina, porém geralmente é visto como um transtorno de causa orgânica ou psicogênica ou quem sabe espiritual.

O fato é que aquele que agora é o obsessor foi alguém que geralmente conviveu de forma muito próxima com a atual vítima e que foi ludibriado e que não tendo perdoado busca fazer justiça com as próprias mãos.

É claro que o desforço não é necessário. A divindade dispõe sempre de meios onde possa equilibrar os desvios da Lei Divina sem que ocorra a necessidade de que alguém se comprometer com o mal.

Assim, a criança que agora utiliza-se de um corpo novo, pode ser na verdade um espírito cujo passado foi muito comprometido no mal. A família que de alguma forma lhe padece as dificuldades decorrentes da obsessão pode muitas vezes ter sido partícipe do seu comprometimento ou mesmo estimuladora das imperfeições que agora abrem campo ao processo obsessivo.

Manoel Philomeno de Miranda, espírito, através da mediunidade de Divaldo Franco em seu livro Trilhas da libertação diz que: Não desconhecemos que a obsessão na infância tem um caráter expiatório, como efeito de ações danosas de curso mais grave. (...) A visão do Espiritismo em relação à criança obsidiada é holística, pois que não a dissocia, na sua forma atual, do adulto de ontem quando contraiu o débito.

O processo obsessivo logicamente trás algumas alterações comportamentais perceptíveis na criança. Podemos desta forma encontrar sintomas associados a obsessão na infância como: Irritabilidade, agitação, depressão, pesadelos, falta de concentração, dificuldades nas relações sociais, agressividade, comportamentos excêntricos, acidentes, personalidade instável, dificuldades de aprendizagem e medo injustificado.

Como tratamento proposto pela Doutrina Espírita, encontramos o tratamento fluidoterápico como o passe magnético e a água fluidificada em abundância, o culto do evangelho no lar, a participação da criança nas aulas de evangelização infantil, a prece intercessória em favor do pequeno paciente e a reunião de desobsessão sem a participação da criança na mesma.

Sabemos que a incidência da obsessão na infância mostra-se como uma prova ou expiação de difícil curso. Mas demonstra principalmente a necessidade de maiores cuidados por parte dos pais quanto à moral e índole do pequenino e também da própria família. A mensagem da Doutrina Espírita é a do Cristo, é a da renovação, da esperança, tendo-se em mente que realizado o tratamento, a criança poderá levar uma vida completamente normal e feliz com um futuro promissor rumo a Deus. Aos pais que passam por situação semelhante em relação aos filhinhos, recordamo-nos de Jesus quando curou a filhinha subjugada da mulher Cananéia –Oh! Mulher! Grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E desde aquela hora, sua filha foi curada. (Mateus 15: 28),
Fonte:http://www.feig.org.br/index.php/ddivulgacao/estudos-e-artigos/340-mediunidade-e-obsessao-na-infancia

Morte Prematura - Como aceitar???

Quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espirtismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.Como aceitar a morte prematura, como não sofrer,difícil,mas podemos tentar entender o processo.
O termo "morte prematura", talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.
Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria.Mateus 26, João 2:19, Alias esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.
Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.
Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar. A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?
Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. "Deus é amor!"
A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.
Se você vicenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse seguí-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele(Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familair, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.
No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou "olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer". A isso chamamos de suicídio e não amor.
Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.
 Fonte:http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/morte-prematura-como-aceitar

As Ciências Biomédicas, os Doutores, o Espiritismo e os Cegos de Nascença.

Luiz Carlos D. Formiga
Um estudante simpatizante da Doutrina Espírita compareceu a uma de nossas reuniões, no embrionário Núcleo Espírita Universitário do Fundão, na UFRJ, e depois nos procurou no corredor para confidenciar que não conseguia conciliar a justiça e a bondade de Deus, com o nascimento de crianças com AIDS. É desta forma que termina o capítulo “Aids - Uma Reflexão Espírita da Justiça”, do livro “Dores, Valores, Tabus e Preconceitos”. A pergunta nos lembrou o capítulo III, do livro dos Médiuns (2), primeira parte: “o melhor método de ensino é o que fala à razão antes que aos olhos”.
Ao redor do Núcleo Universitário a população é heterogênea. Vamos encontrar diversos comportamentos.

Materialistas e incrédulos.

Para os materialistas por sistema o homem é simples máquina. Felizmente, seu número é restrito e não formam escola confessada; são ricos de orgulho e persistem negando o fenômeno, não obstante todas as provas em contrário. Encontramos uma classe onde a incerteza lhes é um tormento. Há neles uma vaga aspiração pelo futuro, mas esse futuro lhes foi apresentado com cores tais, que sua razão se recusa a aceitá-lo. São os náufragos a procura de uma tábua de salvação; são apenas indiferentes. Os incrédulos de má-vontade não querem ver perturbada a inclinação que sentem para os gozos materiais. Outros sabem muito bem o que devem pensar do Espiritismo, mas o condenam por motivos de interesse pessoal; são os incrédulos por má fé ou por escrúpulos religiosos. Os incrédulos por decepções, passaram de uma confiança exagerada à incredulidade, porque sofreram desenganos. São o resultado do estudo incompleto e da falta de experiência.

Espiritualistas e espíritas.

Os espiritualistas por princípio são os mais numerosos, possuem vaga intuição das idéias espíritas. O Espiritismo lhes é como que um traço de luz livrando-os das angústias da incerteza. Encontramos ainda os que possuem o sentimento inato dos grandes princípios decorrentes da Doutrina dos Espíritos. Diante do inusitado fenômeno mediúnico muitos acabam se rendendo e se tornam estudiosos. No entanto, mesmo aí encontramos comportamentos diferentes. O Espiritismo é, para alguns, apenas uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos e se tornam apenas espíritas experimentadores. Outros vêem mais do que fatos; compreendem-lhe a parte filosófica; admiram a moral daí decorrente, mas não a praticam. Há os que depositam confiança demasiado cega e freqüentemente pueril, no tocante ao mundo invisível, e aceitam sem verificação diversos absurdos; graças à sua boa-fé, são iludidos por homens e por Espíritos mistificadores. Os verdadeiros espíritas não se contentam com o “admirar a ética espírita”, colocam-na em pratica e lhe aceitam todas as conseqüências.
Esses comportamentos podem ser encontrados entre os contemporâneos de Jesus. No livro onde Allan Kardec discute os milagres e as predições segundo o Espiritismo (3), encontramos o caso do cego de nascença, no capítulo XV - Os milagres do Evangelho. Após a cura, e oferecendo o seu testemunho, aquele homem simples não se intimidou diante das pressões sofridas. Na linguagem deste cego vamos encontrar o pensamento desses homens, nos quais o bom-senso supre a falta de saber. Isto não os impede de retrucar com bonomia aos argumentos de seus adversários, expendendo razões a que não faltam justeza, nem oportunidade. No entanto, o tom dos fariseus é o dos orgulhosos que nada admitem acima de suas inteligências e que se enchem de indignação só à idéia de que um homem do povo lhes possa fazer observações. Guardadas as devidas proporções, dir-se-ia ser do nosso tempo o fato. Vamos recordar.
“Ao passar, viu Jesus um homem que era cego desde que nascera; — e seus discípulos lhe fizeram esta pergunta: Mestre, foi pecado desse homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego? — Jesus lhes respondeu: Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus. Tendo dito isso, cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego — e lhe disse: Vai lavar-te na piscina de Siloé. Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro. Seus vizinhos e os que o viam antes a pedir esmolas diziam: Não é este o que estava assentado e pedia esmola? Uns respondiam: É ele; outros diziam: Não, é um que se parece com ele. O homem, porém, lhes dizia: Sou eu mesmo. — Perguntaram-lhe então: Como se te abriram os olhos? — Ele respondeu: Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo. — Disseram-lhe: Onde está ele? Respondeu o homem: Não sei.
Levaram então aos fariseus o homem que estivera cego. — Ora, fora num dia de sábado que Jesus fizera aquela lama e lhe abrira os olhos. Também os fariseus o interrogaram para saber como recobrara a vista. Ele lhes disse: Ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e vejo. — Ao que alguns fariseus retrucaram: Esse homem não é enviado de Deus, pois que não guarda o sábado. Outros, porém, diziam: Como poderia um homem mau fazer prodígios tais? Havia, a propósito, dissensão entre eles. Disseram de novo ao que fora cego: E tu, que dizes desse homem que te abriu os olhos? Ele respondeu: Digo que é um profeta.
— Mas, os judeus não acreditaram que aquele homem houvesse estado cego e que houvesse recobrado a vista, enquanto não fizeram vir o pai e a mãe dele — e os interrogaram assim: É este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora vê? — O pai e a mãe responderam: Sabemos que esse é nosso filho e que nasceu cego; — não sabemos, porém, como agora vê e tampouco sabemos quem lhe abriu os olhos. Interrogai-o; ele já tem idade, que responda por si mesmo.
Seu pai e sua mãe falavam desse modo, porque temiam os judeus, visto que estes já haviam resolvido em comum que quem quer que reconhecesse a Jesus como sendo o Cristo seria expulso da sinagoga. — Foi o que obrigou o pai e a mãe do rapaz a responderem: Ele já tem idade; interrogai-o.
Chamaram segunda vez o homem que estivera cego e lhe disseram: Glorifica a Deus; sabemos que esse homem é um pecador. Ele lhes respondeu: Se é um pecador, não sei, tudo o que sei é que estava cego e agora vejo. — Tornaram a perguntar-lhe: Que te fez ele e como te abriu os olhos? — Respondeu o homem: Já vo-lo disse e bem o ouvistes; por que quereis ouvi-lo segunda vez? Será que queirais tornar-vos seus discípulos? — Ao que eles o carregaram de injúrias e lhe disseram: Sê tu seu discípulo; quanto a nós, somos discípulos de Moisés. — Sabemos que Deus falou a Moisés, ao passo que este não sabemos donde saiu.
O homem lhes respondeu: É de espantar que não saibais donde ele é e que ele me tenha aberto os olhos. — Ora, sabemos que Deus não exalça os pecadores; mas, àquele que o honre e faça a sua vontade, a esse Deus exalça. — Desde que o mundo existe, jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. — Se esse homem não fosse um enviado de Deus, nada poderia fazer de tudo o que tem feito.
Disseram-lhe os fariseus: Tu és todo pecado, desde o ventre de tua mãe, e queres ensinar-nos a nós? E o expulsaram. (João, cap. IX, vv. 1 a 34.)
Ser expulso da sinagoga equivalia a ser posto fora da Igreja. Era uma espécie de excomunhão. Os espíritas, cuja doutrina é a do Cristo de acordo com o progresso das luzes atuais, já foram tratados como os judeus que reconheciam em Jesus o Messias. Ontem fomos excomungandos como fizeram os escribas e os fariseus com os seguidores do Cristo. Aquele homem foi expulso apenas porque não pode admitir seja um possesso do demônio aquele que o curara e porque rendia graças a Deus pela sua cura. Não é o que, ainda, fazem com os espíritas? Anteriormente já pregaram que os necessitados não deveriam aceitar o pão que os espíritas distribuíam, por ser do diabo esse pão.(3)
Fiquemos por aqui indicando a leitura dos pertinentes comentários de Kardec com relação à resposta oferecida, pelo Mestre, aos seus discípulos: “Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus “. Há expiações dolorosas, mas também há provas escolhidas! Ver Agostinho. Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, ítem 19. O mal e o remédio(4).
Acreditamos que o estudante saiu satisfeito e eu nem lhe falei sobre a explicação dada por Kardec da utilização daquela espécie de recurso empregado como meio para a cura do cego. Resultados de experiências científicas atuais apontam na mesma direção.
Um outro aluno, extremamente crítico, noutra oportunidade questionou a apresentação que fora feita de determinado orador espírita dizendo: “ Informar que o palestrante é professor e doutor não é ferir sua humildade e tentar passar verniz no seu ego?“
Respondi que não poderia falar por ele, mas acreditava que era uma boa oportunidade de, confirmando a veracidade das informações, passar por esta prova e oportunidade de, com seu testemunho, demonstrar que não há incompatibilidade entre a atividade científica e o sentimento de religiosidade (Ciência + Consciência). Neste momento, não pude deixar de lembrar o Doutor Crookes (1), que estudou os fenômenos espíritas, durante os anos de 1870-73 e publicou seus resultados pela primeira vez no Quartely Journal of Science, de janeiro de 1874.
A um dos representantes da Academia que duvidara da sua condição de Membro da Sociedade Real de Londres e dos resultados das suas pesquisas científicas sobre materialização de espíritos, William Crookes respondeu: “Não digo que isso seja possível; afirmo que isso é uma verdade”. Foi por isso que Victor Hugo afirmou que “evitar o fenômeno espírita, deixar de prestar-lhe a atenção a que ele tem direito, é faltar com o que se deve à verdade.”
Acredito que o jovem aluno tenha percebido que o verdadeiro espírita não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais. Usa, mas não abusa de seus títulos acadêmicos ou “dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões”(4).

Referências Bibliográficas

1. Crookes, W. 1874. Fatos Espíritas. FEB. 5ª ed. 2. Kardec, A. 1861. O Livro dos Médiuns. FEB. 59ª ed. 3. Kardec, A. 1868. A Gênese. FEB. 27ª ed. 4. Kardec, A. 1866. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB.108ª ed. Cap. V, ítem 19, pág. 11-113, segundo parágrafo. O mal e o remédio.
(Publicado na Revista Internacional de Espiritismo)
Fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/as-ciencias-biometicas.html

Sonambulismo, êxtase e dupla vista

Apresentamos nesta edição o tema n121 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.
Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.
Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.
Questões para debate
1. O que caracteriza o sonambulismo?
2. No sonambulismo, como o indivíduo está dormindo, quem é que age?
3. Que é o êxtase?
4. Em que consiste o fenômeno da dupla vista?
5. Existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista? 
Texto para leitura 

No sonambulismo, é a alma do sonâmbulo que se movimenta e age

1. O sonambulismo, o êxtase e a dupla vista, a exemplo do sono, da catalepsia e da letargia, enquadram-se no capítulo que trata da emancipação da alma, como podemos ver na principal obra de Kardec, “O Livro dos Espíritos”.  
2. No sonambulismo, o que o caracteriza é o fato de o indivíduo, embora dormindo, poder movimentar-se e agir, utilizando o seu próprio corpo material, como se estivesse acordado. Ele se levanta, caminha e pratica atos próprios de sua vida com absoluta segurança e perfeição. Outra característica do fenômeno é o fato de perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo.
3. No sonambulismo, analogamente ao que ocorre durante o sono, o Espírito do sonâmbulo se desprende e, uma vez emancipado, passa a ver com os olhos espirituais, com a particularidade de que, embora desprendido do corpo físico, continua exercendo uma força sobre ele. E o faz com grande segurança, como provam os fatos, a ponto de subir em telhados e caminhar à beira de precipícios, sem se acidentar. A respeito disso, Gabriel Delanne relata em seu livro “O Espiritismo perante a Ciência” alguns fatos muito interessantes, como o caso de um farmacêutico de Pavia que durante o sono levantava-se da cama e ia ao laboratório de sua farmácia, onde continuava a preparar as receitas ainda não atendidas. 
4. Se o indivíduo continua a agir dormindo e tendo os olhos fechados, que se pode deduzir, senão que é sua alma quem age? E, de fato, assim o é porque, ao emancipar-se, o Espírito pode utilizar com maior facilidade as percepções que lhe são próprias, tal como nos ensina o Espiritismo quando diz que o sonambulismo natural é um estado de independência do Espírito mais completo do que o sonho, que não passaria, segundo os instrutores espirituais, de um estado de sonambulismo imperfeito. 

O êxtase é uma forma de sonambulismo mais apurado

5. O sonambulismo pode ser induzido artificialmente pelos magnetizadores e o pioneiro dessa prática foi o médico austríaco Franz Anton Mesmer, que buscava nessa experiência uma forma de terapia alternativa. Em casos tais, pode o sonâmbulo entrar em contato com outros Espíritos que lhe transmitem o que devem dizer e suprem, desse modo, a sua incapacidade. O fato se verifica principalmente nas prescrições médicas e há muitos relatos na literatura espírita dando conta de que, às vezes, o Espírito do sonâmbulo “vê” o mal e outro Espírito lhe indica o remédio, caracterizando uma forma de ação mediúnica na qual o sonâmbulo é o instrumento de outras inteligências desencarnadas. 
6. Outra modalidade de emancipação da alma é o êxtase, que é, segundo o Espiritismo, um sonambulismo mais apurado, porquanto a alma do extático é ainda mais independente. 
7. Se no sonho e no sonambulismo o Espírito anda em giro pelos mundos que nos rodeiam, no êxtase pode penetrar em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que lhe seja, porém, lícito ultrapassar certos limites. Aliás, se o Espírito em êxtase os transpusesse, partir-se-iam os laços que o prendem ao corpo material. 
8. Pondo-se em contato com lugares e entidades tão elevados, é fácil entender que um resplendente e incomum fulgor chega a cercar o extático, produzindo-lhe um indefinível bem-estar, que lhe permite gozar antecipadamente a beatitude celeste que somente em estados semelhantes pode vislumbrar. 

A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma

9. A dupla vista, igualmente chamada de segunda vista, é o nome que se dá ao fenômeno pelo qual certas pessoas, em perfeito estado de vigília, conseguem perceber cenas e fatos passados a distância ou exclusivamente na esfera espiritual.  
10. Kardec perguntou aos instrutores espirituais se existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista. Responderam os imortais que tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é o resultado da libertação do Espírito sem que o corpo esteja adormecido. A dupla vista ou segunda vista, afirmam eles, “é a vista da alma”. 
11. Exemplos desses fatos existem inúmeros na literatura espírita, especialmente nos clássicos. Um deles é o que se passou com o vidente sueco Swedenborg, que podia ver e descrever com precisão Espíritos e cenas do mundo espiritual. 
12. A história registra também muitos casos dessa ordem, como o ocorrido com Apolônio de Tiana, que, estando a ensinar a seus discípulos em praça pública, interrompeu-se de repente, na atitude ansiosa de quem espera alguma grave ocorrência, e em seguida anunciou o assassínio de Domiciano, morto sob o punhal de um liberto. 

Respostas às questões propostas 

1. O que caracteriza o sonambulismo? 
R.: O que o caracteriza é o fato de o indivíduo, embora dormindo, poder movimentar-se e agir, utilizando o seu próprio corpo material, como se estivesse acordado. Ele se levanta, caminha e pratica atos próprios de sua vida com absoluta segurança e perfeição. Outra característica do fenômeno é o fato de perder o sonâmbulo, ao acordar, a lembrança do que fez dormindo.  
2. No sonambulismo, como o indivíduo está dormindo, quem é que age? 
R.: É sua alma que age. 
3. Que é o êxtase? 
R.: O êxtase é outra modalidade de emancipação da alma, uma espécie de sonambulismo mais apurado, porquanto a alma do extático é ainda mais independente. 
4. Em que consiste o fenômeno da dupla vista? 
R.: A dupla vista, igualmente chamada de segunda vista, é o nome que se dá ao fenômeno pelo qual certas pessoas, em perfeito estado de vigília, conseguem perceber cenas e fatos passados a distância ou exclusivamente na esfera espiritual.  
5. Existe alguma relação entre o sonho, o sonambulismo e o fenômeno da dupla vista? 
R.: Sim. Todos eles são formas de ocorrências derivadas da emancipação da alma. O que se chama dupla vista é o resultado da libertação do Espírito sem que o corpo esteja adormecido. A dupla vista ou segunda vista, afirmam eles, “é a vista da alma”. 

Bibliografia: 
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 425 a 431, 439, 447 e 455.
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 172.
Magnetismo Espiritual, de Michaelus, pp. 8 a 10.
O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, pp. 88 a 94.
Dicionário Enciclopédico Ilustrado, de João Teixeira de Paula, pp. 42 e 43.
Fonte:http://www.oconsolador.com.br/ano3/121/esde.html

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ALEXANDER N. AKSAKOF

 
 
Estudioso sério

Aksakof nasceu em Repievka, na Rússia, em 27 de maio de 1832. Grande cientista, notabilizou-se na
investigação e análise dos fenômenos espíritas. Doutor em Filosofia, foi conselheiro do tzar Alexandre
III.

Sua preocupação com investigações sérias, desde a mocidade, o levou a enfrentar prolongados anos
de dificuldades espirituais e sociais.

Depois de concluir o doutorado, foi professor da Academia de Leipzig, na Alemanha. Dedicando-se ao
campo da investigação psíquica, tornou-se diretor do jornal Psychische Studiem, órgão publicado na
Alemanha. Em 1891, em Moscou, lançou Rebus, a primeira revista de estudos psíquicos na Rússia.



Espiritismo experimental

Aksakof realizou numerosas experiências e observações no campo científico. No espiritismo experimental, seus trabalhos
foram tão profundos e interessantes, que são lembrados até hoje. Nesse campo, teve o concurso da célebre médium italiana
Eusapia Paladino. Com base nos seus trabalhos, publicou na Alemanha o livro Animismo e Espiritismo, em dois volumes, obra
insuperável no mundo todo.

Mais tarde, Cesare Lombroso, grande criminalista italiano, expôs o resultado definitivo de suas experiências, realizadas quinze
anos depois, valendo-se do trabalho dos médiuns Elisabeth D'Esperance e Politi, além de Eusapia Paladino. O trabalho de
Lombroso fortaleceu de forma decisiva tudo aquilo que Aksakof havia descrito em sua obra.

Animismo e Espiritismo, de Aksakof, foi uma réplica à publicação que o filósofo alemão Eduardo von Hartmann - continuador
de Schopenhauer - editou em 1885, abordando aspectos do Espiritismo, a cujos fenômenos atribuía fundo biológico. Na
polêmica que sustentou com o doutor Hartmann, Aksakof refutou suas explicações com indiscutível superioridade científica e
demonstrações irretorquíveis


Espírita convicto

Em fevereiro de 1890, Aksakof escreveu:
"Interessei-me pelo movimento espírita em 1855. Desde então, não deixei de estudá-lo em todas as suas particularidades e
através de todas as literaturas. Em 1870, assisti à primeira sessão, em um círculo íntimo que eu tinha organizado. Não fiquei
surpreendido de verificar que os fatos eram reais e adquiri a convicção profunda de que eles nos ofereciam - como tudo o que
existe na Natureza - uma base verdadeiramente sólida, um terreno firme para a fundação de uma ciência nova que seria
talvez capaz, em um futuro remoto, de fornecer ao homem a solução do problema da sua existência. Fiz tudo o que estava ao
meu alcance para tornar os fatos conhecidos e atrair sobre o seu estudo a atenção dos pensadores isentos de preconceitos".


Alexander Aksakof desencarnou em S. Petersburgo (mais tarde, Leningrado), no dia 4 de janeiro de 1903.

Fonte: Paulo Alves Godoy e Antônio de Souza Lucena,
Personagens do Espiritismo, Edições FEESP, 1982.
Fonte:http://www.searabendita.org.br/site/datafiles/uploads/grandes_vultos/alexander_n_aksakof.pdf

A visão espírita da pedofilia

Como o espiritismo vê a questão  da pedofilia?
Como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar.

Qual a razão de existirem pedófilos? 
A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios psíquicos. São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi criado pedófilo.

O que se passa nas suas mentes?
Cada um deles tem uma história. Não há como colocar todos em um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética.

Quais os traumas que eles têm? 
Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido: violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade, sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência. 

Como se explica tal comportamento?
A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso, imaturidade, ignorância e sobretudo pelo livre arbítrio desviaram-se da linha normal de conduta. 

E as vitimas, por que isso?
Em diversas oportunidades, quando fizemos palestra sobre reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da pedofilia. Principalmente, ao se propiciar perguntas nos serem dirigidas por escrito viabilizava-se este questionamento.
Embora o tema seja potencialmente polêmico e desagradável, não há como ignorá-lo no contexto de nossa situação planetária.
Nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre arbítrio é o maior patrimônio que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante. Livre arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas consequências de seus atos posteriores.
Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos atos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também salientar que não há atos perversos que tenham sido planejados pela espiritualidade superior. Seria de uma miopia intelectual sem limites, a ideia de que alguém deve reencarnar a fim de ser violentado ou sofrer pedofilia. A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza.
Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a onipresença divina em situações e sofrimentos que observamos? Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e onisciência.
Outra questão importante: Quem é a “vítima”? Analisemos. Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que trazemos em nosso inconsciente construídos no passado.
Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso “passaporte” inúmeros “carimbos” das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, a somatória dessas experiências se traduzem em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida.
Assim, é também a “vítima”. A criança, que hoje se apresenta de forma diferente, podem trazer de seu passado profunda marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus. Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma. 
Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras diretas, pela autoridade que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da criança, nossa personagem neste drama.
Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, em um dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com o agressor, ou seja, o pedófilo, e ser agredida.
Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos também que considerar o frequente processo obsessivo que vinha se desenvolvendo. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.
Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violência ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificativa. No entanto, o crime existindo, necessário compreender em uma visão mais ampla o que está acontecendo. A espiritualidade sempre fará o máximo para evitar o “mal” ou não sendo possível, apoiar aos que sofrem.
O espírito submetido à violência da pedofilia sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual. Não houve a programação, mas a tendencia que trazia era forte e havia o risco  em passar por algo do gênero, que  a espiritualidade não conseguiu evitar.
A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos, exacerbando a dolorosa situação kármica da constelação familiar. 
Há, também, espíritos afins e benfeitores que visam amparar os envolvidos nesta dor. Amigos do extrafísico cheios de ternura em seu coração, com projetos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes. O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma.
Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 76.
Escrito por Dr. Ricardo Di Bernardi   
Ter, 01 de Novembro de 2011 16:32
Fonte:http://www.rcespiritismo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1000:a-visao-espirita-da-pedofilia&catid=34:artigos&Itemid=54